Já faz algum tempo que parece claro para as pessoas com alguma informação e lucidez que o Brasil está mergulhado na mais profunda crise econômica, política e moral da sua história. Tem me impressionando, no entanto, que a imprensa está igualmente chafurdando num fundo de poço inimaginável. Continue lendo “Mais perdida que cego em tiroteio”
Você tem um estadista no bolso do colete?
O que um bando de malfeitores petistas fez com a jornalista Miriam Leitão a bordo de um avião da Avianca no dia 3 de junho, num vôo Brasília/Rio, pode vir a ser um favor ao Brasil. Continue lendo “Você tem um estadista no bolso do colete?”
A Era do Centro
Se a Era dos Extremos, com suas catástrofes, crises econômicas, guerras, revoluções e polarização ideológica, teve como marco temporal a Sarajevo de 1914 e de 1991, é bem possível que a larga maioria conquistada por Emmanuel Macron nas eleições para a Assembléia Nacional Francesa venha a ser entendida, no futuro, como o limiar da Era do Centro. Continue lendo “A Era do Centro”
As ancas de John Wayne
Era mais fácil falar das pernas de Angie Dickinson, mas vou obrigar-me a só olhar para o cinturão, coldre e colt de John Wayne. Sei do que falo, xerife foi a primeira coisa que fui na vida, revólver à cintura, uma longa cana de mamoeiro a fazer de Winchester. Também fui índio e bandido, mas xerife era a minha devoção, meio John Wayne, meio Buck Jones, insofismável semi atestado da minha caretice infantil. Continue lendo “As ancas de John Wayne”
Belíssima Carly
Em 2005, o ano em que fez 60 anos, linda, forte, poderosa, após vencer um câncer, Carly Simon resolveu dar um tempo como compositora e fazer um disco só de covers, de canções dos outros. Gravou então Moonlight Serenade – como o nome indica, uma coletânea de clássicos, de standards da Grande Música Americana. Continue lendo “Belíssima Carly”
O Brasil é maior que esse buraco
Tenho me sentido quase solitário. Sei que pertenço a um grupo absolutamente minoritário de brasileiros – o grupo que não acha que tirar Michel Temer da Presidência é a tarefa, a necessidade mais urgente do país. Continue lendo “O Brasil é maior que esse buraco”
E a guerra continua
O resultado não surpreendeu. Já era previsto, conhecido, cravado nos jornais pelo menos um dia antes de o TSE derrotar, por 4 a 3, o pedido de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, reeleita em 2014. Também não causou estranheza a guerra que a votação alimentou, por vezes beirando a baixaria. Um espetáculo maniqueísta que há tempos constrange, inibe e empobrece o debate político. Continue lendo “E a guerra continua”
Vaidade é a areia movediça da razão (George Sand)
Numa entrevista para a BBC Brasil, o cientista político francês Olivier Dabène, diretor do Observatório Político da América Latina e Caribe (Opalc), da Universidade Sciences Po de Paris, que já lecionou na Universidade de Brasília, declarou que, comparado ao Brasil, o mundo é amador em corrupção. Continue lendo “Vaidade é a areia movediça da razão (George Sand)”
Entre a prudência e o medo
Na sua origem, o PSDB foi um partido afirmativo no campo programático e zeloso de atitudes éticas. Com um ano de vida, seu então candidato a presidente da República, Mario Covas, teve a coragem de mostrar a cara e propor um choque de capitalismo, para arejar o país de economia cartorial e de um estado capturado por interesses privados e corporativos. Três anos depois, o mesmo Covas liderou os tucanos na recusa de ingressar no governo Collor de Mello. Em vez das benesses do poder, optou pelo pulsar das ruas. Continue lendo “Entre a prudência e o medo”
Os vestidos de Caravaggio
Há um Salgueiro Maia na vida de Marilyn. Como tanques de Abril a deslizar no Terreiro do Paço, levantou-se um sopro revolucionário quando Marilyn trouxe a uma festa o mesmo vestido lamé dourado que usara numa cena de Gentlemen Prefer Blondes. Continue lendo “Os vestidos de Caravaggio”
Diretas-já merecem respeito
Por ignorância, esperteza ou má-fé, tem-se atribuído à eleição direta para presidente o status de elixir infalível, capaz de purgar todos os males que se abateram sobre o país. E, em um lastimável arremedo da História, acrescenta-se a ela o advérbio já, o mesmo usado em 1983-84, quando o Brasil lutava para emergir de duas décadas de ditadura. Continue lendo “Diretas-já merecem respeito”
De espanto em espanto, aos solavancos, lá vai o Brasil…
O novo Ministro da Justiça, Torquato Jardim, o terceiro em 12 meses, afirma que o Brasil é institucional, não é caudilhesco, nem personalista e que, portanto, não depende de pessoas. Que bom seria se Jardim tivesse razão… Mas o simples fato de ele ser o terceiro nome a comandar a pasta da Justiça em tão pouco tempo já o desmente. Se não dependesse da pessoa que ocupa a pasta, por que trocá-la em tão pouco tempo? Continue lendo “De espanto em espanto, aos solavancos, lá vai o Brasil…”
Por que essa Cruzada das Organizações Globo?
Por diversos motivos, o principal deles o fato de ser a absoluta líder de audiência no país, a Rede Globo é odiada por muita gente, e não é de hoje.
Há quem veja nela “a inimiga número 1 do Brasil”. Continue lendo “Por que essa Cruzada das Organizações Globo?”
A glamourização da barbárie
Por quase quatro horas Brasília esteve em chamas.
A batalha campal da última quarta-feira foi protagonizada por manifestantes, muitos deles mascarados, durante o protesto organizado por centrais sindicais e movimentos de esquerda contra as reformas que tramitam no Congresso Nacional, pela saída do presidente Michel Temer e por eleições diretas. Oito Ministérios foram depredados, dois incendiados e 49 pessoas feridas. Continue lendo “A glamourização da barbárie”
Molhada era uma star
Há o grito de alma. Charlie Chaplin, perdoemos-lhe o populismo, gritou assim, da sua milionária torre de marfim: “Se há uma coisa que sou e só uma coisa, é um palhaço. O que me põe num plano bem mais elevado do que qualquer político.” Ora, proclamações destas acabam em caldos requentados e sujos e se havia uma coisa de que Chaplin gostava era de bouillabaisse rica, com lagosta. Sei do que falo: provei-a no Tetou, em cima da baía de Golfe-Juan, onde ele já a comera regalado, gosto que deixou lavrado no livro de honra do restaurante. Não há melhor no mundo. Continue lendo “Molhada era uma star”




