Diga-me com quem andas…

… que eu te direi quem és. Bolsonaro desperta a curiosidade de muita gente. É natural. Um tenente expulso do Exército (foi a capitão por ser norma da época). Em seguida é eleito deputado e no Congresso passa 28 anos nas sombras, sem deixar uma marca positiva, apenas um ou outro relato de alguma ação negativa, resolve, junto com seus filhos, que vai ser presidente da República e consegue esse objetivo, tem mesmo que despertar curiosidade. É natural. Mais curiosidade ainda desperta a qualidade dos amigos que cultiva.

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América em chamas

Os Estados Unidos vivem o maior conflito racial desde o assassinato de Martin Luther King em 1968. Vinte e um estados adotaram o toque de recolher e as manifestações se espalharam por 140 cidades, entre elas grandes centros urbanos como Nova York, Washington, Chicago, Boston e Filadélfia. Pelas ruas soam as últimas palavras de George Floyd: “eu não consigo respirar”. O joelho de um policial de Minneapolis asfixiou Floyd até a morte e sufocou a América com o esgarçamento de uma chaga que vem dos tempos da escravidão. Continue lendo “América em chamas”

Sim, sou marxista

Gosto eu bem mais de Karl Marx do que todos os marxistas juntos. Anafado, cabelos desalinhados, que o faziam parecer um urso, vejam-no com as filhas, num picnic no Hyde Park: teriam comido ovos verdes e bolinhos de bacalhau se a condessa Jenny, sua mulher, ou Helene, a governanta, soubessem fazer ovos verdes ou bolinhos de bacalhau. Continue lendo “Sim, sou marxista”

Cão que late

O Brasil vive sob um governo falastrão. E nefasto. O presidente Jair Bolsonaro cospe besteiras, faz piadas ofensivas sem qualquer graça, arrota bravatas. Vai e volta em subidas e descidas de tom, agressões e desculpas, latidos sem mordida. É o gerador oficial de notícias falsas, portanto, sem condições morais de espernear quanto a investigações sobre falácias virtuais ou presenciais. Continue lendo “Cão que late”

22 de abril de 2020 – Dia Nacional do Horror

Nesse dia nós, brasileiros atentos que acompanhamos as notícias diárias, tivemos certeza de quem são os componentes do ministério Bolsonaro & Filhos. Sabíamos que a maioria não era flor que se cheire, mas não sabíamos até que ponto eram insalubres. Depois de ver o vídeo da reunião ministerial desse dia 22, tivemos a certeza de quem são. Continue lendo “22 de abril de 2020 – Dia Nacional do Horror”

Militares, volver!

O quanto o ativismo militar conturbou a vida da nação é uma questão já decidida pela História. Interessa agora saber por que os militares deixaram de se ater exclusivamente às suas funções profissionais e constitucionais para assumir protagonismo político. Também faz-se necessário alertar sobre os riscos que esse caminho embute, capaz de afetar a imagem das Forças Armadas, comprometendo, assim o ativo conquistado com a democratização do país, quando recuaram organizadamente para os quartéis. Continue lendo “Militares, volver!”

Fazia amor por amor de fazer amor

É que é um cabrão de um deserto! Eis o que um, e logo outro dos meus amigos, me disse. Falavam do confinamento destes dias, dunas de clausura, deserto de quarto, sala, cozinha, batidíssimo pela fina areia doméstica. Ora, ninguém conheceu o deserto como o conheceu Isabelle Eberhardt. Continue lendo “Fazia amor por amor de fazer amor”

Vídeo letal

Nem a bala de prata, ansiada por tantos, muito menos uma espoleta, tiro de festim ou n’água, como fingiu o presidente Jair Bolsonaro. Os efeitos da exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril se parecem mais aos da proibida dum-dum: estilhaçam o alvo por dentro. Expõem as vísceras de um presidente que pensa nele e em sua família acima de tudo e todos, e de um governo avesso à democracia, com uma visão bizarra e ultrajante de liberdade. Continue lendo “Vídeo letal”

Difícil compreender

Confesso não conseguir compreender o motivo, ou os motivos, que levaram os militares a jogar fora o respeito que conquistaram do país ao longo dos anos que se sucederam à ditadura de 64. Trabalharam muito por isso e foram vitoriosos. Da triste imagem que deixaram dos vinte anos que dominaram o Brasil, os fardados passaram a ter o respeito e a admiração da sociedade, pelo modo como se portaram até 2018. Continue lendo “Difícil compreender”

Liberais versus desenvolvimentistas, de novo

Recentemente o presidente Jair Bolsonaro arbitrou por duas vezes em favor do ministro Paulo Guedes; com isso os liberais ganharam o primeiro round de uma disputa que está longe de se encerrar.  O Pró Brasil – esboço de projeto intervencionista na economia, defendido pelos militares e pelo ministro do desenvolvimento regional, Rogério Marinho – não foi enterrado. Continue lendo “Liberais versus desenvolvimentistas, de novo”

O ânus cantor

Flatulava como quem fala. E eu estou a falar – a ver se não me confundo – de Joseph Pujol. Podia descrever-lhe o rosto anguloso, o bigode farto e negro a contrastar com a palidez do rosto, mas seria confundir o cu com as calças. Não era para a cara de Pujol que seja quem for olhava. Continue lendo “O ânus cantor”

Bolsonaro já era

Ouvir a filha ou o filho por detrás da porta antes que ela engravide ou que o “moleque” encha “os cornos de droga” traduz com exatidão como o presidente Jair Bolsonaro enxerga o mundo e como aplica esse olhar nocivo às questões de Estado. Não à toa, considera normal exigir informações de “inteligência” da Polícia Federal, aquelas de coxia, colhidas às escondidas, do lado de fora da porta dos trâmites legais. Continue lendo “Bolsonaro já era”

Como perder a guerra

Quem erra na estratégia perde a guerra. O conceito militar explica muito bem as razões pelas quais o Brasil está sendo derrotado pelo coronavírus a ponto de o epicentro da pandemia se deslocar para o nosso país. O método adotado pelo presidente foi o de povoar as ruas, com a ideia de que os mais fortes se adaptariam à Covid-19 e seguiriam todos em frente, imunes e sem maiores problemas. Esqueceu de pensar no que aconteceria com os mais fracos, leia-se os mais pobres, os idosos e as pessoas com comorbidades. Continue lendo “Como perder a guerra”

Bolsonaro se acha

Apropriar-se do público como se privado fosse não é um delito exclusivo do presidente Jair Bolsonaro. Longe disso. O ex Lula era um expert, a cassada Dilma Rousseff burilou a prática. Mas, como as instituições nada fizeram para colocar freios a essas transgressões, elas ganharam ares de normalidade. Viraram um sonoríssimo “e daí?”. Continue lendo “Bolsonaro se acha”

O que estamos esperando?

Leio tudo que posso sobre política, sigo todo o noticiário, acompanho as entrevistas, não perco os artigos de nossos ótimos jornalistas, mas não encontro nem um fio de explicação sobre os motivos que levam Rodrigo Maia a ignorar os pedidos de impeachment que dormem em sua gaveta. Continue lendo “O que estamos esperando?”