Um bocado bruto de realidade

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Ainda hoje, a meio de um filme, quando acordo sobres­sal­tado do deli­ci­oso embalo de sono de um minuto, fico ali a pen­sar que estou a ver no ecrã a mais pura rea­li­dade, que aque­las som­bras não são acto­res, mas sim pes­soas a viver mesmo o que, por isso, tão bem representam. Continue lendo “Um bocado bruto de realidade”

Alzirinha

Acabei de ler a trilogia Getúlio, de Lira Neto. É uma senhora biografia. Brilhante. Mas, como nada é perfeito, tem um defeito para os leitores mais velhos: o peso de cada volume. Deve ser lido com o leitor sentado, em boa posição, com boa iluminação e apoio para o livro. Continue lendo “Alzirinha”

As fábulas de uma eleição

Fadas, reis, rainhas, príncipes, dragões, vovozinhas, lobos maus, além de monstros de toda espécie habitam as fábulas e seu universo de estereótipos que ajudam as mentes infantis a desenvolver a fantasia, a criatividade, e colaboram na absorção de princípios morais, nas boas regras de comportamento e no discernimento entre o bem e o mal. Continue lendo “As fábulas de uma eleição”

Más notícias do país de Dilma (153)

Os últimos sete dias não foram especialmente cheios de boas notícias para a presidente Dilma Rousseff. Na sexta, 5 de setembro, os portais dos grandes jornais começaram a trazer as revelações feitas ao Ministério Público pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, sobre o mar de lama instalado, durante os três governos petistas, na maior empresa brasileira. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (153)”

A promessa

As tempestades de setembro já eram poucas e esparsas, anunciando o fim do inverno amazônico. A passarada espalhava-se pela mata, onde fruteiras generosas ofereciam abundância e variedade capazes de alimentar bandos e bandos de araras, papagaios, jandaias, tucanos, sabiás, assanhaços e tantos outros da vasta fauna que habita o extremo norte. Continue lendo “A promessa”

Filhas

Inês pergunta sobre as pessoas, sobre as coisas. Quer saber como está minha irmã, minha sobrinha tal, meu sobrinho tal. Me pergunta sobre minhas coisas, meus sites, como estou. Continue lendo “Filhas”

Não era rico, era monopolista

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O cinema não me deu tudo. O tempo que julgo ver nos fil­mes tal­vez seja a ideia de tempo que lhes dou eu por já a levar da vida. Dos 10 aos 15 anos, no liceu, com excep­ção das aulas, todo o tempo foi meu. De um total anual de 8.760 horas, 7.880 gozei-as como e quando quis, senhor e dono de 90% do meu tempo. Não era rico, era mono­po­lista. Continue lendo “Não era rico, era monopolista”

Conta outra, vó – A morta-viva

Nota: O sepultamento de pessoa ainda viva, tendo os sintomas de morta, sempre foi tema de narrativas terríveis. Allan Poe (1809-1849), como não podia deixar de ser, tem duas (Premature Burial e The fall of the House of Usher); na introdução da primeira, ele apresenta casos famosos em sua época. Numa novela cheia de emoções, Selma Lagerllöf (1858-1940) também narra a história de uma moça que acaba sendo resgatada do sepultamento (En herrgårdssägen -1899). Continue lendo “Conta outra, vó – A morta-viva”

Debates?

De eleição em eleição os debates nas campanhas políticas empobrecem. Não se discute um tema em profundidade. O que mais nos interessa não é sequer mencionado. Parece que aqueles adultos se reuniram ali para se agredir. Continue lendo “Debates?”

Em busca do messias

Os principais – e também os secundários – candidatos à presidência do Brasil encontraram-se pela última vez num debate vespertino na tela do SBT, um canal de onde você espera que surja a qualquer momento uma pegadinha do Ivo Holanda, uma velhinha surda da Praça da Alegria, ou o patrão atirando aviõezinhos de dinheiro para suas “colegas de trabalho”. Continue lendo “Em busca do messias”