E agora, Arthur Lira?

“Os discursos de Bolsonaro, em Brasília e em São Paulo, revelam a triste figura (e a distorcida mente autocrática) de um político medíocre e sem noção dos limites éticos e constitucionais que devem pautar a conduta de um verdadeiro Chefe de Estado que seja capaz de respeitar o dogma fundamental da separação de Poderes.”

Muita gente escreveu sérias, importantes, necessárias avaliações sobre as falas golpistas de Jair Bolsonaro nas manifestações anti-democracia que convocou, com todo o peso de chefe do Executivo, para este 7 de Setembro – mas talvez essas aí, do jurista Celso de Mello, por 30 anos ministro do Supremo Tribunal Federal, sejam as mais perfeitas.

Bolsonaro – sintetizou Celso de Mello – “é um político que não está, como jamais esteve, à altura do cargo que exerce, pois lhe faltam estatura presidencial e senso de estadista”.

Merval Pereira, no site de O Globo, também fez ótima avaliação:

“Mesmo tendo tido menos gente nas ruas do que o governo previu – Bolsonaro chegou a falar em dois milhões de pessoas – a manifestação de Brasília teve claramente o caráter golpista, reforçado pelo próprio presidente da República que, em seu discurso, deu um ultimato ao presidente do STF, Luis Fux, para enquadrar os ministros Alexandre Moraes e Luis Roberto Barroso ou pedir para sair.  Ele não pode achar que seja um discurso normal de um presidente da República. Na verdade, Bolsonaro faz exatamente o que acusa o STF de fazer: vai contra a Constituição, contra os outros poderes e se não aceitar os outros poderes, tem que pedir para sair. O discurso de hoje poderia ter sido feito por alguém contra ele e seria verdadeiro. O que ele faz em relação ao STF é ilegal.”

E, em seguida, cravou o que me parece perfeito: com o que pretendia ser sua declaração de força definitiva, Bolsonaro chamou de volta o tema impeachment:

“O presidente do PSDB, deputado Bruno Araújo, já pediu hoje uma reunião para começar a analisar um pedido de impeachment de Bolsonaro. E acredito que isso irá acontecer com vários partidos. Bolsonaro está criando um clima política favorável ao seu impeachment.”

Quando o PSDB de hoje e mais o PSD do ex-prefeito e ex-ministro Gilberto Kassab falam em impeachment, então é porque é não dá mais, de jeito nenhum, para empurrar o tema com a barriga.

Dentro do PSDB, esse ninho de gatos que hoje é apenas uma pálida lembrança do que já foi um belo partido, o partido de Montoro, Covas, Richa e FHC, os governadores de São Paulo e Rio Grande do Sul, João Doria e Eduardo Leite, defenderam o impeachment. Só levantou a voz contra isso o ex-governador de Minas e ex-candidato do partido à Presidência, Aécio Neves – essa figura que a cada dia só mais mancha o partido e o nome que herdou do avô Tancredo.

***

Muita gente boa falou boas coisas sobre as manifestações deste 7 de Setembro – que há várias semanas Bolsonaro e seus aliados vinham anunciando, conclamando, financiando, e que, a rigor, a rigor, foram muito menores do que se anunciava.

Gosto de consolidar em um único post um grande número de opiniões, de textos. Tenho essa mania já há muito tempo, mas confesso que, exatamente porque essas manifestações golpistas foram anunciadas demais, conclamadas demais, financiadas demais, e ocuparam tempo demais do país inteiro, estou cansado do assunto.

Assim, registro apenas mais uma bela avaliação – aquela feita por Ascânio Seleme, também no site do Globo:

“Jair Bolsonaro chegou ao limite da sua retórica golpista. Daqui em diante só lhe resta a ação. Se depois de dizer as porcarias que disse aos seus seguidores na Avenida Paulista não responder a um processo de impeachment por gravíssimo crime contra a Constituição, o Brasil e as suas instituições serão absolutamente desmoralizadas. Sobretudo a Câmara dos Deputados, acima dela o seu presidente, o único brasileiro com poder para abrir um processo de impeachment. E agora, Arthur Lira?”

É isso. Agora o país, os 75% do país que pensam, raciocinam, têm que pressionar Arthur Lira.

A situação é grave, é duríssima, é complexa, é confusa, é complicadíssima, mas ao mesmo tempo é simples.

É #ImpeachmentBolsonaro.

O quanto antes.

7/9/2021

Este post pertence à série de textos e compilações “Fora, Bolsonaro”. 

A série não tem periodicidade fixa.

Duas reportagens demonstram que Bolsonaro não é apenas um mentiroso contumaz: é um criminoso. (56)

A Folha de S. Paulo defende em editorial a deliberação sobre os pedidos de impeachment. (55)

O Estado de S. Paulo defende a abertura do processo de impeachment. (54)

A foto, que copiei do portal Metrópoles, está lá creditada como uma reprodução do Facebook. Agora, diabo, do que será que eles estão rindo?

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