Que Deus (ou Darwin) nos Acuda!

O que explica melhor a vida neste planeta? Criacionismo ou Darwinismo?
O Criacionismo defende que tudo que está aqui teve o dedo de uma força divina maior. De acordo com essa teoria a tartaruga, por exemplo, é só mais um ser criado por Deus, que também criou todos os outros seres que habitam a Terra, que aliás já era redonda e segue sendo redonda, certo olavos e olavetes? Continue lendo “Que Deus (ou Darwin) nos Acuda!”

O presidente da República é um palhaço

O presidente Jair Bolsonaro transformou o Palácio em circo. Armou um picadeiro em frente ao Alvorada. Constrói com eficiência a imagem de alguém que não está à altura do cargo. Mostra não entender a dimensão da agenda presidencial. Continue lendo “O presidente da República é um palhaço”

Tanta história, só no Ponto Chic

Abril de 1969.

Um palhaço triste, como em um quadro. A mesa de um bar, um copo, lá fora a chuva. No Ponto Chic, um bar antigo do Largo do Paissandu, Antonio Francisco da Costa pensa em seu circo, que pegou fogo sexta-feira. Ele não está maquilado, nem com suas roupas folgadas e  coloridas. Se estivesse, seria Rebiam, o alegre palhaço do Circo e Teatro Jóia, do Parque São Domingos. Mas ele está triste. Porque, além de palhaço, é o dono do circo. Continue lendo “Tanta história, só no Ponto Chic”

A morte de 241 pessoas não é normal

Com o fim do motim dos policiais do Ceará, o Brasil deveria aproveitar a oportunidade e mudar a forma displicente com que vem tratando as insubordinações que violam a Constituição, deixam a população indefesa e contribuem para o aumento de assassinatos no país. Há mais de 20 anos motins acontecem e pouco depois, para espanto da nação, os insubordinados são anistiados. Ora por iniciativa de governadores e Assembléias Legislativas, ora do Congresso Nacional e do presidente da República. Continue lendo “A morte de 241 pessoas não é normal”

Joana Maluca

Vindo da minha última crónica, saio da casa militar dos malucos de Luanda e desato a deambular pelas ruas da minha infância e adolescência, pela Missão de São Paulo, o gárrulo e multi-aromático mercado de tantas quitandeiras desse bairro, ou pelos areais e ruínas entre o Liceu Feminino e o Hospital Militar, e em todas essas ruas, areais e ruínas só me aparece, insistente, o vulto da Joana Maluca. Continue lendo “Joana Maluca”

Calma e reflexão

Certamente haverá gente boa, inteligente, lúcida, reclamando do artigo de primeiro domingo do mês de Fernando Henrique Cardoso. Em seu artigo deste início de março, o ex-presidente, com a lucidez de sempre, sugere calma e reflexão. Continue lendo “Calma e reflexão”

A ameaça é ele mesmo

O vice-presidente Hamilton Mourão acertou na mosca: “Os mares não estão tranquilos porque vídeos são divulgados, redes sociais se incandescem, as pessoas, muitas vezes, não raciocinam sobre aquilo que estão escrevendo e estão discutindo, emoções são colocadas à flor da pele, e parece que nós vivemos num eterno turbilhão. E esse eterno turbilhão tem de ser superado.”  Mas o reconhecimento das tormentas cotidianas e a pregação conciliatória feita na sexta-feira para os empresários catarinenses deveriam ser endereçados ao seu chefe. Continue lendo “A ameaça é ele mesmo”

O furo da telefonista do jornal

Duas horas da madrugada. Os jornalistas que cobrem a guerra da Nicarágua vêem a porta de um salão se abrir, no Hotel Intercontinental, em Manágua, e já imaginam o que está para acontecer. Políticos que terminavam uma reunião anunciam que um deles é o novo presidente da República. O que interessava: Anastasio Somoza havia deixado o poder, depois de 42 anos de ditadura. Continue lendo “O furo da telefonista do jornal”

Pra Tudo se Acabar na Quarta-feira!

E quem disse que acabou?

Os foliões deixaram os salões e avenidas, mas o nosso Rei Momo — magro de físico e de ideias — resolveu botar seu bloco pra sambar nessa terça-feira gorda, com um vídeo convocando os foliões remanescentes para ir às ruas, numa espécie de micareta ou algo parecido. Continue lendo “Pra Tudo se Acabar na Quarta-feira!”

Para frear o golpismo (2)

Por volta da 13h30 da quarta-feira de cinzas, o portal da Folha de S. Paulo publicou matéria do repórter Gustavo Uribe informando que, diante da repercussão negativa de sua postagem no WhatsApp, Jair Bolsonaro orientava a equipe ministerial a evitar endosso ao protesto contra o Congresso e o STF marcado para o dia 15. Continue lendo “Para frear o golpismo (2)”

Síndrome de McGovern

O favoritismo do senador e “socialista democrático” Bernie Sanders, a ser confirmado na super-terça de 3 de março – quando 14 estados americanos realizam ao mesmo tempo suas primárias -, está tirando o sono da cúpula do Partido Democrata. Depois de 48, os democratas podem ter um candidato mais de esquerda à Presidência dos Estados Unidos, a exemplo do que aconteceu em 1972, com a candidatura de George McGovern. O temor é que a história se repita. Continue lendo “Síndrome de McGovern”

Não somos doidos, somos judeus

O cheiro a nazi empestava Paris. Era o desembestado ano de 1943 e da mão do poeta Paul Éluard nascera um poema, “Liberdade, escrevo o teu nome”, cuja fragância tricolor fez dele um alvo. Dizia: “Sobre os campos, sobre os horizontes /sobre as asas das aves / sobre os moinhos de sombras, / escrevo o teu nome”. Ele a sua amada, Nusch, passaram à clandestinidade: “Creio que somos forçados a ir uma temporada para o campo”, anunciou com desprendido humor.  Continue lendo “Não somos doidos, somos judeus”

Nada cheira bem

Há algo estranho no ar. Um indisfarçável cheiro de perigo, perceptível até por aqueles que se inebriaram com as promessas de novos aromas. Às narinas que pretendiam enterrar a podridão do petismo, o governo do presidente Jair Bolsonaro tem ofertado outro tipo de droga, também com efeitos devastadores. Continue lendo “Nada cheira bem”