A mulher irretocável

Tenho falado muito com jovens. O facto de eu usar chapéu facilita. No meu tempo, o chapéu preto era reaccionário, pidesco até, se ainda alguém sabe o significado destes coxos qualificativos. Havia uma excepção, o chapéu na cabeça de Bogart. A cabeça de Bogart enchia qualquer peito de admiração. Continue lendo “A mulher irretocável”

Ou reagimos ou esses tiros arrebentarão com o Estado brasileiro

A dor das famílias e dos amigos de Marielle e Andersosn é, sabemos, todos, brutal. Perder um ente querido é dor violenta. Não há palavras que consolem, nem pensamentos que ajudem a suportar a morte de pais, filhos, parentes, amigos. Não resta dúvida que a dor das famílias é o aspecto mais doloroso dessa tragédia que abriu as veias do Rio. Continue lendo “Ou reagimos ou esses tiros arrebentarão com o Estado brasileiro”

Convém levar Bolsonaro a sério

Nem mesmo o mais arguto dos analistas imaginava um ano atrás que Jair Messias Bolsonaro chegaria em março na condição de pole position nas pesquisas, na hipótese provável de a foto de Lula não estar na urna eletrônica. O senso comum era a decantação natural do candidato da extrema direita, assim que Lula ficasse inelegível pela lei da Ficha Limpa. Continue lendo “Convém levar Bolsonaro a sério”

A culpa é de Chuck Norris

Estimado Woody Allen, eu pecador me confesso. Parte da culpa é minha. Quando o senhor Castello Lopes, nos meus tempos de director de programas, tentava vender à SIC os teus filmes, eu propunha-lhe sempre comprá-los por um terço do preço que custava um Chuck Norris. Ui, o teu orgulho artístico ferido. Continue lendo “A culpa é de Chuck Norris”

Aos infiéis, os milhões

Começou na quinta-feira e vai até 7 de abril o leilão eleitoral que deve arrematar mais de 50 dos 513 deputados federais e uma centena dos 1.024 estaduais do país. Ainda que amparado por lei, aprovada pelos próprios beneficiários no ano passado, o troca-troca é um dos absurdos do sistema brasileiro. Um desrespeito desmedido ao eleitor. Continue lendo “Aos infiéis, os milhões”

As brotoejas da esquerda

Segurança é um daqueles temas capazes de provocar crises alérgicas em parte da esquerda brasileira, dada a sua dificuldade histórica em abordá-lo. No poder, ou fora dele, deixou-se enredar por uma cultura permissiva focada mais na “explicação” das “causas sociais” e na preocupação com a “violência policial” do que no combate ao crime organizado propriamente dito. Continue lendo “As brotoejas da esquerda”

Sempre eles

Corre-se atrás do novo, busca-se um outsider, fingem-se mudanças. Mas, 24 anos depois da primeira vitória de Fernando Henrique Cardoso sobre Luiz Inácio Lula da Silva, o ativismo dos dois ex-presidentes é um dos poucos tônicos que animam a política. Para o bem ou para mal. Continue lendo “Sempre eles”

A contemporaneidade de FHC

Odiado pelos extremos regressistas – e nem sempre compreendido por seus companheiros de partido – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um dos poucos políticos brasileiros capaz de enxergar além do nevoeiro que turva nossos olhos. Intelectual e político atento, é figura obrigatória a ser ouvida por quem quiser entender as intensas transformações que varrem o mundo. Continue lendo “A contemporaneidade de FHC”

Avançar para trás

Regras eleitorais perfeitas são raríssimas ou simplesmente utópicas. Isso vale para todas as partes do mundo. No Brasil, elas são perversas: parecem servir apenas para perpetuar oligarquias, inibir a participação popular e a renovação. Continue lendo “Avançar para trás”

Caixa de marimbondos

A Lei da Anistia de 1979 foi uma obra de engenharia política e amplo consenso que contribuiu para a pacificação nacional. Os militares recuaram organizadamente para os quartéis, dedicando-se exclusivamente às suas funções constitucionais e profissionais, e o Brasil pode concluir sua transição democrática. Continue lendo “Caixa de marimbondos”

Viva a ditadura

Abaixo a ditadura. A causa que uniu as esquerdas latino-americanas na segunda metade do século passado já havia se perdido quando o encantamento por Cuba cegou os que escolheram aplaudir os desmandos de Fidel Castro. Agora, diante da tirania venezuelana, foi enterrada de vez. Pior: substituída por “vivas”. Continue lendo “Viva a ditadura”

Alegria? Será mesmo alegria? Tenho cá minhas dúvidas…

Todos temos pequenas ou grandes alegrias em nosso dia a dia. O nascimento de um filho. Um diploma arduamente perseguido. Uma doença vencida. O regresso de um amigo muito querido. O sucesso profissional que tanto desejávamos… Continue lendo “Alegria? Será mesmo alegria? Tenho cá minhas dúvidas…”