Heróico, viril e vil

Todo o passado é sincrético. Como sabem, John Gilbert é um actor do tempo de Homero, Greta Garbo, Ben-Hur ou não fosse o cinema uma invenção mediterrânica. Um dos criadores desse cinema da antiguidade clássica foi Louis B. Mayer. Judeu, claro. Como Aquiles, era heróico, viril e vil. De poderoso soco. Basta vê-lo, à porta do Alexandria Hotel, aos murros a Charlie Chaplin. Foi em Los Angeles: na minha antiguidade clássica já havia América e hotéis de cinco estrelas. Continue lendo “Heróico, viril e vil”

Nomes demais, idéias de menos

Instituições em frangalhos – e não adianta achar que garante o contrário o fato de elas estarem funcionando como se normalidade existisse -, economia ainda engasgada e atividade política em descrédito absoluto. Saídas para esse tripé agonizante deveriam concentrar o debate nacional, quanto mais a cinco meses das eleições. Mas estão longe de frequentá-lo. Continue lendo “Nomes demais, idéias de menos”

Prerrogativas seletivas

Leonardo Boff, ao apelar para que lhe fosse permitido visitar o ex-presidente Lula, declarou: “Eu que sou velho amigo de Lula vim em uma missão espiritual. Como uma lei divina pode ser negada por uma juíza terrena?”. Modesto o ex-frade, não é? Sua missão espiritual seria uma lei divina? Continue lendo “Prerrogativas seletivas”

Candidatura sitiada

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin saiu das eleições municipais em 2016 com enorme cacife eleitoral, tendo à frente uma larga avenida para construir sua pretensão presidencial. Está confinado, agora, em um círculo de giz, não ultrapassando a casa de 8% nas pesquisas, como revelou o Datafolha. Pior: está estagnado nesse patamar há meses e vê concorrentes avançarem em redutos nos quais o PSDB sempre foi bem votado. Continue lendo “Candidatura sitiada”

Mania conspiratória

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Perguntas que gostaria de ver respondidas

1) A TV Justiça ajuda ou prejudica o Brasil? É verdade que com a transmissão das sessões plenárias ficamos conhecendo como pensam e como votam os juízes da Suprema Corte. Mas de que nos vale esse conhecimento? A meu ver, não nos ajuda em nada. Pior, a câmara de TV despertou o talento artístico de quase todos os ministros. Há alguns que só falam para a platéia. Hollywood não sabe o que está perdendo… Continue lendo “Perguntas que gostaria de ver respondidas”

Lula conduz o PT ao matadouro

A sorte do Partido dos Trabalhadores sempre esteve atrelada a Lula. Estabeleceu-se entre os dois uma relação de dependência, em que, erigido a semideus, o caudilho pensava e decidia por todos. Se no passado a lulo-dependência deu bons frutos, agora pode levar o PT ao isolamento político e eleitoral se for para valer a decisão de sua executiva de Lula ser o candidato “em qualquer circunstância”. Continue lendo “Lula conduz o PT ao matadouro”

A bomba atómica

Talvez explodisse a uma fulgurantíssima terça-feira. Ou a um domingo, apanhando a família a comer caranguejos, na casinha colonial que tínhamos em pleno musseque Sambizanga. Estava para explodir a bomba atómica que apagaria da face da terra a afrodisíaca insatisfação da humanidade. Continue lendo “A bomba atómica”

Nas mãos deles, de novo

Mais uma vez – e não têm sido poucas – o destino imediato e futuro do país estará nas mãos do Supremo Tribunal Federal, ao qual tem cabido distribuir, recolher e validar as cartas no Brasil de hoje. Não raro sacando coringas escondidos nas mangas, e nem sempre preservando a Constituição que deveria proteger. Continue lendo “Nas mãos deles, de novo”

Deus já foi um Eusébio cósmico

Tenho uma saudade estrábica da missa de sábado às sete da tarde. Toda a gente sabe que a saudade tem problemas oftalmológicos, mas quem é que ainda sabe o que era a missa de sábado, que já valia como missa dominical, abrindo-me as portas a um domingo inteiro de praia, colonial e tropical, na Ilha de Luanda, ou nos mangais do km 36, antes do Miradouro da Lua? Continue lendo “Deus já foi um Eusébio cósmico”

O paciente

Julgar se algo pode ser julgado para depois julgar o adiamento do julgamento, e acabar por julgar em favor do réu sem julgar o mérito daquilo que julgaram que deveria ser julgado. Definitivamente não dá mais para esconder: a Suprema Corte perdeu o juízo. Continue lendo “O paciente”

Ganhando tempo

O coelhinho da Páscoa é muito amigo do paciente Lula. Não sei em que moita ele escondeu os ovinhos de chocolate do ex-presidente, se foi num cantinho do terraço do apartamento em São Bernardo, ou se foi nos jardins do sítio em Atibaia. Mas que os ovinhos foram entregues, foram. Ou há outra explicação para esse auriverde habeas corpus preventivo? Continue lendo “Ganhando tempo”