De rabo preso com Maduro

Gente que dorme e acorda na porta dos mercados para comprar comida que acaba antes de a fila andar. Falta de remédios, ataduras e até de soro fisiológico. Famílias que vasculham lixos e assam animais de estimação para servir no jantar. Mais de uma centena de mortos pela repressão em manifestações contra o governo. Essa é a Venezuela, cujo regime e seu ditador, Nicolás Maduro, receberam apoio incondicional do PT e PCdoB, e parcial do PDT, signatários da resolução final da 23ª reunião do Foro São Paulo, realizada na Nicarágua. Continue lendo “De rabo preso com Maduro”

Lula, caudilho pendular

Caudilhos são dados a movimentos pendulares. Deslocam-se à direita ou à esquerda. Menos por ideologia, mais por conveniências. Perón foi mestre nessa arte. Apoiou-se nos Montoneiros e outros agrupamentos da esquerda peronista para voltar ao poder. Mas quando o conseguiu governou mesmo foi com Lopes Regla, El Brujo, um dos oráculos da AAA – Associação Argentina Anticomunista. Continue lendo “Lula, caudilho pendular”

Complexo de Pinóquio

O desprezo do PT pela democracia dispensaria novos exemplos. Mas seus integrantes fazem questão de exibi-los com alucinada frequência. Se geralmente já se postam como vítimas de um inimigo invisível, quando acuados pelos fatos reagem com ameaças. A da vez é de que não aceitarão uma eleição presidencial sem Lula. Continue lendo “Complexo de Pinóquio”

Quem não chora não mama

O mundo sindical está em pé de guerra. Sindicalistas movem os céus e a terra, mas não em defesa dos salários ou de melhores condições de trabalho, bandeiras que no passado arrastavam multidões de trabalhadores para greves. A gritaria dos pelegos se dá por motivo torpe: a manutenção do imposto sindical – uma tunga no bolso dos trabalhadores instituída em 1940 pelo Estado Novo varguista. Continue lendo “Quem não chora não mama”

Reencontro histórico

Às vésperas do 23º aniversário do Plano Real, o Conselho Monetário Nacional tomou uma decisão histórica, por sua simbologia. Ao rebaixar o centro da meta inflacionária para 4,25% em 2019 e 4% em 2020, a equipe econômica capitaneada pelo ministro Henrique Meireles escreve um novo capítulo do compromisso assumido pelo Brasil em 1º de julho de 1994. O de defender o poder aquisitivo dos brasileiros e promover a estabilização de sua moeda para pôr fim a um tormento de 50 anos que corroía os salários, tornava a vida um inferno, desestruturava o Estado e inviabilizava os negócios. Continue lendo “Reencontro histórico”

O coração do povo

Liz Taylor esteve às portas da morte. Redimiu assim a má fama que ganhara por ter sacado o marido à virginal Debbie Reynolds. Não se rouba o marido a uma escoteira, muito menos um mês depois de se ter enterrado, como Liz fizera, o seu. Odiaram-na. Mas a gripe asiática e o coma de Liz, em Londres, interrompendo as filmagens de Cleópatra, reinstalaram-na no coração do povo cinéfilo. Continue lendo “O coração do povo”

Cleópatra

O ciclo menstrual de Elizabeth Taylor é que teve a culpa. Vejamos, Walter Wanger só queria a glória. Saíra da prisão por ter dado uns tiros bem aviados, mas não mortais, ao amante de Joan Bennett que, não fortuitamente, era a sua querida mulher. Antes, fora o produtor que descobrira Valentino, que fizera da Garbo a Rainha Cristina, que em Stagecoach juntara dois Johns, um Ford, outro Wayne. Queria fechar a idade de ouro de Hollywood e a sua com um épico: subir o Nilo e ajoelhar-se aos lindos pés de Cleópatra. Continue lendo “Cleópatra”

Apesar de Brasília

Há Brasília e há o Brasil, separados por uma distância fenomenal. Lugar comum, a frase ganha toneladas de chumbo quando as crises se agudizam. Quase nada do que faz sentido para os ocupantes da Praça dos Três Poderes dialoga com o resto do país – um divórcio irreconciliável não por um ou outro contencioso, mas por absoluta incompatibilidade. Continue lendo “Apesar de Brasília”