Três balas e uma laranja

Enter­re­mos hoje os nos­sos sonhos como ontem Michael Cor­le­one enter­rou os dele. Foi no pri­meiro, o mais per­feito The God­father. Don Vito Cor­le­one já fora bale­ado antes. Ouvira-se o baru­lho seco dos tiros e o Padri­nho dan­çara hesi­tante, um pé a fugir ao outro, o vulto patri­ar­cal a tom­bar sobre uma banca da fruta e legu­mes. Duas, tal­vez três balas no corpo, e uma laranja a rolar no can­sado alcatrão. Continue lendo “Três balas e uma laranja”

Alegria sem graça

Estava muito alegre ao abrir o jornal ontem e ver aquela série de fotos de todos os condenados pelo STF, com os crimes cometidos por eles bem explicados ao lado, quando então fui tomada por um sentimento de tristeza e desânimo acentuado. Continue lendo “Alegria sem graça”

Começa sem mim

Nenhuma janela é indis­creta. Há jane­las em todos os fil­mes de Hit­ch­cock, mas foi na janela das tra­sei­ras que ele fil­mou a sua melhor obra. A janela das tra­sei­ras dá para as tra­sei­ras do mundo e é pelas tra­sei­ras que o mundo se deixa filmar. Continue lendo “Começa sem mim”

O novíssimo truque de Lula

Não se deve levar a sério o que Lula diz. Fala pelos cotovelos, não raro pelos calcanhares, a exemplo da exortação para que militantes arrancassem materiais de adversários das ruas de São Bernardo. E não tem qualquer apreço pela coerência entre o que disse ontem, o que diz hoje e o que dirá amanhã. Muito menos pela verdade. Continue lendo “O novíssimo truque de Lula”

O fim do mundo

O fim do mundo, sim. O começo do mundo, o big bang ou outra hipó­tese mais mítica, pouco me inte­res­sam. Mesmo a ideia de um paraíso cheio de maçãs, uma nudez sem his­tó­ria nem pecado, e uma ser­pente a insinuar-se em con­ver­sas melo­sas, não me farão levan­tar o rabo da cadeira. Continue lendo “O fim do mundo”