Começo pedindo desculpas ao poeta dos poetas, William Shakespeare, por usar as belas palavras com que abre o seu extraordinário Ricardo III. Sinceramente? Nem eu mereço usar um verso do grande Will, nem o que se passa aqui tem a grandiosa dramaticidade da Inglaterra do século XV. Aqui, a mediocridade impera… Continue lendo “Agora é o fim do inverno de nosso descontentamento”
Assim não, general!
O general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, muito tem contribuído para as Forças Armadas ficarem adstritas às suas funções constitucionais. Em diversos momentos foi a voz do bom senso para apagar incêndios nos quartéis que poderiam se alastrar em ações que no passado causaram tantos danos ao país. Continue lendo “Assim não, general!”
O amor do povo
O povo não é como Barthes. Se aplaude, o povo aplaude o artista. Conceptualíssimo, o povo negligencia a obra para amar unilateral e exclusivamente o criador e o puro acto da sua criação. Continue lendo “O amor do povo”
Fé cega, faca amolada
Não são poucas e nem recentes as vozes que denunciam a crescente intolerância na disputa política. Mas neste país que insiste em errar muito e quase nada aprender com seus erros, dificilmente a barbárie cometida contra Jair Bolsonaro servirá como freio de arrumação. Ao contrário: os opostos que se digladiam com incivilidade e ódio recarregaram suas baterias. Continue lendo “Fé cega, faca amolada”
A segunda morte de Luzia
Nas labaredas do Museu Nacional desapareceu o crânio de Luzia, um fóssil de 12 mil anos, o habitante mais antigo da América. Mesmo se for encontrada, Luzia morreu pela segunda vez e com ela o mais rico patrimônio histórico e arqueológico do país. Mais: morreu parcela importante da memória nacional e parte da autoestima dos brasileiros. Continue lendo “A segunda morte de Luzia”
Posso fazer xixi?
Andava o norte de Portugal a fritar filhoses para o Natal, enquanto os apaniguados do Doutor Cunhal fritavam latifundiários, ocupando-lhes as herdades, no sul. Foi nestes preparos festivos que Chinatown se estreou em Portugal. A 18 de Dezembro de 1974. Continue lendo “Posso fazer xixi?”
Troça, chacota, deboche
Goste-se ou não delas, leis balizam a organização da coletividade, garantem direitos e deveres, impõem punições. Têm de ser respeitadas e, por óbvio, cumpridas. Mas por aqui o descaso com as leis e até mesmo com a Constituição é generalizado, a começar por aqueles que por dever de ofício juram lealdade a elas. Continue lendo “Troça, chacota, deboche”
O ensino em casa
Nunca vi uma campanha presidencial mais desalentadora que esta. E olha que as TVs estão colaborando com os candidatos, com muitas entrevistas, debates e análises. Os candidatos não vão poder se queixar de falta de visibilidade… Continue lendo “O ensino em casa”
Réquiem para o socialismo do século XXI
A Venezuela foi a pátria-mãe do “socialismo do século 21”, assim como a União Soviética foi para o chamado “socialismo real”. Na primeira década deste século o teórico alemão Heinz Dieterich viu no governo de Hugo Chávez a confirmação do modelo que concebeu, pautado na “economia de equivalência”, na “democracia de massas” e “na democracia de base”; em contraposição à economia de mercado e à democracia representativa. Continue lendo “Réquiem para o socialismo do século XXI”
Um grande pontapé na biografia
Tanto quero que se lixe o estruturalmente falecido Roland Barthes, como quero bem que nasçam cravos no nariz aos vigilantes politicamente correctos que não saem de cima, digamos assim, dos artistas selvagens a ver se ninguém os f-f-frui. Continue lendo “Um grande pontapé na biografia”
Sob o domínio da farsa
O horário eleitoral obrigatório de rádio e TV começa na próxima sexta-feira, abrindo a etapa decisiva de uma eleição em que a farsa domina. Candidaturas falsas, burla de leis e mentiras deslavadas quanto ao financiamento das campanhas são exemplos da dimensão do embuste. Continue lendo “Sob o domínio da farsa”
Nem sempre a novidade é avanço
No meio da correspondência, entre cartas, informes, contas e anúncios que encontro toda vez que vou olhar minha caixa de correspondência aqui no prédio, veio uma tripa de papel, de mais ou menos 30 cm x 10 cm, que por pouco não rasgo e jogo na lixeira, pensando que fosse apenas um anúncio de delivery de pizzas, o mais comum entre os que encontro na caixinha. Continue lendo “Nem sempre a novidade é avanço”
Mercadores de bondades
É como se fosse reprise de um filme. Em toda eleição os candidatos prometem mundos e fundos, esquivando-se de assumir compromissos com medidas antipáticas, ainda que necessárias, várias delas, obrigatórias.
Tom Hanks na São Silvestre de Luanda
Uma nota prévia. Quem me contou a lenda caluanda que subjaz a esta crónica foi o meu amigo Orlando C. Marques. Contou-a ele muito melhor do que eu a transformei em crónica. Por isso, advirto que o Triste resultado final só a mim me obriga.
Fogo nas urnas
Tornar-se presidente da República ou melar as eleições. A tática de Lula de jogar mais gasolina na crise sem precedentes que arde no país tem um aliado na outra extremidade. Tanto o dono do PT quanto Jair Bolsonaro não têm qualquer disposição de aceitar o resultado das urnas caso sejam preteridos. Continue lendo “Fogo nas urnas”




