O presidente da República respira por aparelhos. Ministros da Corte Suprema metem o bedelho onde não devem, preferem o som da própria voz à fala nos autos. Parlamentares empenham-se em escapulir da Lava-Jato, em fazer leis para surrupiar mais dinheiro do contribuinte e garantir caixa de campanha. Difícil imaginar saídas para um país que agoniza em condições tão lastimáveis. Muito menos quando os “salvadores” em campanha antecipada são o mesmo do mesmo. Até aqueles que se acham diferentes. Continue lendo “Anda-se para trás”
Se for melhor para o Brasil, que venha a jabuticaba!
Em um comentário em seu Twitter, o ministro Gilmar Mendes criticou a proposta de fixar o mandato de integrantes de tribunais superiores em dez anos dizendo que isso seria “mais uma das nossas jabuticabas”. Continue lendo “Se for melhor para o Brasil, que venha a jabuticaba!”
Vulcão adormecido
O mundo político parece interpretar o silêncio das ruas como um vulcão morto, que jamais entrará em erupção. Por isso vem arquitetando um arremedo de reforma política com fim precípuo de manter seus privilégios, entre os quais o do foro privilegiado. A reeleição dos atuais parlamentares passou a ser prioridade a qualquer custo, numa desesperada questão de sobrevivência. Acreditam que podem conseguir seu intento sem maiores resistências da sociedade. Continue lendo “Vulcão adormecido”
Era um cavalheiro quando não bebia
“Olha para ti, Dreyfuss, só comes e bebes, és gordo e desmazelado. Nessa idade, é criminoso. Nem dez flexões de braços fazes.” Era o que, nos dias de maior cortesia, Robert Shaw, actor shakespeariano, dizia ao jovem americano Richard Dreyfuss, que Spielberg escolhera para o papel de cientista marinho em Jaws. Continue lendo “Era um cavalheiro quando não bebia”
Centrão, de coadjuvante a protagonista
Desde a redemocratização, o Centrão sempre esteve no poder, mas em papel de coadjuvante. Fernando Henrique Cardoso e Lula, com enormes diferenças, contaram com as forças do atraso em nome da governabilidade. Mas sem transformá-las em principal núcleo de sua base de sustentação. Continue lendo “Centrão, de coadjuvante a protagonista”
O enxovalho
Richard Dreyfuss é um choramingas, um cry-baby. Vi-o lavado em lágrimas na televisão irlandesa. Mas permitam-me que primeiro invective os portugueses. Temos a mania de que somos desenrascados, que o improviso para o português é como limpar o cu a meninos. Continue lendo “O enxovalho”
Reformar para pior
Depois de a Câmara dos Deputados rejeitar a continuidade das investigações da denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, as reformas voltaram à baila. Mas com sinal invertido. As da Previdência e tributária, essenciais à saúde econômica do país, têm menos chance de sair do papel do que o arremedo de reforma política que o Congresso pretende aprovar até 2 de outubro, data limite para alterar regras quanto ao pleito de 2018. Continue lendo “Reformar para pior”
E Temer ficou
Como Temer trabalhou, hein? Vamos ser justos, o homem deu um duro danado, não parou, levou os últimos dias tal qual uma máquina de 220w ligada na tomada. Para um idoso, foi um verdadeiro tour de force. Continue lendo “E Temer ficou”
Temer – haja fôlego!
Seis votos acima da maioria simples, 45 a menos do necessário para processar qualquer mudança constitucional. O placar de rejeição na Câmara dos Deputados ao prosseguimento da denúncia contra Michel Temer – 263 x 227, 21 ausências e duas abstenções – aponta mais do que a absolvição prévia do presidente. Revela se ele terá ou não fôlego para aprovar reformas imprescindíveis, a começar pela da Previdência, sem a qual o país quebrará em curtíssimo prazo. Continue lendo “Temer – haja fôlego!”
Em busca do novo
A verdadeira dimensão do fosso entre o mundo formal da política e a sociedade ávida por outro padrão de se fazer política aparece com toda nitidez na pesquisa com mais de 10 mil eleitores realizada por encomenda do Agora, movimento de ativistas independentes. Por qualquer ótica que se analise, os números são massacrantes quanto à ojeriza dos eleitores aos partidos e políticos tradicionais. Continue lendo “Em busca do novo”
A praia deserta
Não, desta vez não se atrevam a espetar o dedo no peito da minha subjectividade. É estarrecedor de objectivo: tive um fim de adolescência de praia deserta. Privilégios coloniais. Das terras do fim do mundo, António Lobo Antunes escrevia cartas de amor e guerra para que eu andasse de caiaque entre os mangais, a meio caminho entre Luanda Sul e a foz do dolente Kwanza. Continue lendo “A praia deserta”
Decisão já
Conhecido como o mês do desgosto, o agosto de 2017 pode surpreender e até ser o oposto. Já nesta primeira semana tem-se a chance de ver resolvido o destino do presidente Michel Temer, em sessão na Câmara dos Deputados prevista para quarta-feira. E, seja qual for o resultado – contra ou a favor da abertura de inquérito –, o país ganha. Fecha-se um capítulo, passa-se a página. Continue lendo “Decisão já”
“Acorda, este é o Brasil que você ajudou a construir”
Quem forjou a frase do título não fui eu, mas dona Biloca, a sábia amiga e conselheira do colunista Roberto Pompeu de Toledo, segundo artigo publicado por ele na Veja da semana passada, edição 2540. Continue lendo ““Acorda, este é o Brasil que você ajudou a construir””
Valores em baixa
Dois episódios recentes são ilustrativos do quanto os valores inerentes à democracia, como a tolerância, a convivência pacífica e o respeito ao contraditório e à diversidade, estão em baixa em nosso país. Continue lendo “Valores em baixa”
Nunca saí do liceu
Se a vida fizesse sentido, não havia filmes. Nem livros. Não sabemos onde moramos e, por vezes, um filme ou um livro dão-nos a impressão de estarmos em casa. Os filmes e os livros de que gosto são os de homens ou mulheres perdidos. Gente que não sabe encontrar o caminho para casa ou nem sequer sabe já o que seja uma casa. Continue lendo “Nunca saí do liceu”




