Quando o dragão secular foi derrotado

A inflação foi um tormento na vida dos brasileiros desde os tempos do encilhamento de Rui Barbosa, no início da República Velha. Abateu ministros da Fazenda, degolados de seus postos por não conseguirem livrar o país desse pesadelo: nos primeiros 40 anos da República a pasta teve nada menos do que 25 ministros. Continue lendo “Quando o dragão secular foi derrotado”

Realismo socialista

O filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa, disponível na Netflix, é uma peça digna do realismo socialista dos tempos de Josef Stalin e seu principal teórico, Andrej Zdanov. Dos anos 30 aos 50, a cultura soviética converteu-se em arte oficial, a serviço de uma ideologia e de um Estado totalitário. Continue lendo “Realismo socialista”

Palmar 20 milhões ao banco

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Foi antes de se inventar o assalto ao banco. Era disso que, nos anos 60 e 70, se queixava a polícia francesa: Jacques Mesrine assaltava bancos antes de se inventar o assalto ao banco. Corrijo e digo à verdade, o que ainda não se inventara fora o asséptico assalto ao banco. Nem nos sonhos dos mais pervertidos havia um húmido Lehman Brothers, um BPN de perna aberta, um nuínho BES. Continue lendo “Palmar 20 milhões ao banco”

As urnas acima de tudo

Nada há de novo na novidade da semana: o presidente Jair Bolsonaro é candidato à reeleição. E é meia-verdade dizer que isso contraria seu discurso de campanha, visto que já vinculava o fim da reeleição a uma reforma política com redução do número de congressistas. Discurso semelhante ao que sustenta agora, ainda que nem lá nem cá tenha conseguido mostrar qualquer relação de causa e efeito. Nada fez pela reforma. Por via das dúvidas, não desceu um só dia do palanque. Continue lendo “As urnas acima de tudo”

O Congresso surpreende

No alto de sua sabedoria, Ulysses Guimarães respondia “esperem o próximo Congresso” para quem reclamava da baixa qualidade do Parlamento. O velho cacique tinha razão. A cada nova legislatura, sentia-se saudades da antiga. Essa lógica está sendo contrariada pela atual.  Ainda é cedo para concluir que a mudança é definitiva, mas é visível sua melhora em relação à anterior, nestes primeiros meses. Continue lendo “O Congresso surpreende”

Três, disse Frank Sinatra

Não vos vou falar de uma precipitação qualquer. Falo-vos de uma precipitação de Frank Sinatra. Tinha Judith Campbell uns 25 anos e quem diz Judith, diz Guerra Fria, FBI, Baía dos Porcos, a garganta cortada de Fidel de Castro, como outra Judith degolou a de Holofernes. Continue lendo “Três, disse Frank Sinatra”

Bolsonaro e Lula lucram com Moro ferido

Ter um ministro da Justiça suspeito de atentar contra a própria Justiça seria desconfortável para qualquer governante. Para Jair Bolsonaro, o episódio que animou os adversários é quase uma bênção, que realoca o debate para o campo simplista das paixões entre os pró e os contra a Lava-Jato. Um ambiente usado com sucesso na campanha, que dá ao presidente chances de voltar a ter nas mãos rédeas que andavam soltas. Continue lendo “Bolsonaro e Lula lucram com Moro ferido”

A máquina de moer ministros

Tenho achado difícil tirar conclusões das mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Surrupiadas por peritos hackeadores dos celulares do ministro, do procurador e de outras autoridades envolvidas com a operação Lava-Jato, são mensagens que não permitem conclusões fáceis, já que os envolvidos não negam nem admitem sua veracidade, alegando que as provas, se houvesse, já teriam sido desarquivadas há tempos. Continue lendo “A máquina de moer ministros”

Desafios que nos unem

Em seu livro “O progressista de ontem e o do amanhã”, Mark Lilla, intelectual da esquerda liberal dos Estados Unidos, faz uma profunda crítica à prioridade dada a causas identitárias, que teria sido grande responsável pela derrota do Partido Democrático para o republicano Donald Trump. Continue lendo “Desafios que nos unem”

Um tombo do Entroncamento

O seu bigode tinha todos os traços dos ideais republicanos: dois arcos reflexivos, pontas enroladas a apontar o céu, enfim, uma andorinha de asas abertas a decorar o lábio superior. Este é o bigode de Paul Deschanel e o voto dos eleitores fez desse bigode e de Deschanel o Presidente de França por sete meses e poucos dias. Continue lendo “Um tombo do Entroncamento”

Bolsonaro se finge de tolo

Ninguém poderia se dar ao luxo de priorizar o supérfluo quando o essencial agoniza. Mas nem os 13,4 milhões de desempregados, a economia estagnada, beirando a recessão, a violência crescente, a miséria abundante, a saúde e educação em frangalhos, afastam o presidente Jair Bolsonaro de privilegiar uma agenda acessória, limitada aos seus fiéis. Continue lendo “Bolsonaro se finge de tolo”