garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 14

14. Sereias, caminhões, a felicidade da criança abrange mais de um capítulo

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É reconfortante perceber que minhas perdidas alegrias ultrapassam um capítulo. Pois, o que vier após as lembranças dessas manhãs de brincadeiras, mais parece uma noite de pesadelos. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 14”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 13

13. Joaninhas, brincadeiras, diversões, raios de luz nunca apagados

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Dalton Trevisan, no conto O Espião, escreve que aquelas meninas nunca sorriam. Mentira! Acho que é mentira! A alma da criança não é uma corda eternamente esticada. Há de haver, aqui e ali, longe da palmatória e logo depois da comida, momentos fugazes em que a canção suba, o sorriso brote, o brinquedo distraia. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 13”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 12

12. Dois inspetores e um padre
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É preciso dar entrada em cena a algumas figuras importantes nesta tapeçaria quase uma renda. Parece que os fios ficam soltos, sem eles. Ou é como se, a partir de agora, eu enfiasse agulhas em pontos abertos, alinhavando brechas, remendando buracos. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 12”

Conto

Minha amiga perguntou, ao telefone. Vai sair? Com que roupa? Duas peças, respondi. Ela disse que uma blusinha leve e uma saia iam bem. Desliguei. Tinha acabado de me pentear e maquiar. Estava nua. Coloquei o vestido e peguei a bolsa. Duas peças. Continue lendo “Conto”

Conto

Logo que Carlos saiu, Laura sentou no sofá, bem à minha frente, e cruzou as pernas. A saia não era curta, mas, do jeito que ela arrumou, subiu à metade das coxas. Continue lendo “Conto”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 9

9. Os purgantes

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Há um aluno, negro e esbelto como estátua africana, chamado Abraim. Abraim ficou na minha memória por dois motivos. Recebia muitos bagulhos. Em qualquer remessa, ouvia-se o nome dele e ele abria o pacote diante da assistência admirada, príncipe do Congo exibindo despojos de guerra após uma vitória. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 9”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 8

8. Medalhas, agulhas e outras preciosidades
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Uma vez, cavoucando o barro, encontrei uma medalha de Nossa Senhora. Alguém falou para mostrar pro fulano, nem me lembro de nome, nem de cara. Num repente, eu estava diante dele, e ele mostrou um alfinete com medalhas enfiadas. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 8”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 7

7. Macacões e pés no chão 

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    Não sei se minha recordação me trai, não tive mais que dois macacões naquele período. Não, não, agora lembro, eles eram trocados e iam para serem lavados. Parece, aliás, que não tinham dono. Após o banho, acho que semanalmente, recebia-se um bolo de pano e vestia-se. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 7”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 5

5. A Casa

O pátio era enorme. Tinha a impressão de que poderia me perder por ali com a maior facilidade. Era possível, por exemplo, desenvolverem-se simultaneamente duas ou mais peladas, as dos pequenos e a dos grandes. E, se eu os olhava correndo, eram como espalhadas estrelas perdidas no céu. O pátio era enorme. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 5”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 3

3. Os habitantes

Falei em garças e garras e bicos. Garças voam, é verdade. Mas garras e bicos é exagero literário. Não me lembro agora de um fato que me doa, que me assuste, que me apavore. Alguma coisa devia ser terrível, na ocasião, mas hoje não faz a mínima diferença. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 3”