Debates?

De eleição em eleição os debates nas campanhas políticas empobrecem. Não se discute um tema em profundidade. O que mais nos interessa não é sequer mencionado. Parece que aqueles adultos se reuniram ali para se agredir.

Quantos votos Luciana Genro pretende atrair com aquele seu mantra “os irmãos siameses”? É só o que ela vai fazer nos debates, criticar seus companheiros de jornada. Fico com pena de seu partido, merecia um fim melhor.

Gosto do Eduardo Jorge, pelo menos ele teve uma boa idéia: prolonga os debates lembrando que está na Internet pronto para responder aos seus prováveis eleitores.

Os outros miúdos que me desculpem. Não chego a compreender nossa democracia que os leva aos debates.

Um minuto de TV custa muito caro e os partidos fazem o diabo em época de eleição para conseguir mais meio minuto na telinha. Mas para provar que vivemos numa democracia, o tempo de cada um nos debates é o mesmo. Qual é a lógica?

Há alguma hipótese – que não seja trágica ou escalafobética – de algum dos miúdos vencer Aécio Neves, Dilma Rousseff ou Marina Silva?

Não era melhor empregar o tempo sem perguntas entre os candidatos, só com perguntas vindas de jornalistas, a mesma para os debatedores com mais chances, que os obrigassem a nos informar sobre o que interessa, ou seja, o que pensam sobre e o que pretendem fazer a respeito:

*do direito da mulher ao aborto;

*da liberação do uso da maconha;

*do direito das religiões sobre a saúde de menores;

*de escolas – por favor, sem notebooks – apenas com cadeiras, mesas, luz, lápis, papel, borracha, quadro negro, giz, uma biblioteca básica e, pelo amor de Deus, professores bem pagos;

*de postos de pronto atendimento, com um clínico geral, enfermagem, medicamentos e a ambulância dos bombeiros caso seja necessária a remoção para um grande hospital;

*da reforma de nossos presídios e uma política de recuperação de presos;

*do sistema de transporte nas grandes cidades;

*do sistema ferroviário, como já tivemos nos tempos de Pedro II, unindo nossas cidades, para passageiros e para carga;

*de guardas fazendo a ronda pelas ruas, como já tivemos e que funcionava muito bem. A arma: um bom e estridente apito;

*do que eles preferem – esgoto sanitário em todas as cidades e vilas do país, ou obras suntuosas para as Olimpíadas, que depois levarão a culpa por nosso atraso econômico?

O que não é possível é ver mais uma vez um debate em que nos obriguem a ouvir o que A pensa de B ou o que C tem a dizer sobre o que fez de fantástico, quando sabemos que ele de fantástico só fez promessas…

Da minha parte, só assistirei de agora em diante a entrevistas. Debates, para quê?

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 5/9/2014.

2 Comentários para “Debates?”

  1. Os debates servem para a constatação de que os candidatos são todos iguais e que tudo vai continuar da mesma forma. Um constituinte pela reforma política seria mais interessante, mas os jornalistas formadores de opinião, precisam se convencer desta necessidade.

  2. Os debates são impossibilitados pela “realpolitik”. A noção da Maria Helena RR sobre o tema tende a ser purista, e mesmo ingênua: querer que, num país de analfabetos, o debate e o voto sejam proveitosos!

    Não sou desesperançado; sou apenas realista. Talvez, em um século, o Brasil deixe de ser iletrado – e então a “realpolitik” terá de ceder, ou mesmo de se auto-amordaçar. Os debates e as votações tornar-se-ão úteis!

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