Ratos

Os ratos estão sempre em atividade. Tanto os de quatro quanto os de duas pernas. Esses de duas estão deitando e rolando sobre a calamidade que pôs cerca de 90% do território do Rio Grande do Sul embaixo d’água. A atividade deles consiste em espalhar nas redes sociais que só eles prestam e os governos não servem para nada, só para atrapalhar. 

As megaempresas proprietárias das redes parecem estar gostando muito disso, pois até agora não vieram a público nem para dizer quantos ratos foram pegos e cancelados nas suas redes. Só dizem que estão atentas para, a qualquer momento, tomar providências. 

Putz, pelo visto vão esperar a enchente passar e continuar atentas. Não para pegar ratos, mas atentas ao faturamento que os ratos proporcionam. Se diminuir, cancelam. Se aumentar, se calam. 

Leio em comentários indignados dos leitores da Zero Hora e GZH que os governos estadual e municipal vêm se empenhando há décadas em sucatear órgãos públicos vitais para o enfrentamento de riscos ambientais e climáticos. Isto se deu em sete mandatos estaduais de direita e centro-direita desde 1995, e em três mandatos municipais no mesmo período. Os prefeitos de esquerda enfileiraram seis mandatos desde 1986, enquanto os governadores de esquerda foram dois (ambos PT). O que significa que não tiveram força ou competência para mudar o rumo das coisas. 

Os 10 mandatos de direita e centro-direita nos dois níveis rezaram pela cartilha do estado mínimo, que vem a ser o estado irresponsável — aquele que, reduzido a zero, não tem nada a ver com o que se passa ao seu redor. Enchente? O problema é do povo que foi construir suas casas nas várzeas dos rios. Alagamentos? O problema é do povo que entope os bueiros das ruas com seu lixo. E por aí vai o besteirol sem fim, que tem por objetivo fugir das causas dos problemas, negar responsabilidade e atribuir as desgraças a terceiros. 

 Como os governos de direita, por definição, não têm nada a ver com isso e aquilo, instala-se o caos. E isto é o que a direita quer, para na hora extrema chamar o Exército para o golpe e sua eternização no poder. 

Essa cartilha é manjada, aqui e mundo afora. O que espanta é o eleitor dar a esses caras um mandato para executarem seus projetos de destruição travestidos de defesa da pátria, família e liberdade. O lema facista levou a Itália e o mundo ao abismo no século 20. 

Ao que parece, foi pouco. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e desapontado. 

23/5/2024. 

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *