Os (des)caminhos do centro
Dando como favas contadas que Lula não estará na urna eletrônica, o campo democrático, situado entre os dois extremos que lideram as pesquisas, inicia a disputa presidencial atomizado em várias pré-candidaturas. O coro que não vê problema em muitas candidaturas foi engrossado por Rodrigo Maia, mais um a entrar na dança presidencial, e Geraldo Alckmin, até então árduo defensor de uma candidatura aglutinadora. Continue lendo “Os (des)caminhos do centro”
Por uns segundos a mais
Dane-se se o coligado é de esquerda, direita, liberal ou estatizante. Nesta fase, a pouco mais de nove meses da disputa eleitoral, vence quem captar aliados de grande porte e agregar o maior número de nanicos. A ordem é ampliar a base política e somar mais segundos na propaganda de rádio e TV dita gratuita, mas paga por todos os brasileiros. Continue lendo “Por uns segundos a mais”
A Valsa
Do caso Harvey Weinstein, o célebre produtor americano que há 20 anos convida atrizes para irem ao seu apartamento em bons hotéis discutir sobre os filmes que elas querem estrelar e que, lá chegando, consegue, ou pelo menos tenta, violentá-las, surgiram não sei quantas acusações de abusos, alguns medonhos. Continue lendo “A Valsa”
Já não se fazem liberais como antigamente
Figuras liberais marcaram a nossa história. Em um passado não muito distante, tivemos nomes como Roberto Campos, a maior expressão do liberalismo econômico no Brasil, ou Miguel Reale, o grande pensador do liberalismo social. Na política, liberais como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães foram condutores da transição democrática que culminou na Nova República. Continue lendo “Já não se fazem liberais como antigamente”
Ninguém manda nela
A última vaga reaccionária que anda a ver se acerta caneladas na liberdade artística chama-se “apropriação cultural”. Para os seus sicários, certos temas só podem ser tratados por artistas que deles tenham vivência identitária. Só cantaria o fado uma lisboeta branca, só pintaria os deuses indianos um pintor hindu, só um artista negro americano choraria o assassínio criminoso de outro negro por polícias brancos no Minnesota. Continue lendo “Ninguém manda nela”
Justiça às favas
Inconstitucional e impróprio, o pedido feito pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior de proteção das Forças Armadas diante das manifestações previstas para Porto Alegre no dia 24, quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) inicia o julgamento do recurso contra a condenação do ex Lula, empolgou o PT. Continue lendo “Justiça às favas”
Admirável mundo novo
Mais uma vez o Brasil é retardatário. Ainda estamos com os dois pés no século XX, tentando responder a uma agenda de reformas necessárias que há tempos deveria ter sido equacionada. A velha polarização esquerda-direita, um anacronismo reduzido à insignificância em países como a França e a Alemanha, ainda dá o tom na política brasileira. Continue lendo “Admirável mundo novo”
O indissolúvel ménage à trois
Imaginem que Clark Gable, com cósmica bebedeira, espetava o carro a cem metros de um motel manhoso, na companhia de um irresistível par de pernas e de um ilegítimo palminho de cara. O estúdio dele, a MGM do poderoso Louis B. Mayer, mandava-lhe logo um pronto-socorro, Eddie Mannix. Continue lendo “O indissolúvel ménage à trois”
Ano estranho, com jeito esquisito
Bom para muitos, ruim para alguns, mais ou menos para outros tantos. Com diferenças aqui e ali é assim que os anos terminam. Incorporando adjetivos menos usuais, o ano de 2017 acaba entre o estranho e o esquisito. Continue lendo “Ano estranho, com jeito esquisito”
Não foi nenhuma Brastemp, mas…
Para os pessimistas de plantão 2017 foi um ano para se esquecer e nada há para comemorar. Já os otimistas farão sua leitura cor de rosa, caracterizando-o como o ano em que o Brasil deu a volta por cima e saiu da recessão. Um e outro têm razão, ao menos parcialmente. Continue lendo “Não foi nenhuma Brastemp, mas…”
Para reacender a alma de Santo Agostinho
Parece que foi ele que matou ou mandou matar o Super-Homem. Já estou a falar de Eddie Mannix, que é a mesma coisa que agarrar um gato pelo rabo só para o assanhar. Continue lendo “Para reacender a alma de Santo Agostinho”
Onze homens e onze sentenças
Com ativismo e atividade intensas, a Corte Suprema do país encerrou 2017 superando a incrível marca de 200 mil casos julgados. Um recorde e tanto se não viesse acoplado a outro absolutamente alarmante: mais de 80% das decisões foram monocráticas, ou seja, com arbitragem de um único ministro. Algumas delas contraditórias, em flagrante desobediência a deliberações do pleno. Continue lendo “Onze homens e onze sentenças”
Foi como abrir a janela e deixar entrar o ar fresco da manhã
Quando leio, aqui e em bons jornais de outros países, que Lula acabou com a pobreza no Brasil, fico perplexa. Como assim, acabou? Deixou de ser pobre um país onde não há creches ou escolas para todos, nem saneamento básico ou água corrente em todos os municípios, ou atendimento hospitalar para seus cidadãos? Pode deixar de ser considerado pobre um país onde encontrar pessoas dormindo nas ruas nem chama mais a atenção? Continue lendo “Foi como abrir a janela e deixar entrar o ar fresco da manhã”
O que há em comum entre Lula e Bolsonaro
Na teoria, o ex-presidente Lula e o deputado Jair Messias Bolsonaro são antípodas. Um está no espectro ideológico da esquerda e outro no da direita. Na prática, a teoria é outra. Há muito mais em comum entre os dois candidatos à Presidência da República, que por ora são os mais bem situados nas pesquisas, do que pode imaginar a nossa vã filosofia. À sua maneira, ambos adotam um discurso sebastianista, vestindo eles mesmos a roupagem do salvador da pátria. Continue lendo “O que há em comum entre Lula e Bolsonaro”



