Direita quer distância do thriller bolsonarista   

Poucas horas depois de vir à tona a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, nas quais eles revelam ser amigos para o que der e vier, parcela do mundo político iniciou o enterro da candidatura do filho Zero Um. Lula, safo, preferiu não comentar o escândalo, dizendo que se tratava de “coisa de polícia”. Mas apoiadores do senador rapidamente começaram a elencar eventuais substitutos – a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) à frente -, escancarando o que Flávio realmente é: nada mais do que um sobrenome. Continue lendo “Direita quer distância do thriller bolsonarista   “

Todo cambia

Dita e redita, a frase do mineiro udenista e golpista Magalhães Pinto (1909-1996) – “Política é como nuvem; você olha está de um jeito, olha de novo e ela já mudou” – continua vivíssima, embora longe da calmaria que a contemplação do céu pressupõe. Ao contrário. Muitas das mutações passaram a se assemelhar a furacões, a exemplo das investigações do escândalo do Banco Master, e tempestades, como as que atingiram o presidente Lula há exatos 10 dias.

Continue lendo “Todo cambia”

Palanques incertos

O imbróglio da governança do Rio de Janeiro não mexeu com o favoritismo de Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara. De acordo com a Paraná Pesquisas, o ex-prefeito bate em 53% na preferência dos eleitores e pode até ser eleito no primeiro turno. Além de mais uma ducha de água fria no candidato do PL, deputado Douglas Ruas, com 13,2%, a sondagem, divulgada na sexta-feira, aponta a fragilidade de Flávio Bolsonaro em seu próprio Estado. Embora afirme contar com palanques em 20 estados, e apoio do Centrão em 18, há beiradas soltas nos três maiores colégios eleitorais. Continue lendo “Palanques incertos”

Prometem o céu, entregam o inferno

Primeiro pré-candidato a presidente a lançar diretrizes de um programa de governo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) engordou a já conhecida tendência de soluções mágicas para problemas complexos, usual entre políticos à caça de votos. Com um agravante que também não é incomum: promessas de lotes no céu que não serão entregues. Boa parte delas é puro populismo e nem mesmo está na alçada do chefe do Executivo. Continue lendo “Prometem o céu, entregam o inferno”

Sem anistia. Sem dosimetria

É cedo para dizer se o veto do presidente Lula ao PL da dosimetria será ou não derrubado pelo Congresso no dia 30, data marcada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP) para apreciação da matéria. O certo é que daqui até lá o perdão a golpistas, debate que emperrou o país no segundo semestre de 2025, volta à cena. Agora, acrescido pela métrica eleitoral. O time de Flávio Bolsonaro está animado – se o veto cair, a pena de 27 anos e 3 meses do ex pode ser reduzida para pouco mais de 2 anos. Mas a maioria dos brasileiros endossa o veto ao PL. A dosimetria é rejeitada por 63,3% da população, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg. Continue lendo “Sem anistia. Sem dosimetria”

Bigtechs ganham, democracia perde

No dia 5 de dezembro, quando foi ungido pelo pai, Flávio Bolsonaro fixou o anúncio de sua candidatura no alto de seu perfil no X. De lá para cá, sua campanha está correndo solta nas redes sociais. O presidente Lula não fica para trás. Em público, fala à vontade sobre sua disposição de disputar o quarto mandato, com replique das mensagens. Assim como os demais atos de campanha, a propaganda eleitoral na internet só é oficialmente autorizada a partir de 16 de agosto. Mas os pré-candidatos em todo o país pouco se importam com a lei. Sem fiscalização, fazem lives e impulsionam conteúdos. Uma festa com fartos lucros para os bilionários das bigtechs. Continue lendo “Bigtechs ganham, democracia perde”

O outsider da vez

O Maranhão é “uma bosta” que precisa de intervenção federal, o “sistema político brasileiro é podre”. Defesa de prisão perpétua e pena de morte legal ou oficiosa (executada por policiais) e até da produção de bomba atômica. Com ideias e falas absurdas, que rendem engajamento nas redes sociais, Renan Santos, do novíssimo partido Missão, é o outsider da vez. Imagina se tornar competitivo com discurso antissistema, lançando farpas para todos os lados e infernizando a vida dos favoritos na disputa presidencial. Filmou-se jogando sal grosso em frente da casa em que Lula morou na infância, em Caetés (PE), e promete “acabar com a raça” de Flávio Bolsonaro – “O traíra tem de morrer”. Continue lendo “O outsider da vez”

Temporada de troca-troca

Mais de 20 parlamentares mudaram de sigla na primeira semana da janela de transferência partidária iniciada no dia 5 deste mês e que se estende até 3 de abril. Em 2022, a troca de camisa começou com 12 e alcançou 83 parlamentares, 16% dos 513 deputados. O movimento frenético, análogo às negociações de compra e venda de atletas dentro do calendário de transferências do futebol europeu, aponta o desprezo dos políticos com um dos pilares da estrutura da democracia representativa: os partidos. Continue lendo “Temporada de troca-troca”

O Agente Laranja dá uma força a Lula

Na sexta-feira 13, o Itamaraty rejeitou todas as contrapropostas dos Estados Unidos às sugestões feitas pelo Brasil para ações colaborativas no combate às facções criminosas. No mesmo dia, o conselheiro de Donald Trump, Darren Beattie, que omitiu e mentiu sobre os motivos de sua visita ao Brasil, teve seu visto suspenso. Ainda que a série de nãos brasileiros arrisque a “química” entre Trump e Lula, ela pode provocar uma onda favorável ao petista em meio ao baixo-astral dos últimos tempos. Continue lendo “O Agente Laranja dá uma força a Lula”

Está tudo muito esquisito

Maior fraude financeira da história do país, o caso Master agudizou na semana passada. Junto com a prisão preventiva do dono do banco liquidado, Daniel Vorcaro, e da suspensão do sigilo dos dados de seus celulares, ambas por ordem do novo relator do caso no STF, ministro André Mendonça, confirmou-se a extensa rede criminosa do ex-banqueiro, com gente graúda de todas as matizes políticas e em todas as esferas de poder. Continue lendo “Está tudo muito esquisito”

Os fura-leis

Acordos para ampliar e manter privilégios dos abastados são praticados desde os tempos do Brasil Colônia. Intensificaram-se no Império, com farta distribuição de terras e poder aos amigos do rei, perpetuando-se na República. O voto popular até funcionou para criar algum constrangimento, substantivo completamente em desuso. A concessão e a defesa de regalias para o andar de cima são o novo normal, com argumentos desavergonhados que não chegam nem a corar a face de quem os usa. Continue lendo “Os fura-leis”

Uma lei de mentirinha

Pouco importa se a Acadêmicos de Niterói infringiu ou não a legislação eleitoral ao homenagear o presidente Lula ou se lá em 2022 as motociatas do ex Jair Bolsonaro o beneficiaram. Quase sempre os delitos de propaganda antecipada não dão em nada e, quando dão, a punição é tão pífia que estimula candidatos e partidos a burlarem a proibição. Continue lendo “Uma lei de mentirinha”

STF Futebol Clube

Poderia ser apelidado de bloco do STF para combinar com o Carnaval, mas o ministro Flávio Dino preferiu usar a alegoria futebolística: “sou STF Futebol Clube”. Dito e feito. Como um time, a Corte se uniu na proteção do colega Dias Toffoli, protagonista de lambanças em série frente à relatoria do caso Master, o maior golpe financeiro da história do país. A blindagem mirava tirar o Supremo do olho do furacão. Falhou. Continue lendo “STF Futebol Clube”

Não há democracia sem transparência

Política não costuma gerar fatos isolados. Os acontecimentos estão quase sempre encilhados uns nos outros. Não é por acaso, portanto, que o ministro do STF Flávio Dino tenha determinado o fim da festa dos puxadinhos nos salários de servidores dos Três Poderes na mesma semana em que a Câmara, em votação relâmpago, aprovou novos penduricalhos aos seus funcionários. Muito menos que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenha defendido com unhas e dentes as emendas parlamentares, cujo sigilo e falta de rastreabilidade estão na mira do Supremo desde os tempos de Rosa Weber e, agora, de Dino.   Continue lendo “Não há democracia sem transparência”

Marcha à ré

Um ano pode ser bom para uns, péssimo para outros. Raros são aqueles sem catástrofes e guerras, inventos geniais ou curas tidas como impossíveis. Mas os anos parecem andar para trás, como se a Terra estivesse girando ao contrário. Já tinha sido assim na última década, repetindo-se em 2025. E nada aponta que será diferente em 2026. Continue lendo “Marcha à ré”