Dalí era virgem

Com excepção da mão que num sonho se lhe enxameou de formigas, Salvador Dalí era virgem. Já o ateu Luis Buñuel, que num sonho desatou a cortar olhos humanos com uma lâmina, nem dos dedos do pé era casto, como bem se vê em L’Age d’Or. Continue lendo “Dalí era virgem”

Saudades do triplex

Quando os 78 executivos da Odebrecht — incluindo Emílio, dono da empreiteira, e seu filho Marcelo – fecharam acordo de delação com a Lava-Jato, acreditava-se no fim do mundo. Tratava-se do desbaratamento de um sistema organizado e sólido de corrupção em obras públicas — moldado no Brasil e com braços e pernas em outros 12 países – que existia há décadas, mas que se vitaminou e ganhou músculos nos governos petistas. Continue lendo “Saudades do triplex”

O dique do Rio Sena

A onda nacional-populista que ameaçava se espraiar pelo velho continente com a força de um tsunami encontrou seu dique de contenção às margens do Rio Sena. A vitória consagradora de Emmanuel Macron afasta, por pelo menos cinco anos, o fantasma de o extremismo xenófobo e racista levar a Europa a ingressar nas trevas de uma nova idade média. Continue lendo “O dique do Rio Sena”

Esqueçam o que defendi

No início dos anos 80 nascia no ABC paulista o chamado sindicalismo combativo, tendo como bandeiras a modernização das relações de trabalho por meio de livres negociações entre patrões e trabalhadores e o fim da unicidade sindical – apenas um sindicato por categoria em uma mesma base territorial – com a consequente adesão do país à Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho, consagradora do princípio do pluralismo sindical. Continue lendo “Esqueçam o que defendi”

A starlet

Gosto de starlets. Negá-las, seria negar a minha adolescência. E o cinema precisou tanto delas. O que seria de Botticelli sem Vénus, essa starlet do Olimpo? Peço desculpa aos mais fundamentalíssimos cinéfilos, mas de vez em quando faz-me falta um fim-de-semana com Elke Sommer.

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As veias abertas da social-democracia

As urnas francesas deixaram expostas as vísceras da social-democracia européia, mergulhada na sua maior crise pós Segunda Guerra Mundial. Por mais de 60 anos, os social-democratas foram hegemônicos no seio da velha classe operária e erigiram-se em poder graças à idéia-força do binômio igualdade-liberdade. Agora, estão sendo desidratados à direita e à esquerda. Continue lendo “As veias abertas da social-democracia”

In vino veritas

Dois dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva experimentou um prazer raro: bebeu um Romanée-Conti 1997, um dos vinhos mais caros do mundo, presente do marqueteiro Duda Mendonça. Um mimo como tantos outros que Lula já aceitara – e continuou aceitando depois de eleito -, provavelmente custeado pela propina que irrigou o caixa dois de sua campanha. Continue lendo “In vino veritas”

Lula, o lobista da Odebrecht

Com um sorriso matreiro, Emilio, pai do Marcelo, a dupla baiana proprietária da megaempresa Odebrecht, relata, sempre com leveza, como se estivesse relatando um fait-divers banal, de que modo a direção da empresa bolou a atuação do Lula de uma maneira que favorecesse o ex-presidente e ao mesmo tempo a empresa. Continue lendo “Lula, o lobista da Odebrecht”

Não precisamos de nova Constituição

A convocação de uma Constituinte não é ideia nova, mas ganhou força nesta semana em que a lama recolhida pela Lava-Jato esparramou e subiu acima da linha do pescoço de políticos de todos os matizes. Virou a panacéia da vez. Como se a questão de fundo fosse a lei, e não o desrespeito a ela. Continue lendo “Não precisamos de nova Constituição”