Ainda faltam 457 dias

O governo Bolsonaro chega aos mil dias com uma semana de eventos planejados pela propaganda oficial. A ideia é lançar obras por todo país, conferindo peso a promessas futuras. Tudo no melhor script de campanha eleitoral e, claro, fugindo do dissabor de um balanço do  período. Com frases genéricas  tipo “mil dias pela liberdade” de um governo “sério, honesto e trabalhador”, evita-se renovar o vexame de números manipulados, ou melhor, de mentiras como as ditas no discurso na ONU, que, cotejadas com a realidade, expuseram ao mundo o que os brasileiros estão fartos de saber: o veloz crescimento do nariz do presidente. Continue lendo “Ainda faltam 457 dias”

Vexame anunciado

A 76ª Assembleia Geral da ONU será aberta na terça-feira pelo presidente da República do Brasil, como dita a tradição. Sem os conselhos nefastos do terraplanista Ernesto Araújo, substituído pelo chanceler Carlos Alberto Franco França, há até expectativas de que os vexames das duas edições anteriores não se repitam. Mas em se tratando de Jair Bolsonaro não há qualquer garantia. Se não for um grande mico já será lucro. Continue lendo “Vexame anunciado”

A armadilha da nota oficial

Desde que chegou à Presidência, Jair Bolsonaro faz o Brasil refém do seu humor. Suas agressões, disparates e ameaças movem a política e a economia, incitam e alimentam o ódio e a incivilidade. Da tarde de quinta-feira para cá isso se tornou ainda mais grave. Ele conseguiu parar o país. Não com tanques ou desordem de caminhoneiros sem causa, mas com a desconfiança sobre o que ele fará no dia seguinte. Continue lendo “A armadilha da nota oficial”

O dia seguinte

Milhares devem ir às ruas na terça-feira em atos cuja ambiguidade dos mobilizadores impede qualquer previsão. Podem dar eco à beligerância do presidente Jair Bolsonaro, acabar em invasão do STF e do Congresso, com quebra-quebra e violência. Ou simplesmente se limitarem a louvar o “mito”. Fora a ficcional hipótese de golpe – com tanques e fuzis -, o dia seguinte será uma quarta-feira como outra qualquer. Talvez de cinzas para o presidente. Continue lendo “O dia seguinte”

O câncer do Brasil

Exibido em superclose, o que, propositalmente ou não, ressaltou o ser alucinado que nele habita, o presidente Jair Bolsonaro garantiu em vídeo nas redes sociais que sabe “onde está o câncer do Brasil” e o que fazer para livrar o país do mal. Não fosse o ensaiado tom grave de ameaça, pareceria um opositor barato atacando o governo, prometendo que curaria o país se eleito fosse. Uma lenga-lenga que vem combinada com a tática da inversão: atacar tudo e todos, atiçar e agredir para depois se dizer vítima, impossibilitado de governar. Continue lendo “O câncer do Brasil”

Gravíssimo!

Pouco importa se é para manter a claque mobilizada em permanente beligerância, incentivar  a violência e o caos. Admitindo-se uma versão mais branda, pode ser esperteza, burrice ou puro instinto de defesa. Seja o que for, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes protocolado pelo presidente Jair Bolsonaro no Senado é gravíssimo – a maior ofensiva feita por ele para testar as instituições e corroer a democracia.  Continue lendo “Gravíssimo!”

O advogado do presidente

Primeiro foram as notas de repúdio, que, mesmo duras, pouca serventia tiveram. Demorou, mas a reação à fera que se diverte em ser indomável e destruir tudo o que vê pela frente, sejam pessoas ou instituições, veio. O STF decidiu agir, o TSE idem, o Senado e a Câmara, mesmo que tardiamente, também. Só a chefia da PGR, na contramão de muitos dos procuradores, fingiu que nada tinha a ver com isso. Continue lendo “O advogado do presidente”

O dedo de Lira

Obsessão deletéria do presidente Jair Bolsonaro para semear dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, justificar e incitar os seus fiéis diante de sua provável derrota em 2022, o voto impresso teve seu pré-sepultamento anunciado na sexta-feira pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Por sua vez, no Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tratou de jogar uma pá de cal em outra bizarrice: as danosas mudanças no sistema eleitoral. Duas excelentes notícias resultantes de cálculo político após forte pressão. Continue lendo “O dedo de Lira”

Redes não bastam

A já sabida inexistência de provas de fraude nas urnas eletrônicas, a repetição da falácia de que o STF o impediu de agir contra a pandemia e outras tantas mentiras ditas seguiram o padrão de sempre. O que surpreendeu na live de quinta-feira de Jair Bolsonaro foi a alteração do figurino, desta vez incluindo 25 jornalistas que, mesmo impedidos de perguntar, ou seja, de exercer seu dever de ofício, deram publicidade à patética narrativa do presidente. A novidade expôs o esgotamento do modelo da transmissão semanal de suas baboseiras ao público cativo das redes sociais. Continue lendo “Redes não bastam”

Além da corrupção, o roubo oficial

Pode ser pixulé, propina, comissionamento ou até recursos não contabilizados, como dizia Delúbio Soares, tesoureiro do PT pego pelo mensalão. O apelido não importa. As tenebrosas transações do Ministério da Saúde para compra de vacinas superfaturadas têm um só nome: corrupção. A ela somam-se criativas fórmulas de ladroagem, o roubo oficial, prática cada vez mais corriqueira no governo do presidente Jair Bolsonaro. Continue lendo “Além da corrupção, o roubo oficial”

A novidade

Fora os índices de rejeição, que fulminam pretensões eleitorais, pesquisas de intenção de voto costumam ser analisadas de acordo com o gosto do freguês. Embora o favoritismo de Lula tenha se desenhado diante de um Jair Bolsonaro cada vez mais minguado, seria recomendável alguma cautela dos que já dão o jogo como encerrado. Até porque novidades surgem. Continue lendo “A novidade”

Mais um crime de Bolsonaro

Jair Bolsonaro prevaricou. Sabia das irregularidades envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo menos desde o dia 20 de março, talvez antes. Mas só depois de um vexaminoso puxão de orelha da ministra do STF Rosa Weber, a Procuradoria-Geral da República se coçou e pediu a abertura de inquérito contra o presidente. Preferia não fazê-lo, repetindo a omissão deliberada que tem caracterizado sua atuação desde que Augusto Aras chegou por lá. Continue lendo “Mais um crime de Bolsonaro”

Reagir ao presidente cruel

Ainda que Jair Bolsonaro prove diariamente que sua maldade não tem limites, vê-lo arrancar a máscara de uma criança e constranger outra para retirar a proteção choca. Enrola o estômago. Confirma não haver no presidente qualquer traço de humanidade. Ele desdenha da vida, até mesmo de uma criança, para passar a ideia de bravura e valentia, relegando a máscara ao campo dos covardes. Mas a CPI, a Justiça e as ruas começam a assombrá-lo. Continue lendo “Reagir ao presidente cruel”

Crimes em série

Não importa se é para (re)inaugurar um viaduto já entregue no ano passado, como ocorreu em Alagoas, ou uma ponte de madeira em uma estrada de terra do Amazonas, que custou infinitamente menos do que se gastou para chegar lá. O vale tudo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro começou no primeiro dia de mandato e se acelera na proporção da queda de sua popularidade. E sem qualquer contestação sobre a autopromoção, proibida pela Constituição, e a flagrante campanha extemporânea, cuja regulação precisa deixar de ser tão troncha. Continue lendo “Crimes em série”

Lira toca a boiada

Imbatível na capacidade de cuspir pelo menos um absurdo por dia, o presidente Jair Bolsonaro atrai todas as atenções para a sua metralhadora de disparates enquanto seus escudeiros praticam barbaridades. De Augusto Aras, que mais parece defensor do presidente do que procurador-geral da República, ao advogado-geral da União, André Mendonça, todos se curvam às vontades do chefe, mesmo às mais imorais. Movidos, exclusivamente, por interesses pessoais. Mas os mais perigosos não são os sabujos, e sim aqueles que dão cartas com ares de independência. É nessa seara que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), reina. Continue lendo “Lira toca a boiada”