O ministro Paulo Guedes deve estar curtindo uma ressaca brava, daquelas que deixam a boca com gosto de cabo de guarda-chuva e o estômago embrulhado. O que era para ser seu grande momento de brilho nestes tempos de pandemia – o anúncio de um novo pacote econômico com a instituição do Renda Brasil, a definição do novo marco regulatório das privatizações e a continuidade do auxílio emergencial – tornou-se a comprovação de que o Posto Ipiranga já não conta com o mesmo prestígio perante o presidente. Continue lendo “A guerra perdida de Guedes”
A guilhotina do cancelamento
Devemos ao iluminismo do século 18 o direito ao dissenso e ao livre pensamento. Antes, as divergências de idéias eram resolvidas pela via da eliminação física. Basta lembrar os tempos da Santa Inquisição em que os hereges iam para a fogueira. Ou que em 1616 Galileu Galilei, cientista, físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, entrou para o index da Congregação do Santo Ofício e foi ameaçado de pena de morte ao comprovar e defender a teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico, segundo a qual a Terra e os planetas giravam em torno do sol. Teve de se desdizer publicamente, mas não deixou de estar certo. Continue lendo “A guilhotina do cancelamento”
Não é só o auxílio emergencial
Até meados de junho havia um sentimento generalizado de que o governo Bolsonaro marchava para uma crise terminal. Seu péssimo desempenho diante da pandemia, as demissões dos ministros Luiz Henrique Mandetta e Sérgio Moro, os conflitos com os outros dois poderes, a participação em atos antidemocráticos e a queda nas pesquisas davam a impressão de que o presidente estava à beira de um nocaute e o impeachment era apenas uma questão de tempo. Continue lendo “Não é só o auxílio emergencial”
Hiroshima paira sobre nós
A morte caiu do céu sobre Hiroshima, às 8h45 de 6 de agosto de 1945. Do ventre do Enola Gay, um bombardeiro B-29, saiu o primeiro artefato nuclear usado em uma guerra. A bomba atômica tinha um nome inofensivo, Little Boy, mas era terrivelmente mortífera. Cento e quarenta mil pessoas perderam suas vidas em Hiroshima. Outras 70 mil morreriam dias depois, quando a segunda bomba estourou em Nagasaki. Mais 130 mil morreriam até 1950 em consequência da radiação. Continue lendo “Hiroshima paira sobre nós”
De Ulysses a Maia
Desde os tempos de Ulysses Guimarães a Câmara de Deputados não tinha uma liderança que simbolizasse tanto a autonomia e a independência do Poder Legislativo como Rodrigo Maia. Paralelos entre o Senhor Diretas e o atual presidente da Câmara são perigosos porque são personalidades diferentes em contextos históricos totalmente distintos. Mas, como o saudoso Ulysses, Maia tem a habilidade, o gosto e o traquejo da grande política. Sabe como poucos movimentar suas peças e desnortear quem se opõe a seus planos. Continue lendo “De Ulysses a Maia”
Fundeb: todos saem ganhando
Pela via do acordo entre governo e Parlamento, a Educação respira aliviada após a aprovação do texto base da PEC do novo Fundeb. É uma vitória significativa com impacto positivo no ensino básico. Basta citar que o valor mínimo investido por aluno por ano irá saltar de R$ 3.700,00 para R$ 5.700,00 O texto aprovado preserva, no essencial, o parecer original da relatora da Emenda Constitucional, deputada Dorinha Rezende (DEM). Continue lendo “Fundeb: todos saem ganhando”
É possível conciliar fundamentalismo religioso e educação moderna?
Com a posse de Milton Ribeiro, o primeiro grande desafio do novo ministro da Educação será reverter o ceticismo quanto à possibilidade da pasta voltar a ter um papel protagonista, após um ano e meio de omissão em questões vitais para o ensino público. Os descalabros das gestões Ricardo Velez e Abraham Weintraub, o episódio burlesco da indicação de Carlos Alberto Decotelli e a fritura de Renato Feder levaram a Educação ao portal do inferno de Dante: “abandonai todas as esperanças, oh vós que entrais”. Continue lendo “É possível conciliar fundamentalismo religioso e educação moderna?”
A questão militar contemporânea
Os militares voltam a ter visibilidade e protagonismo na vida política nacional, depois de 35 anos dedicados exclusivamente às suas funções profissionais e constitucionais. Hoje já são quase 3 mil ocupando cargos no governo Jair Bolsonaro, sem contar os da reserva ou o grupo palaciano de generais em postos estratégicos. Continue lendo “A questão militar contemporânea”
Isolado do mundo
No dia 24 de setembro 2019, Jair Bolsonaro desperdiçou uma oportunidade de ouro para se colocar em sintonia com o concerto das nações civilizadas. Estava no primeiro ano do seu mandato e abriria a Assembléia Geral da ONU, uma tradição que vem desde os tempos de Osvaldo Aranha. Havia enorme expectativa diante de seu discurso em virtude da divulgação de números que apontavam o avanço do desmatamento da Amazônia, fruto de atividades ilegais e das queimadas. Continue lendo “Isolado do mundo”
Mais trapalhadas na Educação
Não se conhece precedente de um ministro da Educação que tenha pedido demissão antes assumir o cargo. Também não há precedente de um vexame tão grande como o de Carlos Alberto Decotelli. Se Abraham Weintraub foi o joelho no pescoço da Educação que impedia sua respiração, Decotelli assumiu o papel de viúva Porcina de Bolsonaro, aquela que foi sem nunca ter sido. Continue lendo “Mais trapalhadas na Educação”
Forças Amadas
No momento em que as Forças Armadas estão no centro do debate político, é mais do que oportuno relembrar a figura do marechal Cândido Rondon, o grande engenheiro militar e sertanista brasileiro. A leitura da sua biografia, escrita pelo jornalista Larry Rohter, nos possibilita entender que as instituições militares são admiradas pelos brasileiros por serem a mão amiga em missões de integração nacional, de paz e de ajuda humanitária. Nem por isso deixam de ser o braço forte na proteção de nossas fronteiras e na defesa da nação. Continue lendo “Forças Amadas”
O gênio da incompetência
Independentemente do seu destino no governo, Abraham Weintraub vai para a galeria dos piores ministros da Educação de todos os tempos. Sob seu comando a pasta perdeu qualquer relevância, deixando de fazer o mínimo quando deveria ser protagonista, especialmente em momentos tão cruciais como o da pandemia. Continue lendo “O gênio da incompetência”
Desserviço à Pátria
Aconteceu o que a cadeia de comando das Forças Armadas mais temia quando o general da ativa Eduardo Pazuello caiu de pára-quedas (sem trocadilho) no Ministério da Saúde. Depois das idas e vindas, confusão e tumulto, com os números das vítimas e de infecções por Covid-19, o desmanche da pasta passa a ser associado aos militares. Continue lendo “Desserviço à Pátria”
América em chamas
Os Estados Unidos vivem o maior conflito racial desde o assassinato de Martin Luther King em 1968. Vinte e um estados adotaram o toque de recolher e as manifestações se espalharam por 140 cidades, entre elas grandes centros urbanos como Nova York, Washington, Chicago, Boston e Filadélfia. Pelas ruas soam as últimas palavras de George Floyd: “eu não consigo respirar”. O joelho de um policial de Minneapolis asfixiou Floyd até a morte e sufocou a América com o esgarçamento de uma chaga que vem dos tempos da escravidão. Continue lendo “América em chamas”
Militares, volver!
O quanto o ativismo militar conturbou a vida da nação é uma questão já decidida pela História. Interessa agora saber por que os militares deixaram de se ater exclusivamente às suas funções profissionais e constitucionais para assumir protagonismo político. Também faz-se necessário alertar sobre os riscos que esse caminho embute, capaz de afetar a imagem das Forças Armadas, comprometendo, assim o ativo conquistado com a democratização do país, quando recuaram organizadamente para os quartéis. Continue lendo “Militares, volver!”
