Caia na real, presidente!

Pela segunda vez o presidente desperdiçou uma oportunidade de ouro para retirar o Brasil da condição de pária no cenário internacional, ao discursar na abertura da Assembleia da ONU. Se no ano passado Jair Bolsonaro proferiu suas palavras com faca nos dentes e sangue nos olhos, este ano adotou um tom alguns decibéis mais abaixo. Continue lendo “Caia na real, presidente!”

Covardia

Quem poderia dizer que o adjetivo covarde definiria o presidente Jair Bolsonaro, aquele que sempre posou de machão. Nos palanques ele desdenha dos mais de 135 mil mortos pela Covid-19 e dos brasileiros que seguem as regras sanitárias – “ficar em casa é conversinha mole para fracos”. É o atleta que desafiou a pandemia, o valentão que não tem papas na língua. Mas no Planalto é um presidente relutante e medroso, atormentado por invencionices conspiratórias, sem qualquer preparo ou gosto pela governança, para a qual ele e o seu time são os maiores impedimentos. Continue lendo “Covardia”

Ventos ruins e sopros de esperança

Uma década depois da instituição do Dia Mundial da Democracia, 15 de setembro de 2010, o mundo está submerso em uma recessão democrática, que pode se aprofundar nestes tempos de pandemia, como alertou manifesto assinado por 160 intelectuais da América Latina e ex-presidentes, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, Tabaré Vázquez, José Mujica e Mauricio Macri. O marco temporal do recuo da democracia é 2006, quando aumentou o número de países de índole autoritária e de democracias de baixa qualidade. Continue lendo “Ventos ruins e sopros de esperança”

Os zumbis

O calendário gregoriano garante: estamos em 2020. Somos sobreviventes (ainda) de uma pandemia avassaladora que infectou quase 30 milhões de pessoas no mundo, matou 911 mil, 130 mil delas no Brasil. Mas os protagonistas políticos tropicais – e outra meia dúzia de neopopulistas resistentes – teimam em ressuscitar pragas do século passado e de antes disso. De um lado e de outro, nos extremos de direta e esquerda. Continue lendo “Os zumbis”

Ao Deus dará

Dois meses depois da posse do ministro Milton Ribeiro, pouca coisa mudou. É verdade que a retirada de Abraham Weintraub da sala tornou o ar mais respirável.  Nem por isso a Educação deixou de padecer da ausência de uma liderança capaz de criar um amplo consenso nacional em torno da prioridade que a ela deve ser dada. Em especial nestes tempos de pandemia. Continue lendo “Ao Deus dará”

Livres e soltos

Corrupção não é invenção nacional. Mas o Brasil, mesmo tendo avançado na condenação de poderosos, mantém a patente da couraça para políticos e endinheirados. A blindagem legal afrouxa ou prorroga processos até a sua prescrição, reduz penas e os tira da cadeia com celeridade. Inclusive aqueles prontos a reincidir no delito. Continue lendo “Livres e soltos”

Sinal amarelo para Biden

A candidatura de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos entrou em zona de turbulência, depois de voar em céu de brigadeiro desde sua vitória nas primárias. O candidato democrata se beneficiava da condução desastrosa de Donald Trump no combate à pandemia, bem como do seu impacto na economia. Continue lendo “Sinal amarelo para Biden”

Em nome do pai

Por exercer mandato cruzado ou continuado, o filho do presidente Jair Bolsonaro deveria gozar de foro privilegiado ininterrupto. A tese esdrúxula até seria cabível se tivesse origem em um arrazoado do advogado Rodrigo Roca, que assumiu a defesa do senador Flávio Bolsonaro no lugar do enrolado Frederick Wassef. Mas não. Foi formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) – ensaiadinhos. Continue lendo “Em nome do pai”

Covardia

Quando o ex-capitão diz a um jornalista que está com vontade de lhe dar umas porradas na boca, ele está sendo, sem sombra de dúvida, um grande covarde, pois sabe que o profissional da Imprensa não vai poder reagir contra o presidente da República. Continue lendo “Covardia”

A guerra perdida de Guedes

O ministro Paulo Guedes deve estar curtindo uma ressaca brava, daquelas que deixam a boca com gosto de cabo de guarda-chuva e o estômago embrulhado. O que era para ser seu grande momento de brilho nestes tempos de pandemia – o anúncio de um novo pacote econômico com a instituição do Renda Brasil, a definição do novo marco regulatório das privatizações e a continuidade do auxílio emergencial – tornou-se a comprovação de que o Posto Ipiranga já não conta com o mesmo prestígio perante o presidente. Continue lendo “A guerra perdida de Guedes”

Brasil, país infeliz

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019 aponta que quatro meninas de até 13 anos são estupradas no país a cada hora. Um levantamento feito pela BBC News Brasil, com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde, revela que o país registra uma média anual de 26 mil partos de mães com idades entre 10 a 14 anos. Ainda segundo o levantamento, o país registra ao menos seis abortos por dia em meninas de 10 a 14 anos, em média.

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A guilhotina do cancelamento

Devemos ao iluminismo do século 18 o direito ao dissenso e ao livre pensamento. Antes, as divergências de idéias eram resolvidas pela via da eliminação física. Basta lembrar os tempos da Santa Inquisição em que os hereges iam para a fogueira. Ou que em 1616 Galileu Galilei, cientista, físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, entrou para o index da Congregação do Santo Ofício e foi ameaçado de pena de morte ao comprovar e defender a teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico, segundo a qual a Terra e os planetas giravam em torno do sol. Teve de se desdizer publicamente, mas não deixou de estar certo. Continue lendo “A guilhotina do cancelamento”

Não é o apocalipse

Com aflição semelhante à dos que há três meses decretaram o enterro antecipado do governo Jair Bolsonaro, muitos passaram a considerar inevitável a reeleição do presidente diante dos resultados da pesquisa Datafolha. Faltando longos 25 meses para o pleito, os de agora, tal como os de lá, exageram na miragem apocalíptica. Continue lendo “Não é o apocalipse”