Pesca à linha

Nesse tempo ainda se ia à pesca. Foi há menos de um século, começo dos anos 30, que o escritor William Faulkner e o realizador Howard Hawks foram à pesca. Leva­ram o actor Clark Gable. Gable não sabia que Faulkner era um escritor, mas cheirou-lhe a inte­lec­tual e perguntou quem eram os melho­res escri­to­res. “Hemingway, Willa Cather, Tho­mas Mann, John dos Pas­sos e eu” res­pon­deu Faulk­ner, incluindo-se, sem falsa modés­tia. Gable ficou de boca aberta: “Você escreve, Mr. Faulk­ner?” “Sim, Mr. Gable. E o senhor o que faz?” Continue lendo “Pesca à linha”

É mentira demais

Política já foi definida como a arte do diálogo, do convencimento ou, simplesmente, do possível. Ainda assim sempre foi propagadora de invencionices, calúnias contra adversários, promessas vazias e mentiras, práticas correntes agora turbinadas pelo advento das redes sociais. Por meio delas, como bem sabem as turmas do ex Lula e do presidente Jair Bolsonaro, criam-se verdades, alimentam-se tropas, destroem-se inimigos.  Continue lendo “É mentira demais”

Veias expostas

A América do Sul voltou a ser uma área de alta instabilidade, se é que em algum momento deixou de ser. O Chile – pais mais estável, de crescimento econômico sustentado e avanços sociais importantes, como a drástica redução da pobreza – vive dias de conflagração, com 15 mortos, toque de recolher e forças armadas nas ruas. Continue lendo “Veias expostas”

De canhão apontado

Tiananmen é uma criação platónica do meu amigo Victor. A vagarosa humanidade abriu os olhos, espantada, em 1989, para os protestos na poética Praça da Paz Celestial, em Pequim. E abateu-se sobre as nossas almas o silêncio frio que precede a tragédia, quando um solitário cidadão chinês, singela camisa e calça, opôs a sua humilde fragilidade tolentina ao poder dos explicativos tanques que o comité central mandou para dissuasiva conversa com o povo da rua. Continue lendo “De canhão apontado”

Perdidos nas instâncias

O Supremo Tribunal Federal volta a se debruçar nesta semana sobre a possibilidade da prisão após condenação em segunda instância, com argumentos de um lado e de outro baseados na acepção que cada um escolhe dar ao conceito do “trânsito em julgado”. Continue lendo “Perdidos nas instâncias”

O triunfo das nulidades

Ontem, 17 de outubro, o STF iniciou o julgamento sobre a legalidade da prisão em segunda instância. Não sei qual foi a intenção do presidente Jair Bolsonaro ao ir visitar, logo na véspera, o general Villas Boas, assessor especial do GSI – Gabinete de Segurança Institucional, internado no hospital do Exército. Se com certeza o capitão, ele mesmo, não saberia explicar o real motivo, como poderia eu afirmar alguma coisa? Continue lendo “O triunfo das nulidades”

A advogada joga o TSE no lixo

No afã de proteger seu mais ilustre e não tão defensável cliente nos imbróglios envolvendo o PSL, a advogada Karina Kufa mostrou que está disposta a fazer o diabo. Em entrevista ao jornal O Globo, ela jogou no lixo, com uma só vassourada, a Justiça Eleitoral e o seu colega Admar Gonzaga, ex-ministro do TSE, que, antes de integrar a banca do presidente, relatou e aprovou as contas de campanha de Jair Bolsonaro. Algo que, no mínimo, atenta contra a ética. Continue lendo “A advogada joga o TSE no lixo”

A guerra fria de Bolsonaro

“Temos inimigos dentro e fora do Brasil. Os de dentro são os mais terríveis.” Foi com esse espírito que o presidente Jair Bolsonaro participou de cerimônias no Rio de Janeiro e em São Paulo na última sexta-feira. No sábado foi a vez de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, se manifestar durante a 1ª edição do CPAC, uma conferência organizada em parceria com a União Conservadora Americana, com críticas à mídia e ao “domínio cultural marxista”. Continue lendo “A guerra fria de Bolsonaro”

Espanquem-me, sou um privilegiado!

Bret Weinstein tem a cara porreira e barbuda de esquerda que a esquerda tinha quando eu era de esquerda. Sejamos claros, Bret, professor de biologia na universidade americana de Evergreen, é de esquerda. Apoiou Bernie Sanders, fez músculo pelos ocupas de Wall Street. Fê-lo em nome da razão e da justiça social. Olha-se para a cara de Bret e apetece ir beber copos com ele. Continue lendo “Espanquem-me, sou um privilegiado!”

A prole acima de tudo

A poucos dias do segundo turno, o favorito Jair Bolsonaro anunciou que pretendia fazer uma “excelente reforma política”, acabando com o instituto da reeleição – “que começa comigo caso seja eleito” – e reduzindo a representação no Congresso Nacional em 15% ou 20%. Continue lendo “A prole acima de tudo”

A revolução cultural do bolsonarismo

A cultura é um campo permanente de batalha do bolsonarismo. O próprio presidente confessa que “pretende conservar os valores cristãos no setor”, eufemismo que significa censura e retrocesso, o que já vem sendo praticado nas ações culturais e patrocínios que envolvem a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Jair Bolsonaro admite ainda uma caça às bruxas na Funarte e na Ancine, para expurgar petistas que, segundo ele, infestam os dois órgãos. Continue lendo “A revolução cultural do bolsonarismo”

Larvas sociais

Nasceu no bairro de má fama de Filadélfia de onde vem o Rocky dos filmes. Tinha também punhos de pugilista, que usava sem cerimónia. Distingue-o, e talvez já seja eu a fazer-me interessante, a blenorragia ter sido o eixo da sua vida. Ia falar do cão francês, mas adiante. Continue lendo “Larvas sociais”

O Foro de Bolsonaro

Sob medida para o deputado e aspirante a embaixador dos Estados Unidos Eduardo Bolsonaro, com a participação do pai presidente, ministros de Estado e da nata da direita norte-americana, vem aí a Cpac-Brasil, anunciada como o “maior evento conservador do mundo” – megalomania só equiparável ao “nunca antes neste país” adotado pelo ex Lula. Continue lendo “O Foro de Bolsonaro”