Brasil, país infeliz

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019 aponta que quatro meninas de até 13 anos são estupradas no país a cada hora. Um levantamento feito pela BBC News Brasil, com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde, revela que o país registra uma média anual de 26 mil partos de mães com idades entre 10 a 14 anos. Ainda segundo o levantamento, o país registra ao menos seis abortos por dia em meninas de 10 a 14 anos, em média.

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Chilreando!

Hoje acordei decidida a não me deixar aborrecer!

Olhei pela janela, vi um sol escondendo sua timidez atrás das nuvens e pensei: pelo menos está melhor que ontem e anteontem. A chuva destes dois dias não deixou que ele esboçasse sequer um sorriso amarelo. Continue lendo “Chilreando!”

A guilhotina do cancelamento

Devemos ao iluminismo do século 18 o direito ao dissenso e ao livre pensamento. Antes, as divergências de idéias eram resolvidas pela via da eliminação física. Basta lembrar os tempos da Santa Inquisição em que os hereges iam para a fogueira. Ou que em 1616 Galileu Galilei, cientista, físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, entrou para o index da Congregação do Santo Ofício e foi ameaçado de pena de morte ao comprovar e defender a teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico, segundo a qual a Terra e os planetas giravam em torno do sol. Teve de se desdizer publicamente, mas não deixou de estar certo. Continue lendo “A guilhotina do cancelamento”

Laerte Fernandes

Educado. Simpático. Sempre sorridente. Prestativo. Discreto. Um gentleman. Um excelente caráter. É impressionante como os mesmos conceitos foram sendo usados nas últimas horas pelas pessoas que conviveram com Laerte Fernandes, ao saberem de sua morte. Continue lendo “Laerte Fernandes”

Marina e a arte de criar histórias

É absolutamente fascinante acompanhar o jeito com que Marina cria as histórias para as nossas brincadeiras – assim como é absolutamente fascinante ver que ela brinca com a gente de maneira remota, via tela, do mesmo jeito de antes da pandemia, nós três juntos, lado a lado. Continue lendo “Marina e a arte de criar histórias”

Não é o apocalipse

Com aflição semelhante à dos que há três meses decretaram o enterro antecipado do governo Jair Bolsonaro, muitos passaram a considerar inevitável a reeleição do presidente diante dos resultados da pesquisa Datafolha. Faltando longos 25 meses para o pleito, os de agora, tal como os de lá, exageram na miragem apocalíptica. Continue lendo “Não é o apocalipse”

De novo o sanatório geral

Não esqueço nunca o dia em que ouvi, pela primeira vez, o magistral “Vai Passar” de Chico Buarque. O ano: 1984. O Brasil nas mãos do último general-presidente, João Batista de Figueiredo. A emoção que a música despertou em mim foi imensa. Chorei muito. E sonhei muito. Continue lendo “De novo o sanatório geral”

Fetiche?

Dá pra chamar de fetiche uma fixação que a pessoa tem, mesmo que não seja de cunho sexual?

Porque eu acho que o que Fabrício Queiroz tem é uma espécie de fetiche. Continue lendo “Fetiche?”

Não é só o auxílio emergencial

Até meados de junho havia um sentimento generalizado de que o governo Bolsonaro marchava para uma crise terminal. Seu péssimo desempenho diante da pandemia, as demissões dos ministros Luiz Henrique Mandetta e Sérgio Moro, os conflitos com os outros dois poderes, a participação em atos antidemocráticos e a queda nas pesquisas davam a impressão de que o presidente estava à beira de um nocaute e o impeachment era apenas uma questão de tempo. Continue lendo “Não é só o auxílio emergencial”

O Capitão da Morte

No dia em que o Brasil chegou oficialmente a 100 mil mortos pela pandemia de Covid-19, os presidentes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal declararam luto oficial. Jair Bolsonaro, o presidente do outro poder, o Executivo, divulgou uma mensagem de parabéns ao Palmeiras pela conquista do Campeonato Paulista de futebol. Continue lendo “O Capitão da Morte”

Vergonha amazõnica

Defender-se acusando os críticos por danos idênticos ou piores dos que os seus é arma costumeira de quem não tem explicação para erros deliberados e escandalosos. Na política, o “todo mundo faz” é usual para amenizar delitos como caixa 2 ou a tal da “rachadinha”, apelido que ameniza a apropriação indébita de dinheiro público. Age-se como se o passado abonasse o crime presente e futuro. Continue lendo “Vergonha amazõnica”

Hiroshima paira sobre nós

A morte caiu do céu sobre Hiroshima, às 8h45 de 6 de agosto de 1945. Do ventre do Enola Gay, um bombardeiro B-29, saiu o primeiro artefato nuclear usado em uma guerra. A bomba atômica tinha um nome inofensivo, Little Boy, mas era terrivelmente mortífera. Cento e quarenta mil pessoas perderam suas vidas em Hiroshima. Outras 70 mil morreriam dias depois, quando a segunda bomba estourou em Nagasaki. Mais 130 mil morreriam até 1950 em consequência da radiação. Continue lendo “Hiroshima paira sobre nós”