“O realismo existe. É uma coisa.” É o que Harry Dean Stanton assevera – que é mais do que dizer – em Lucky, o mais belo filme do ano, garantem os meus olhos, coração e alma, se o velho Harry Dean não me convencesse de que a alma, ao contrário do realismo, não é uma coisa, logo não existe. Qual escola de Frankfurt, qual caneco, se posso também eu asseverar, este filme existe e é uma coisa. Continue lendo “Um branco par de cuecas”
A bolha petista estourou
Um em cada quatro brasileiros sobrevive abaixo da linha da pobreza, 13,4 milhões desse contingente de mais de 52 milhões na miséria absoluta. Os números da Síntese de Indicadores Sociais 2017 do IBGE são assustadores, situam o Brasil para lá do quinto mundo. E destroem o cerne do discurso petista: ao contrário do que propagam, a pobreza se agudizou. Continue lendo “A bolha petista estourou”
Dirceu, Gambetta e Lula
No meu tempo de colégio – é isso mesmo, leitor, e pode dizer: ”mas isso foi há muuuuito tempo” –, o ensino de História era levado a sério. Dizem que nós éramos obrigados a decorar datas e outros detalhes sem muita importância, do que discordo veementemente. As datas nos ajudavam a situar os personagens históricos em seu tempo, o que é muito útil, digam o que quiserem. Continue lendo “Dirceu, Gambetta e Lula”
Na prática a teoria é outra
“De tal maneira que, depois de feito, desencontrado eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distantes do meu peito é que há distância entre intenção e gesto.” O verso do poeta Chico Buarque no seu “Fado Tropical” serve para ilustrar o desencontro tucano no tocante à reforma previdenciária. Continue lendo “Na prática a teoria é outra”
Deambulação maniqueia: o visível e o invisível
Há o visível e há o invisível. Temo que se queixem de algum exagero conceptual nestas crónicas. Ora, eu prefiro ser rude e apontar com o dedo a ser acusado de conluio com qualquer dos falecidos filósofos franceses dos últimos anos. Com um dedo aponto para Greta Garbo, com outro para Marilyn Monroe. Continue lendo “Deambulação maniqueia: o visível e o invisível”
Juventude estraçalhada
Com 726.712 detentos, o Brasil é o terceiro país com mais presos no planeta. Em números absolutos só perde para os Estados Unidos, cuja população bate em 323 milhões, e para China e seus 1,6 bilhão de habitantes. Continue lendo “Juventude estraçalhada”
Vou contar uma história
Vocês conhecem instituições mais fortes no Brasil de hoje do que as célebres Redes Sociais e o terrível Politicamente Correto? Sem esquecer, naturalmente, do poder dos indigitados ‘selfies’… Continue lendo “Vou contar uma história”
Pedras no caminho
“Mongezinho, Mongezinho, tens um duro caminho”. As palavras que Martinho Lutero ouviu de um frei amigo quando da sua peregrinação para Worms caem como uma luva para o duro caminhar do governador Geraldo Alckmin para se tornar protagonista da sucessão presidencial. Continue lendo “Pedras no caminho”
Mas ontem no sofá
A cara era de trombalazanas. Charles Laughton se fosse cão seria um bulldog. Marlon Brando, se quis ser Don Corleone, teve de atafulhar as bochechas com algodão. Laughton tinha as bochechas cheias de Shakespeare e Old Vic. Era, como os actores que se amam a si mesmos, um actor difícil: amador, disse ele, profissionais são as putas. Continue lendo “Mas ontem no sofá”
Falta combinar com os russos
Sorte é parte da vida. Alguns tentam alcançá-la pela fé, muitos nunca chegam perto dela, uns a experimentam e outros a têm com fartura. Na política, o governador Geraldo Alckmin faz parte desse último time. Quase sempre está no lugar certo na hora certa. Continue lendo “Falta combinar com os russos”
Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa…
Não há como negar a vergonha que se abateu sobre os eleitores fluminenses, em especial os cariocas. É só verificar a lista dos presos recentes e ver os nomes que lá estão. Nós, cidadãos comuns, estamos aborrecidos e envergonhados. Continue lendo “Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa…”
A sereia e o mar
Desfeito o mistério da odisséia de Luciano Huck. Desde quinta-feira passada, quando o barômetro político Estadão-Ipsos apontou o apresentador com 60% de aprovação, o mundo político entrou em ebulição. Consolidava-se ali um possível candidato com potencial para romper a polarização Lula-Bolsonaro e liderar a tão sonhada, pelos brasileiros, renovação política. Continue lendo “A sereia e o mar”
Um rosto pré-Big-Bang
Olhem para a cara de pedra de Buster Keaton. Pode parecer uma cara irresoluta. Ou de uma inexpressiva perplexidade. Continue lendo “Um rosto pré-Big-Bang”
O povo não é bobo
No palanque, o ex Lula, travestido de alvo das elites, prega que o “povo não tem de pagar imposto de renda sobre salário”. Na outra ponta, o deputado Jair Bolsonaro promete que todos os brasileiros terão armas de fogo. Continue lendo “O povo não é bobo”
O condestável de Temer
Reza o folclore político que, ao passar a faixa presidencial para seu sucessor, Hermes da Fonseca teria dito a Venceslau Brás: “olha, Venceslau, Pinheiro Machado é tão bom amigo que governa pela gente”. O mesmo pode-se dizer de Rodrigo Maia. Ele está tão próximo de Michel Temer que governa pelo presidente. Nomeou o novo ministro das Cidades, definiu como será a repartição do butim da pasta entre o “Centrão ampliado” e vai fazer o presidente do BNDES. Ai do ministro que não cair em sua graça. É tombo certo. Continue lendo “O condestável de Temer”




