A crise semiterminal do bolsonarismo

Até recentemente Jair Bolsonaro era a grande liderança do campo da direita e o bolsonarismo sua principal força orgânica, capaz de encher as ruas com multidões. Esse capital político é coisa do passado. Hoje, está encurralado em um labirinto de crises judiciais, fragmentação interna e rejeição popular. A imagem do mito — como seus seguidores o aclamavam — foi substituída pela de um político que só pensa em seus interesses pessoais e nos de seu clã. Os brasileiros percebem isso, como revelou a última pesquisa Quaest, na qual sete em cada dez entrevistados avaliam que Eduardo Bolsonaro defende os interesses do pai e da família, e não os do Brasil. Continue lendo “A crise semiterminal do bolsonarismo”

Pesquisas

Nos tempos da última ditadura militar — que eu espero que tenha sido mesmo a última —, o cidadão Edson Arantes do Nascimento deu uma declaração que ficou para a História. O povo brasileiro, disse ele, não sabe votar. No contexto da época, a opinião chocou pelo menos metade do país, que queria votar para acabar com a ditadura.  Continue lendo “Pesquisas”

Entre a intenção e o gesto

Em um país binário, onde os extremos políticos constroem a bel prazer as verdades, é difícil crer que 66% dos eleitores entrevistados pela Genial/Quaest neguem ser lulistas ou bolsonaristas. Muito menos que 84% defendam que governo e oposição se unam contra o tarifaço de Donald Trump, conforme apurou a Atlas/Bloomberg, Os dados até animam centristas, mas eles tendem a não se confirmar quando o papo é eleições. Na hora do voto, não sobra espaço para as candidaturas moderadas. Continue lendo “Entre a intenção e o gesto”

@%&%$@%&@!

Foram tantos impropérios ouvidos durante a semana que nem sobram muitos predicados pra classificar os atores da peça dercygonçalvesca exibida nos palcos nacionais e internacionais. Continue lendo “@%&%$@%&@!”

Anistia? Jamás! 

Sei não, mas tá fedendo. Para tirar o seu da reta do tarifaço trumpista, o pai se desculpa chamando o filho de imaturo. O filho manda o pai tomar no c* e o chama de ingrato do c*, pelo tanto que está fazendo no estrangeiro para livrá-lo de uma cana até o fim da vida.  Continue lendo “Anistia? Jamás! “

Gentileza

Mudei minha percepção sobre o Inelegível e futuro presidiário. Ele pensa. Pensa muito. Pensa até demais. E escreve tudo o que pensa. Tudinho. Nem Mark Twain ou James Joyce escreveram tanto. E, depois de escrever, imprime e guarda numa gaveta. Ou no celular. Deixa tudo lá. Deve ser para a Polícia Federal não ter o trabalho de procurar. Gentileza. Continue lendo “Gentileza”

Brasil e Estados Unidos: dois séculos de aproximação e o risco de ruptura

As relações entre Brasil e Estados Unidos atravessaram mais de dois séculos, combinando afinidades ideológicas, interesses estratégicos, trocas econômicas e culturais — mas também períodos de distanciamento, desconfiança e, mais recentemente, choques abertos. Desde o século XIX, a convivência entre as duas maiores potências do continente oscilou entre o pragmatismo diplomático e o idealismo político, sem nunca romper de modo irreversível. A história, no entanto, mostra que essa durabilidade não é garantida: parcerias sólidas também se corroem quando faltam previsibilidade, reciprocidade e visão estratégica. Continue lendo “Brasil e Estados Unidos: dois séculos de aproximação e o risco de ruptura”

O delírio do conspirador

O Brasil é uma ditadura comandada pelo supremo juiz Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro é vítima de perseguição política e Donald Trump é um estadista. Sandices desse porte dominam as falas do bolsonarismo e tendem a se tornar ainda mais delirantes com a proximidade do julgamento do ex por tentativa de golpe, marcado para ter início no dia 2 de setembro. Até lá, o filho Eduardo, deputado federal que abandonou o mandato para conspirar contra o Brasil nos Estados Unidos, continuará embalado no desatino de que pressões podem fazer o Judiciário recuar no processo contra o seu papai. Parece não ver que cada tiro que dá fura mais os seus pés. Continue lendo “O delírio do conspirador”

Latidos

Eles tiraram o esparadrapo da boca. Que pena! Deram-me um sossego por alguns dias, parece que foram só três, mas valeu! Não falo só daqueles que humilharam o Mottinha. Falo também dos cachorros dos meus vizinhos, golpistas ou não!  Continue lendo “Latidos”

O Brasil em um mundo em transição

Ao longo do século XX os Estados Unidos foram o principal parceiro do Brasil, do ponto de vista comercial e geopolítico. Essa relação se acentuou após a II Guerra Mundial, da qual os EUA saíram como a principal potência econômica e militar do planeta. Nossas relações, apesar da assimetria de poder entre as duas nações, foi por décadas funcional: o Brasil buscava desenvolvimento econômico, segurança e inserção internacional; os EUA queriam estabilidade política e aliados firmes. Continue lendo “O Brasil em um mundo em transição”

Agora, a Índia

O Brasil não é mais o único país taxado com 50% pelo Napoleão de Hospício do Norte. Agora temos a companhia da Índia, com seu bilhão e meio de habitantes e muitas bombas atômicas em seu arsenal.  Continue lendo “Agora, a Índia”

Banditismo

O bando que tomou de assalto as mesas diretoras da Câmara Federal e do Senado vale-se da democracia e da representação popular para atacar as instituições que representam o Estado de Direito e impor ao país uma ditadura militar. 

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Trump e a transição geopolítica

Desde o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos assumiram um papel sem paralelo na história contemporânea: o de arquitetos e garantidores de uma ordem internacional baseada em instituições multilaterais, economia de mercado, segurança coletiva e valores liberais. Não se tratava apenas de poder militar ou hegemonia econômica — embora ambos fossem expressivos. Tratava-se, sobretudo, da capacidade de oferecer ao mundo um projeto, uma promessa de estabilidade e progresso. Continue lendo “Trump e a transição geopolítica”