Andava ele a matar Deus quando a conheceu. E nem foi ele que a descobriu, mas um Espírito Santo de orelha, o seu amigo Paul Rée. Adiante hei de falar eu da afrontosa trindade que juntos incarnaram. Agora apresento-os: ele é o filósofo Friedrich Nietzsche e ela é Lou Salomé, russa-alemã, romancista, poeta, filósofa, mais tarde psicanalista. Continue lendo “Dá-me o teu sofrimento”
Ambiente turvo
A Cúpula do Clima das Nações Unidas que começa amanhã e a 74ª Assembléia Geral a ser aberta pelo presidente Jair Bolsonaro, dia 24, acontecem no rastro da maior manifestação global da História, que, na sexta-feira, reuniu bilhares – jovens, na maioria – nas ruas de mais de 150 países, incluindo o Brasil. Continue lendo “Ambiente turvo”
Não há lulismo sem Lula
Rui Costa ascendeu na política à sombra do senador Jaques Wagner e como seu fiel escudeiro. Os dois fazem jogo combinado e assim devem ser interpretadas as “heresias” ditas pelo governador da Bahia em sua entrevista à revista Veja. Continue lendo “Não há lulismo sem Lula”
Temer tem números a apresentar
Sim, Michel Temer foi o primeiro presidente denunciado por suspeita de corrupção em pleno exercício do mandato.
Sim, chegou ao fim de seu governo com altíssimo nível de desaprovação. Continue lendo “Temer tem números a apresentar”
Uma mulher
Nadavam nuas no Danúbio. E antes de falar de Hitler ou de Simone de Beauvoir, digo já os nomes dessas americanas que nadavam nuas ali perto de Budapeste. São mulheres mortas, mas estavam vivas nos anos 20 do século passado. Passaram cem anos e custa imaginar, à nossa vigilância policialmente correcta, a líquida liberdade de uma poeta, Edna St. Vincent Millay, e de uma jornalista, Dorothy Thompson, nesses anos em que nos querem fazer crer que a mulher ainda não existia. Continue lendo “Uma mulher”
Brazil abaixo de tudo
Não há comprovação alguma da força eleitoral de um boné. Mas os candidatos e mandatários adoram a peça. Para cada ocasião o capelo ganha um apelo. Não raro, patético, exposto pelo político apenas para exibir o que imagina saber que o público da ocasião deseja. Continue lendo “Brazil abaixo de tudo”
Com que intuito?
Será que o leitor tem a mesma curiosidade que eu tenho? Saber qual o intuito dos três filhos mais velhos do presidente Jair Bolsonaro ao se comportarem como se comportam? Eu não consigo atinar com o propósito deles.
Positivismo tosco
A idéia da necessidade de um regime autoritário para servir de alavanca para o progresso está nas raízes da fundação da nossa República. Antes mesmo de sua proclamação, o caudilho gaúcho Julio de Castilhos propugnava que o governante deveria ser escolhido por qualidades morais e não pela representação popular. Entendia que esse governante deveria regenerar o Estado e comandar a modernização da sociedade. Continue lendo “Positivismo tosco”
As duas metades de um corpo
Quem cantou o Sexo Todo Poderoso foi Edna St. Vincent Millay. Cantou-o em verso e em público, na cama e fora da cama. A mãe dela, Cora, despachou um pai impertinente e, sozinha, criou Edna e as irmãs com hinos à natureza humana. Com a franqueza e sinceridade que nenhum ministro das finanças, nem mesmo o nosso heróico Centeno, há-de ter, Cora disse isto um dia: “Sou uma slut e criei as minhas filhas para serem umas sluts.” Continue lendo “As duas metades de um corpo”
Capitães do atraso
Censura é algo inadmissível, abominável, execrável. Quem a determina imagina-se poderoso. Mas não raro acaba mordendo o rabo, provocando a divulgação maciça do que gostaria de banir do mapa. Uma saborosa vingança devidamente aplicada ao prefeito Marcelo Crivella, que mandou, sem sucesso, recolher o gibi Jovens Vingadores à venda na Bienal do Livro do Rio. Continue lendo “Capitães do atraso”
Machista, egocêntrico e misógino
Jair Bolsonaro, o capitão, é machista, misógino e egocêntrico. Desrespeita as mulheres de forma cabal, a ponto de dizer que foi numa fraquejada que engravidou sua terceira mulher de uma menina. Continue lendo “Machista, egocêntrico e misógino”
Os limites do bolsonarismo
A vitória de Jair Bolsonaro foi vista por muitos como o início de um novo ciclo de longa direção, em sintonia com a onda nacional-populista que varre o mundo. Um dos líderes petistas, José Dirceu, com boa dose de realismo, alertou seu partido quanto à longevidade da hegemonia da extrema-direita estabelecida com a assunção do bolsonarismo. Continue lendo “Os limites do bolsonarismo”
Tanta vida, tanta morte
É rara a pessoa que só morre uma vez. Até James Bond nos aconselha a viver duas vezes para podermos morrer outras tantas. Mas ninguém morre tanto como o escritor. O escritor morre em cada personagem, falece-lhe a vida a cada romance que acaba. Machado de Assis morreu em Brás Cuba e foi já a sua finada mão a escrever essas memórias póstumas. Com o fino humor que só quem morreu tem. Continue lendo “Tanta vida, tanta morte”
Alberto Goldman, um artesão da unidade
A era de Aquário tinha ficado para trás. O Brasil vivia o clima do ame-o ou deixe-o do governo Médici. O “milagre econômico” entorpecia a classe média e parcelas de trabalhadores que passavam a ter acesso a bens duráveis. A ditadura vivia o seu período mais truculento, enquanto a esquerda armada, com suas ações de assalto a banco e sequestros, se isolava da sociedade. A desarticulação política se espraiava, com vários setores aderindo à tese do voto nulo para as eleições de 1970. Continue lendo “Alberto Goldman, um artesão da unidade”
Moro, patrimônio em chamas
Com um abraço cenográfico após afagos que culminaram na máxima “Moro é patrimônio nacional”, o presidente Jair Bolsonaro esforçou-se para parecer ter deixado de lado a beligerância que deflagrou há meses contra o seu ministro da Justiça. Isso se deu durante a cerimônia de lançamento do Em Frente Brasil, nome que já serviu a outros fins em outros governos e agora batiza o Programa Nacional de Enfrentamento à Criminalidade Violenta. Continue lendo “Moro, patrimônio em chamas”





