Dilma, a neoliberal

Há tempos Dilma Rousseff não tinha uma semana de tantas boas novas. Colheu o sucesso da 11ª rodada de licitação de petróleo e gás, a primeira realizada em cinco anos, e aprovou a MP dos portos, ainda que a penas duríssimas, impondo ao Congresso humilhação e vexame. Continue lendo “Dilma, a neoliberal”

Foi contra tudo isto que lutámos

zzzzzzcannesPassaram-se tan­tas coi­sas em Can­nes. Houve um tempo em que ia lá todos os anos. Entre o fes­ti­val de cinema, os gran­des mer­ca­dos de tele­vi­são, duas, três vezes ao ano, ali ao lado das encos­tas que Picasso, Cal­der, Fitz­ge­rald esco­lhe­ram para pin­tar e escrever. Continue lendo “Foi contra tudo isto que lutámos”

Porto inseguro

Dilma Rousseff, Lula e o PT só pensam naquilo: reeleição, eleição, reeleição. Não necessariamente nessa ordem, já que depende da maré – leia-se, da economia – quem será o protagonista em 2014. Continue lendo “Porto inseguro”

A lição do juiz poeta

Na tevê, o jornalista quer saber de Carlos Ayres Britto, ex-ministro e presidente do STF, qual a sua opinião sobre o propagado conflito entre o Congresso e o Supremo. Com sua tranquila serenidade, que os brasileiros atentos já se acostumaram a admirar, ele joga toalha fria nos que apostam em confronto. Continue lendo “A lição do juiz poeta”

O coração numa bandeja

zzzzzzzhanibal

Mesmo alguém que não se cha­masse Coe­lho estre­me­ce­ria ao ouvir a voz melan­có­lica de Pedro I, rei de Por­tu­gal, orde­nar: “Preparem-me esse coe­lho que tenho fome.” Num conto de Os Pas­sos em Volta, de Her­berto Hel­der, um dos assas­si­nos de Inês, Pêro Coe­lho, de joe­lhos entre os guar­das, reco­nhece o direito de vin­gança do monarca e sabo­reia a iro­nia da frase real. Continue lendo “O coração numa bandeja”

Do testezinho de Hélio Cabral à tristeza

“Testezinho aí, senhor?”, ele perguntava. Pegava uma foto, cena de um filme, tapava pedaços que poderiam revelar qual era o filme, qual era o ator ou atriz que aparecia na foto (muitas eram fotos de publicidade, enviadas aos jornais pelos distribuidores), e fazia a pergunta: “Testezinho aí, senhor?” Continue lendo “Do testezinho de Hélio Cabral à tristeza”

Eu só queria entender

Dizem que nas décadas de 20 e 30 do século passado a moral das classes altas e a da classe artística era muito elástica, ou melhor, era muito frouxa. As aparências enganavam, a hipocrisia campeava. O uso da droga era muito difundido, o álcool era livre, o adultério era quase obrigatório, os casamentos eram um contrato comercial e patrimonial, mais do que tudo. Continue lendo “Eu só queria entender”