A lembrança da infância me visita e numa das imagens rememoradas me vejo olhando, da janela da cozinha, para o quintal enorme da casa em que morávamos em Diamantina. Era uma casa que tinha sido, provisoriamente, escola. Tanto que ainda restavam, em cada quarto dela, a inscrição sala 1, 2, ou 3. Continue lendo “Era de madrugada”
Se roubar, faça
Obras sem projeto ou com projetos precários, caras, superfaturadas, com contratos aditados por uma, duas e sabe-se lá por quantas vezes. Boa parte delas atrasada, postergada, paralisada. Ano após ano, o governo joga nos bolsos de alguns poucos os bilhões de impostos dos muitos que trabalham e produzem riqueza, e que quase nada têm de volta. Algo de dar engulho, de alimentar a desesperança. Continue lendo “Se roubar, faça”
O homem que viveu com Bardot, Deneuve e Fonda
O livro de memórias de Roger Vadim é tão absolutamente repleto de casos incríveis, de incidentes espetaculares, de momentos fantásticos, que o leitor tem todo o direito de duvidar um pouco. De gritar truco! De achar que ali tem muita ficção, criada por uma cabeça especialmente imaginativa, criativa. Continue lendo “O homem que viveu com Bardot, Deneuve e Fonda”
Pernas de franga, tacões gigantes
Já vamos em trinta minutos de filme e ainda não a vimos. É então que ela se atira para o banco de trás do táxi de Travis Bickle, personagem que, por ser mais De Niro do que De Niro, lhe roubou a alma. Continue lendo “Pernas de franga, tacões gigantes”
Sólo le pido a Dios
Muitíssimas vezes me peguei pensando que sou uma pessoa extremamente privilegiada. Tenho plena certeza disso. Tive, até aqui, uma vida muitíssimo mais cheia de coisas boas do que seria o normal de se esperar. Muitíssimo mais do que os sonhos mais loucos. Continue lendo “Sólo le pido a Dios”
Brics terão série B
Um keynesiano em cada esquina para melhor servir você.
Lembra desse slogan? Era de uma loja que vendia artigos populares – claro que não tinha Keynes no slogan, era apenas uma loja. Continue lendo “Brics terão série B”
Direito à privacidade e liberdade de expressão
Nas democracias, após o estabelecimento do contraditório, nada mais natural do que a revisão de posições. Isto faz crescer quem não fica apegado a dogmas e quem leva em consideração a legítima pressão dos meios de comunicação e da opinião pública. A mudança de posição não é demérito para ninguém. Continue lendo “Direito à privacidade e liberdade de expressão”
Uma coisa e outra coisa
O deputado José Genoíno (SP) ainda presidia o PT quando lançou a pérola – “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” – para tentar explicar as inexplicáveis tramóias do mensalão. Continue lendo “Uma coisa e outra coisa”
Jorge e o feitiço mineiro
Pela primeira vez pisarei no palco da casa do amigo e lá ele não estará. A vida nos deu a pessoa extraordinária, o amigo de todas as horas, o amigo de todos, e de repente, traiçoeiramente, nos levou a figura amada. Continue lendo “Jorge e o feitiço mineiro”
Um autor, dois ladrões
É um livro, Taxi Driver, e começa exactamente onde o filme começou. Começa na cabeça de Paul Schrader. Da página 12 à 24, numa entrevista catártica, o livro mostra os miolos do seu criador. Continue lendo “Um autor, dois ladrões”
De conversa em conversa
Lula, 1º e Único Coração do Brasil, ganhou meu aplauso quando declarou que no Congresso Nacional, do qual ele fazia parte, havia 300 picaretas. Isso foi há muitos anos. Desde então, de conversa em conversa, ele veio se chegando até se tornar a Suprema Distinção entre os picaretas. Que já dobraram de número, tal qual coelho… Continue lendo “De conversa em conversa”
“Desde o surgimento da internet todo mundo é fascista”
A observação foi feita em tom irônico pelo professor norte-americano Douglas Harper em seu dicionário etimológico, e convenientemente lembrada esta semana pelo crítico literário Sérgio Rodrigues em seu blog. Esse passou a ser o xingamento campeão nas redes sociais. Continue lendo ““Desde o surgimento da internet todo mundo é fascista””
Más notícias do país de Dilma (121)
Este é um governo que acredita em Papai Noel, Saci Pererê, Eike Batista, fadas e duendes. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (121)”
Suportes físicos: o cerco se fecha
Hoje eu vi, com estes olhos que a terra há de comer depois de virar cinza, a Compact Blue começar a fechar sua última porta. Continue lendo “Suportes físicos: o cerco se fecha”
Go home, petroleiras
Existe alguma coisa mais inútil, ociosa ou ridícula do que a discussão semântica sobre privatização ou concessão? Pode ser, mas vai ser difícil encontrá-la. Continue lendo “Go home, petroleiras”


