Nem fácil, nem barata. A reforma tributária aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada não é a dos sonhos de ninguém, e sim a possível. Teve idas e vindas, ameaças, brigas e caras feias, perdas e ganhos, e até concessões absurdas, como a dada às organizações religiosas. Mas fora o ex Jair Bolsonaro, que se auto-derrotou mais uma vez, o país venceu. A política venceu. Continue lendo “A política venceu”
O antigo versus o moderno no Brasil
A História do Brasil tem sido marcada por um constante conflito entre o arcaico e o moderno. Esse embate atravessou séculos e influenciou muitos aspectos da sociedade brasileira. O país só conseguiu avançar quando o novo foi capaz de sobrepujar o antigo, deslocando os interesses arraigados nos aparelhos do Estado. Exemplos notáveis dessa transformação foram a derrocada da oligarquia cafeeira e o fim da República Velha, que impulsionaram o Brasil em direção à industrialização e à modernidade durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Continue lendo “O antigo versus o moderno no Brasil”
Inelegível enquanto dure
Tchau, querido! Imbroxável, imorrível, inelegível! Essas e outras frases, memes e brindes ocuparam as redes e os bares em comemoração à punição de Jair Bolsonaro, proibido pelo TSE de disputar eleições até 2030. Festa legítima de quem aturou o ex por quatro anos, ou melhor, quase 30 anos. Mas como no Brasil dois mais dois nem sempre somam quatro, é preciso incluir na conta a conveniência da vez. Pelo menos é o que dita a história recente de presidentes e ex-presidentes condenados – todos perdoados. Continue lendo “Inelegível enquanto dure”
O PSDB e a identidade perdida
Trinta e cinco anos após a sua fundação, o Partido da Social-Democracia Brasileira pouco, ou quase nada, tem a ver com o partido fundado por Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, José Serra, José Richa e uma legião de grandes homens públicos do Brasil. Continue lendo “O PSDB e a identidade perdida”
Salve o papa!
A notícia é alvissareira: na sexta-feira, 23, ainda que sob pressão, o Brasil endossou resolução da OEA que critica o regime de Daniel Ortega e pede democracia na Nicarágua. O aval ao documento é uma bem-vinda virada da política externa de Lula, que há 40 dias se negou a assinar declaração semelhante da Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Responde também ao papa Francisco depois de o pontífice apelar ao presidente brasileiro para que ele interceda pela libertação do bispo de Matagalpa, dom Rolando Álvares, condenado a 26 anos como “traidor da pátria”. Resta saber a extensão da mudança: se chegará às demais ditaduras latinas – Cuba e Venezuela – ou se a posição é pontual, para o papa ver. Continue lendo “Salve o papa!”
A cruz e a caldeirinha
Nos tempos antigos, e bota antigo nisso, a família do moribundo colocava sobre sua testa um crucifixo e aos seus pés um pote de barro com água benta. O padre era chamado a dar a extrema unção e a família ficava então aguardando e orando pelo desenlace. Continue lendo “A cruz e a caldeirinha”
O legado de Fernando Henrique Cardoso
O tempo, quanto mais passa, mais nos permite análises desapaixonadas. Com esse espírito, o economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do primeiro governo de Lula, fez um robusto balanço da era FHC, no artigo “Fernando Henrique, um estadista entre nós”. O ex-presidente chegou aos 92 anos no último domingo e ao longo de sua vida construiu uma densa trajetória como intelectual e homem público. Continue lendo “O legado de Fernando Henrique Cardoso”
O golpe nas quatro linhas
Estado de sítio decretado “dentro das quatro linhas”. Está lá escrito no documento extraído pela Polícia Federal do celular do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pelo que se sabe até agora – e ainda falta muito a ser esclarecido -, as tais quatro linhas popularizadas pelo ex para dizer que agia dentro dos limites da Constituição se aplicam melhor às suas opções golpistas. Continue lendo “O golpe nas quatro linhas”
O esgotamento presidencialismo de coalizão
Em 1988 o sociólogo e escritor Sérgio Abranches cunhou o termo “presidencialismo de coalizão”, em alentado artigo publicado na revista Dados. Chamava a atenção para a diferença entre nosso modelo e o presidencialismo dos Estados Unidos. Lá funciona o bipartidarismo e é possível o presidente do país governar mesmo sem maioria no Parlamento. Nosso modelo político advindo da Constituição-Cidadã gerou um quadro de multipartidarismo no Congresso Nacional e tornou impossível o presidente governar sem construir uma coalizão majoritária. Sem ela, não há como aprovar emendas constitucionais dada a exigência de ter 60% dos votos dos parlamentares.
Aqui jaz o Brasil
Os números são indecentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala de um passivo de 14 mil obras inacabadas. Sem os exageros ditados pela conveniência do petista, o Tribunal de Contas da União aponta 8.603 empreendimentos abandonados, 41% das 21 mil obras públicas existentes no país. Sob qualquer ótica, o balanço indica uma realidade inconteste: o Brasil é um cemitério de obras públicas. Enterra dinheiro do pagador de impostos e perpetua a pobreza enquanto irriga votos e enche os bolsos dos privilegiados de sempre.
Bons exemplos
Meus pitacos desta semana vão para o presidente Lula. Depois de na semana passada ter-me decepcionado com a indicação de seu advogado pessoal para o STF e com seus afagos infantis a Nicolás Maduro, agora ele ganha meu aplauso com a decisão de não ir à Marcha dos evangélicos por Jesus. Continue lendo “Bons exemplos”
2013: não foi só por 20 centavos
Há dez anos inaugurava-se no Brasil uma nova forma de mobilização, com as jornadas que reuniram multidões em diversas cidades do país. Fenômeno semelhante tinha acontecido antes, com a chamada “Primavera Árabe” e os “Indignados” na Espanha. Em comum, tais movimentos fugiram do escopo das manifestações tradicionais, organizadas de forma vertical por partidos políticos, sindicatos ou movimentos sociais, na maioria das vezes de esquerda. O novo fenômeno foi chamado de “enxameamento”, porque as pessoas saiam espontaneamente das redes sociais para as ruas, sem estruturas hierarquizadas e de forma horizontal. Continue lendo “2013: não foi só por 20 centavos”
Ele não é mais aquele
Ao fim de uma semana em que quase foi eletrocutado com um choque de realidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reinventou a roda ao pregar o princípio basilar da política: a necessidade de “conversar com quem não gosta da gente, que não votou na gente”. O dito, óbvio até para leigos, destoa na boca de alguém tão experiente, tido e havido como um craque nessa arte. Em sua defesa, pode se dizer que a frase carrega um tom de mea-culpa para um Lula errático que tem metido os pés pelas mãos e hoje não dialoga com ninguém. Continue lendo “Ele não é mais aquele”
Aberrações múltiplas
Esta foi uma semana rica em aberrações que vale a pena lembrar, execrar e, se possível, pedir ao Senhor que não permita repetecos. Continue lendo “Aberrações múltiplas”
O fantasma da censura
De tempos em tempos a realidade imita a ficção. A recente onda de censura a livros em escolas e bibliotecas dos Estados Unidos nos faz lembrar da sociedade distópica e autoritária do livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Na sociedade imaginária livros são proibidos e queimados pelo governo, com o objetivo de controlar o pensamento e a opinião pública. Continue lendo “O fantasma da censura”




