Na semana do trágico 31 de março, data que desde os tempos de deputado Jair Bolsonaro glorifica, o presidente tentou endurecer com comandantes militares e acabou enquadrado pelas três Forças. Teve ainda de fazer novas mesuras ao Centrão para agradar o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que o ameaçou com o “sinal amarelo” do impeachment, e ao mensaleiro Valdemar da Costa Neto, dono do PL. Acuado, no dia seguinte aos 57 anos do golpe que pela primeira vez ele não comemorou, o “Rambo Bolsonaro” virou o que sempre foi: um sonoro 1º de abril. Continue lendo “Cai o mito do valentão”
A crise invade os quartéis
A última vez que um presidente da República deflagrou uma crise ao demitir sumariamente um general em posto de comando foi no episódio Sílvio Frota, quando Ernesto Geisel degolou seu ministro da Guerra. Agora, depois de 44 anos, Jair Bolsonaro volta a demitir sumariamente um ministro da Defesa, o general de Exército Fernando Azevedo e Silva. Continue lendo “A crise invade os quartéis”
Uma máscara para Bolsonaro
A progressão geométrica de mortes e doentes, muitos à deriva em hospitais agonizantes – somada à aceleração dos índices de rejeição e à vinculação popular da pandemia com o presidente -, disparou a sirene de alerta do governo antes do “sinal amarelo” emitido por Arthur Lira (PP-AL). A ideia – e o comercial no horário nobre da arqui-inimiga TV Globo demonstra isso – foi lançar uma ofensiva de comunicação para tentar salvar, a qualquer custo, a combalida imagem do capitão. Continue lendo “Uma máscara para Bolsonaro”
Golpismo a céu aberto
O presidente Jair Bolsonaro tem explicitado, de maneira clara e cristalina, a intenção de implodir a democracia brasileira. Esse é o sentido da frase “só Deus me tira da Presidência” e da ameaça de “tomar medidas drásticas” porque “estão esticando a corda demais”. A cantilena autoritária o leva a tratar as Forças Armadas como “meu exército”, como se elas deixassem de ser instituições de Estado para se transformar em sua guarda pretoriana, leais não à Constituição, mas a ele. Continue lendo “Golpismo a céu aberto”
Ação Direta de Irresponsabilidade
Ele nunca teve qualquer respeito pelo Congresso e demais esferas de poder, sempre fez pouco caso das instituições. (Des)governa pelas redes sociais, escorraçando qualquer um que dele ouse discordar. Agora, via uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra restrições para deter a circulação do coronavírus impostas pelos governadores do Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul, o presidente Jair Bolsonaro materializa em juridiquês a via direta que sempre desejou, sem ser atrapalhado por opositores e intermediários. Continue lendo “Ação Direta de Irresponsabilidade”
O Lampedusa da Saúde
Jair Bolsonaro sentiu necessidade de fazer algo diante da queda de sua popularidade, em decorrência de sua política negacionista, da ameaça que pode representar a CPI da Saúde no Congresso Nacional e da elegibilidade de Lula. A história lhe deu a última oportunidade de ruptura com a desastrada condução no enfrentamento da pandemia: demitir o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e nomear alguém competente para a área. Continue lendo “O Lampedusa da Saúde”
Sob o domínio do mal
Instabilidades política e econômica costumam colocar as instituições em xeque. Se a elas acrescenta-se o mais grave flagelo sanitário dos últimos 100 anos, tudo tende a explodir. E explodiu. Pouco adianta dourar a pílula com a lenga-lenga de que os “homens passam e as instituições ficam”. O Brasil vive uma crise institucional grave, com arreganhos golpistas e inconstitucionalidades rotineiras praticadas por aqueles que deveriam assegurar o cumprimento da lei e proteger a democracia. Continue lendo “Sob o domínio do mal”
Mario Covas: a política por vocação
Max Weber, grande nome da sociologia política, dividia os políticos em duas categorias: os que vivem da política e os que vivem para a política, exercendo-a como um sacerdócio. Mario Covas, cujo falecimento completou 20 anos, foi um desses sacerdotes e, mais que nunca, é um grande exemplo de homem público para os tempos atuais do Brasil. Continue lendo “Mario Covas: a política por vocação”
O homem mau
Jair Bolsonaro é um homem mau. Narcisista (que se acha um mito a ser admirado), psicopata (sem empatia com os outros) e “maquiavelista” (faz o diabo em nome de seus interesses), ele se enquadra com precisão no que a psicologia chama de “tríade obscura” para caracterizar uma “pessoa ruim”. Deveria ser legalmente interditado. Continue lendo “O homem mau”
A guerra perdida
Na última semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou o início do feriado do Purim – festa judaica para celebrar a salvação dos judeus persas, descrita no livro de Ester – e contracenou com um humorista na televisão, combatendo fake news sobre vacinas. No mesmo dia Jair Bolsonaro fez uma live no sentido inverso, para combater o uso de máscaras como medida preventiva ao coronavírus. Os dois episódios ilustram por que Israel é um caso de sucesso na vacinação em massa e o Brasil é uma tragédia de proporções crescentes. Continue lendo “A guerra perdida”
Sob o domínio dos ratos
Relaxamento da lei da improbidade e das regras para prisão de parlamentares, com abrandamento na Lei da Ficha Limpa. O pacote da impunidade, deflagrado fora dos ritos regimentais e com celeridade jamais vista, é o primeiro efeito prático da aliança deletéria entre o centrão e o presidente Jair Bolsonaro, aquele que enganou seus eleitores se dizendo um combatente da corrupção. Continue lendo “Sob o domínio dos ratos”
O custo da guinada nacional-populista
A Petrobras volta a ter um presidente militar, depois de 32 anos. Desde a campanha “o petróleo é nosso”, a estatal é uma questão sensível para as Forças Armadas. À época, dividiam-se entre “nacionalistas” como Horta Barbosa e Estilack Leal – defensores do monopólio estatal, – e “entreguistas” liderados por Juarez Távora e Eduardo Gomes, adeptos da presença do capital estrangeiro na exploração petrolífera. Continue lendo “O custo da guinada nacional-populista”
Impeachment por traição
Está lá na página 74: “os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais…”. Na página 10, outra garantia: “faremos uma aliança da ordem com o progresso, um governo liberal democrata”. No caput, o compromisso com um “governo decente…sem toma lá-dá-cá, sem acordos espúrios”. Continue lendo “Impeachment por traição”
O país do passado
Países entram em declínio. Perto de nós temos um exemplo clássico, a Argentina. Nas três primeiras décadas do século passado fazia parte do rol das nações desenvolvidas, com um PIB per capita igual ao da Alemanha e superior ao da Itália, Espanha e Suécia. Era uma economia aberta, conectada ao mundo. Entrou em decadência com a ascensão do peronismo na década 40 em virtude do fechamento de sua economia. De país do futuro, virou o país do passado. Até o tango, expressão da alma, ficou parado no tempo, símbolo da nostalgia de sua belle époque. Continue lendo “O país do passado”
Bolsonaro vai passar
Talvez a culpa seja do cancelamento do carnaval, dias de alegria, mesmo fugazes, em que “uma ofegante epidemia” invade o corpo e a alma da nossa “pátria-mãe tão distraída”. Em vez de folia, peito apertado, coração doído, bolso e barriga vazios, incertezas. Continue lendo “Bolsonaro vai passar”
