A realidade inspira a arte. Os excessos de realidade bloqueiam-na. Hoje, a implacável realidade, uma equívoca bandeira, a baleia do desemprego, constrangem a criatividade. Livros e filmes nascem de pequenas pinceladas de realidade, não de uma realidade ciclónica que os afogue. Continue lendo “A vida tem excesso de imaginação”
O fígado em recesso
Salvo melhor juízo, o PT resolveu criar juízo, pelo menos provisoriamente, e adiar para Deus sabe quando a divulgação do seu manifesto contra o STF criticando a condenação de algumas de suas eminências pardas no julgamento do mensalão. Continue lendo “O fígado em recesso”
Sobre postes e apagões
No final da noite da última quinta-feira, quando nove estados do Nordeste, parte de Tocantins, do Pará e do Distrito Federal ficaram mais uma vez no breu, piadas começaram a pipocar nas redes sociais. A maioria delas mangava da frase de Lula – “de poste em poste vamos iluminar o Brasil inteiro” –, dita nos palanques de Campinas e de Fortaleza. Continue lendo “Sobre postes e apagões”
A multidão unânime
“Não troque o certo pelo duvidoso!”
Essas são palavras do maior e mais experiente palanqueiro que este país já viu. Quando se trata de escolher em quem votar, concordo inteiramente com Lula. Aliás, devo essa lição a ele. Votei no novo em 2002. Continue lendo ““Não troque o certo pelo duvidoso!””
A luta pelo cérebro vermelho
Quando o eloquente Adlai Stevenson disputava a presidência dos EUA com Dwight Eisenhower, uma mulher entusiasmada disse ao candidato Democrata, depois de um comício: “Todo ser pensante vai votar em você”, ao que Stevenson supostamente respondeu: “Senhora, isso nao é suficiente. Preciso da maioria”. Continue lendo “A luta pelo cérebro vermelho”
A luva branca
Usava luvas. E, filho de mãe de origem francesa, uma desiludida bengala aristocrática. Escrevia tão bem como se vestia. Uma elegância céptica em cada frase. Um elaborado ritmo descritivo que sugere acção e intriga onde acção e intriga quase não existem. É preciso talento. E combinar bem tumultuosos substantivos com discretos adjectivos. Continue lendo “A luva branca”
O bocejo das urnas
Para quem se dedica a olhar o mundo pelo universo das redes sociais, ou até mesmo da imprensa convencional, o segundo turno das eleições, principalmente as de prefeito de São Paulo, parece antecipar a batalha do Armageddon – o conflito final. Continue lendo “O bocejo das urnas”
Os com-moral
Derrotado no primeiro turno por Paulo Maluf, por 32,2% contra 22,9%, e com apenas 70 mil votos de frente sobre a terceira colocada Marta Suplicy, em 1998, Mario Covas virou o jogo e se reelegeu a partir de um mote único: moral. Continue lendo “Os com-moral”
Três balas e uma laranja
Enterremos hoje os nossos sonhos como ontem Michael Corleone enterrou os dele. Foi no primeiro, o mais perfeito The Godfather. Don Vito Corleone já fora baleado antes. Ouvira-se o barulho seco dos tiros e o Padrinho dançara hesitante, um pé a fugir ao outro, o vulto patriarcal a tombar sobre uma banca da fruta e legumes. Duas, talvez três balas no corpo, e uma laranja a rolar no cansado alcatrão. Continue lendo “Três balas e uma laranja”
Alegria sem graça
Estava muito alegre ao abrir o jornal ontem e ver aquela série de fotos de todos os condenados pelo STF, com os crimes cometidos por eles bem explicados ao lado, quando então fui tomada por um sentimento de tristeza e desânimo acentuado. Continue lendo “Alegria sem graça”
Caíram as pedras do muro
Sim, o ex-presidente Lula tem razão: estamos preocupados com o Palmeiras ameaçado pelo fantasma da série B. Continue lendo “Caíram as pedras do muro”
A connection of 43 years
They didn’t have the Internet, but old time letters did it.
Writing each other consistently, Delza de Assis Viana, Brazilian, and Jean-Claude Valognes, French, have built a friendship that has spanned more than four decades. Continue lendo “A connection of 43 years”
A eleição da ética
Os resultados das urnas podem até não confirmar de todo a premissa, mas as eleições de 2012 conseguiram reacender parâmetros éticos há muito desprezados por muitos. Sanear e punir são os primeiros – e enormes – passos nessa direção. Continue lendo “A eleição da ética”
Começa sem mim
Nenhuma janela é indiscreta. Há janelas em todos os filmes de Hitchcock, mas foi na janela das traseiras que ele filmou a sua melhor obra. A janela das traseiras dá para as traseiras do mundo e é pelas traseiras que o mundo se deixa filmar. Continue lendo “Começa sem mim”



