Não esqueço nunca o dia em que ouvi, pela primeira vez, o magistral “Vai Passar” de Chico Buarque. O ano: 1984. O Brasil nas mãos do último general-presidente, João Batista de Figueiredo. A emoção que a música despertou em mim foi imensa. Chorei muito. E sonhei muito. Continue lendo “De novo o sanatório geral”
Não é só o auxílio emergencial
Até meados de junho havia um sentimento generalizado de que o governo Bolsonaro marchava para uma crise terminal. Seu péssimo desempenho diante da pandemia, as demissões dos ministros Luiz Henrique Mandetta e Sérgio Moro, os conflitos com os outros dois poderes, a participação em atos antidemocráticos e a queda nas pesquisas davam a impressão de que o presidente estava à beira de um nocaute e o impeachment era apenas uma questão de tempo. Continue lendo “Não é só o auxílio emergencial”
Vergonha amazõnica
Defender-se acusando os críticos por danos idênticos ou piores dos que os seus é arma costumeira de quem não tem explicação para erros deliberados e escandalosos. Na política, o “todo mundo faz” é usual para amenizar delitos como caixa 2 ou a tal da “rachadinha”, apelido que ameniza a apropriação indébita de dinheiro público. Age-se como se o passado abonasse o crime presente e futuro. Continue lendo “Vergonha amazõnica”
Hiroshima paira sobre nós
A morte caiu do céu sobre Hiroshima, às 8h45 de 6 de agosto de 1945. Do ventre do Enola Gay, um bombardeiro B-29, saiu o primeiro artefato nuclear usado em uma guerra. A bomba atômica tinha um nome inofensivo, Little Boy, mas era terrivelmente mortífera. Cento e quarenta mil pessoas perderam suas vidas em Hiroshima. Outras 70 mil morreriam dias depois, quando a segunda bomba estourou em Nagasaki. Mais 130 mil morreriam até 1950 em consequência da radiação. Continue lendo “Hiroshima paira sobre nós”
Bicho-do-mofo
Seis meses depois de assumir a Presidência, Jair Bolsonaro desdisse o que pregara durante a campanha: disputaria o cargo novamente. Não é surpresa, portanto, vê-lo nos palanques, chapéu de couro em lombo de cavalo, inaugurando obras já inauguradas por antecessores. Mais complexa é a equação de sobrevivência que o levou a jogar no lixo, deliberadamente, um dos seus maiores trunfos eleitorais – a promessa de combate inflexível à corrupção. Continue lendo “Bicho-do-mofo”
Notícias do Arco da Velha
Passamos por um período horroroso, cruel, que nos faz sofrer muito. Difícil escapar da angústia, da tristeza. Dá vontade de não ler os jornais, queremos nos proteger de tanta dor. Mas fica na vontade, pois é impossível deixar de acompanhar o noticiário. Continue lendo “Notícias do Arco da Velha”
De Ulysses a Maia
Desde os tempos de Ulysses Guimarães a Câmara de Deputados não tinha uma liderança que simbolizasse tanto a autonomia e a independência do Poder Legislativo como Rodrigo Maia. Paralelos entre o Senhor Diretas e o atual presidente da Câmara são perigosos porque são personalidades diferentes em contextos históricos totalmente distintos. Mas, como o saudoso Ulysses, Maia tem a habilidade, o gosto e o traquejo da grande política. Sabe como poucos movimentar suas peças e desnortear quem se opõe a seus planos. Continue lendo “De Ulysses a Maia”
Com o chapéu alheio
A semana começa com a expectativa de que o Senado ratifique o novo Fundeb, tecido, negociado e aprovado pela Câmara dos Deputados a partir de consensos com educadores e gestores estaduais e municipais. Essencial para o financiamento do ensino básico, o Fundo foi tratado com absoluto descaso pelo Executivo, mas isso não impediu que o presidente Jair Bolsonaro se vangloriasse: “o governo conseguiu mais uma vitória”. Coroou-se com louros aos quais não faz jus. Continue lendo “Com o chapéu alheio”
A Casa da Mãe Joana
Sempre ouvi falar na Casa da Mãe Joana, mas foi só agora, durante esta tenebrosa pandemia, que fiquei sabendo seu endereço. Pois não é que ela fica no Brasil? Ou, para explicar melhor, não é que a Casa da Mãe Joana é o Brasil? Continue lendo “A Casa da Mãe Joana”
Fundeb: todos saem ganhando
Pela via do acordo entre governo e Parlamento, a Educação respira aliviada após a aprovação do texto base da PEC do novo Fundeb. É uma vitória significativa com impacto positivo no ensino básico. Basta citar que o valor mínimo investido por aluno por ano irá saltar de R$ 3.700,00 para R$ 5.700,00 O texto aprovado preserva, no essencial, o parecer original da relatora da Emenda Constitucional, deputada Dorinha Rezende (DEM). Continue lendo “Fundeb: todos saem ganhando”
Proposta indecente
Não é palatável, deglutível, muito menos justo. Mas a pandemia desdenhada pelo presidente Jair Bolsonaro, que escancarou sua desumanidade diante do flagelo de milhares de brasileiros (sua incapacidade de governar há muito já se tornara ferida exposta) pode, ironicamente, salvá-lo. Continue lendo “Proposta indecente”
É possível conciliar fundamentalismo religioso e educação moderna?
Com a posse de Milton Ribeiro, o primeiro grande desafio do novo ministro da Educação será reverter o ceticismo quanto à possibilidade da pasta voltar a ter um papel protagonista, após um ano e meio de omissão em questões vitais para o ensino público. Os descalabros das gestões Ricardo Velez e Abraham Weintraub, o episódio burlesco da indicação de Carlos Alberto Decotelli e a fritura de Renato Feder levaram a Educação ao portal do inferno de Dante: “abandonai todas as esperanças, oh vós que entrais”. Continue lendo “É possível conciliar fundamentalismo religioso e educação moderna?”
Aprender a ler
Ler não é apenas saber unir fonemas. O mais importante é compreender o que se está lendo. Alfabetizar é saber interpretar o que se lê. E é isso de que a escola brasileira mais necessita: ensinar o alfabetizando a saber interpretar, compreender o que está lendo. Continue lendo “Aprender a ler”
A questão militar contemporânea
Os militares voltam a ter visibilidade e protagonismo na vida política nacional, depois de 35 anos dedicados exclusivamente às suas funções profissionais e constitucionais. Hoje já são quase 3 mil ocupando cargos no governo Jair Bolsonaro, sem contar os da reserva ou o grupo palaciano de generais em postos estratégicos. Continue lendo “A questão militar contemporânea”
Diplomacia em cacos
O reiterado descaso do presidente Jair Bolsonaro pela pandemia que já tirou a vida de mais de 70 mil brasileiros tem um rival quase imbatível: o desempenho do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, na dupla tarefa de desacreditar o vírus e o Brasil. Continue lendo “Diplomacia em cacos”
