It is more from carelessness about truth than from intentionally lying that there is so much falsehood in the world.
Samuel Johnson
A insubordinação do general
O general Antônio Hamilton Martins Mourão comanda uma mesa, a da Secretaria de Economia e Finanças do Exército Brasileiro. Diretamente não tem poder de mando sobre tropas e não expressa o pensamento majoritário do comando das Forças Armadas. Nem por isso sua insubordinação pode passar batida. Continue lendo “A insubordinação do general”
Uma lista conservadora
- A boa moral
Abomino, pelo aborrecido que me palpita ser, a ideia de um mundo libertino. Defendo, por amor ao insidioso pecado, o modelo conservador que Jean Renoir recomendava aos seus financiadores: “É do interesse dos produtores manterem um adequado padrão moral, sem o que os filmes imorais deixarão de vender.” Continue lendo “Uma lista conservadora”
A pressa é inimiga
A segunda denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer e seus asseclas traça uma história factível, que nem mesmo surpreende por ser quase totalmente conhecida pelos sucessivos vazamentos de delações. A novidade ficou por conta do alinhavo, atribuindo-se a Temer a chefia de uma quadrilha. E aqui o grave pode ser gravíssimo: se isso for verdade – e até há indícios de que seja – Janot pode ter posto tudo a perder. Por vaidade e pressa. As duas coisas ou coisa pior. Continue lendo “A pressa é inimiga”
O código petista
Antonio Palocci tornou-se a figura mais execrável para militantes, dirigentes e intelectuais do PT, desde seu depoimento bomba sobre o pacto de sangue entre Lula e a Odebrecht. Continue lendo “O código petista”
Bob cut
Atormentam-me as injustiças. Sobretudo se lhes dou involuntário acolhimento, uma vez que comprovadamente sou pura bondade, mesmo mais do que os corações de compota que são o Henrique Monteiro e o Pedro Norton, meus companheiros do blogue Escrever é Triste, se me desculpam a private joke. Continue lendo “Bob cut”
Flechas tortas
A gravação que confirma a lambança feita na delação de Joesley Batista, perdoado pelo passado e pelo futuro por fornecer base para a denúncia contra o presidente Michel Temer, levou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a desbastar o bambuzal com alucinada velocidade. No afogadilho, ou lançou flechas sem afiá-las devidamente ou já as tinha prontas, reservadas para um final apoteótico. Em ambos os casos, uma atitude imprópria, deletéria, não compatível com a responsabilidade do cargo. Continue lendo “Flechas tortas”
A Colômbia venceu o Brasil
A Colômbia tinha tudo para dar errado. Por mais de quatro décadas esteve encharcada de sangue por uma guerra responsável por 260 mil mortes, 60 mil desaparecidos e mais de sete milhões de desplazados – colombianos forçados a abandonar seus lares. Mas não deu, ao contrário: deu certo. Continue lendo “A Colômbia venceu o Brasil”
O actor onomatopaico
Rabo todos temos, mas a cauda que o distingue de qualquer um de nós é um privilégio de Christopher Walken. E, não obstante, se forem a atravessar a rua e ele vier do outro lado, mesmo que Walken venha a dar à cauda, não se iludam. Se ele dá à cauda, o melhor é mesmo não se lhe meterem à frente, que a cauda de Chris não é como a que um cão abana, feliz, a pedir mão no pêlo e festinhas. Continue lendo “O actor onomatopaico”
Fatos satânicos
Há uma semana o noticiário político do país se ocupa em anunciar que até um dia antes do feriado da Independência o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar nova denúncia contra o presidente Michel Temer. O fato é, de fato, só o anúncio de um provável fato. Mas o uso de um sucedido não acontecido tem sido suficiente para criar fatos. Continue lendo “Fatos satânicos”
A minha estatal, não!
Excetuando-se os estatistas por razões ideológicas ou corporativas, em tese todos se dizem favoráveis à privatização na área de infra-estrutura. Há um razoável consenso nacional de que esse é o caminho para atrair os investimentos necessários à retomada do crescimento. É impensável a economia brasileira alcançar vôos mais altos com a irrisória taxa de investimentos praticados, atualmente na casa de 16% do PIB. Continue lendo “A minha estatal, não!”
Fechem os olhos
Quando és novo, atravessas os filmes de olhos abertos. Fui ver Paterson, de Jim Jarmusch. O título do filme tanto é o nome da cidade onde tudo se passa, como o nome do condutor de machimbombos que escreve versos num caderno desangustiado e inocente. O motorista do machimbas é o rapaz do filme, como se gritaria em luandina euforia – “rapaz! cuidado então, rapaz!” – se estivéssemos a ver Paterson no cineminha São Domingos. Continue lendo “Fechem os olhos”
Os pixulecos de Lula
Pronto. Não há mais dúvidas: José Sarney e Renan Calheiros são essenciais para o sucesso de um governo. Essa foi a mensagem do ex Lula em entrevista a emissoras de rádio de Pernambuco, ponto de parada de sua caravana de campanha pelo Nordeste. Alegria pura para o neolulista Renan, acossado por 13 inquéritos e réu em um deles. Continue lendo “Os pixulecos de Lula”
O poder e os lírios do campo
Foi um beijo paz na Terra aos homens de boa vontade, mas ia caindo o Carmo e a Trindade. Quem me disse, na longínqua Luanda dos meus 12 anos, que numa noite dos Oscars a mediterrânica Anne Bancroft beijara o lírio do campo que era Sidney Poitier? Terá sido o Cesarito, que a minha mãe achava ser o meu amigo mais bonito, para logo ele se rir, pois, pois, por eu ter nariz de branco, não é? Continue lendo “O poder e os lírios do campo”
A berlinda dos tucanos
Sem sombra de dúvida os tucanos enriquecem a ciência política com a barafunda na qual estão vivendo. Passarão anos e a academia ainda estará estudando como foi possível um partido com enorme expectativa de poder incinerar seu capital político em tão pouco tempo. Continue lendo “A berlinda dos tucanos”






