Daniel Vorcaro é mesmo um fenômeno. Tudo nele e no seu entorno é inusual. Sua fortuna espetacular construída em tempo recorde, a intrincada manipulação de fundos de mentirinha, sua poderosa rede de influência comprada por fartura de dólares, mimos e luxos. Não seria diferente com as investigações dos seus delitos, tampouco com a sua delação. E as duas frentes parecem estar, propositadamente, emperradas. Continue lendo “Tem caroço nesse angu”
Grande dia?
Em julho do ano passado, o deputado autoexilado Eduardo Bolsonaro aplaudiu o tarifaço de 50% contra o Brasil. Considerou “legítima” a ação de Donald Trump a que o parlamentar, cassado meses depois, chamou de “tarifa Moraes”. No Brasil, seu irmão Flávio vacilou entre críticas e apoio. Defendeu que as sanções de Trump em favor de seu pai deveriam ser “individuais”. Em seguida, se arrependeu e apagou o dito. A ordem era arrotar vitória e consolidar a ideia de que os Bolsonaro tinham influência sobre Trump. Quase um ano depois, o senador, pré-candidato à Presidência, saúda como “grande dia” a ação do governo Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O que pode se configurar como mais uma vitória de pirro. Continue lendo “Grande dia?”
Morro abaixo
Algo está pra lá de torto em um país que afrouxa a cobrança de multas dos partidos políticos e dos candidatos, autorizando recursos dos fundos partidário e eleitoral para condenados. Que autoriza o uso de robôs na comunicação online dos postulantes a cargos públicos, inviabilizando qualquer tipo de controle; que libera doações até de cestas básicas nas vésperas das eleições e ainda suspende a proibição de repasses de recursos para cidades inadimplentes. Tudo isso em uma única semana. Embora a natural falta de escrúpulos de boa parte dos políticos não surpreenda, ela escancara a profunda erosão moral em que o Brasil se encontra. Continue lendo “Morro abaixo”
Direita quer distância do thriller bolsonarista
Poucas horas depois de vir à tona a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, nas quais eles revelam ser amigos para o que der e vier, parcela do mundo político iniciou o enterro da candidatura do filho Zero Um. Lula, safo, preferiu não comentar o escândalo, dizendo que se tratava de “coisa de polícia”. Mas apoiadores do senador rapidamente começaram a elencar eventuais substitutos – a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) à frente -, escancarando o que Flávio realmente é: nada mais do que um sobrenome. Continue lendo “Direita quer distância do thriller bolsonarista “
Todo cambia
Dita e redita, a frase do mineiro udenista e golpista Magalhães Pinto (1909-1996) – “Política é como nuvem; você olha está de um jeito, olha de novo e ela já mudou” – continua vivíssima, embora longe da calmaria que a contemplação do céu pressupõe. Ao contrário. Muitas das mutações passaram a se assemelhar a furacões, a exemplo das investigações do escândalo do Banco Master, e tempestades, como as que atingiram o presidente Lula há exatos 10 dias.
Palanques incertos
O imbróglio da governança do Rio de Janeiro não mexeu com o favoritismo de Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara. De acordo com a Paraná Pesquisas, o ex-prefeito bate em 53% na preferência dos eleitores e pode até ser eleito no primeiro turno. Além de mais uma ducha de água fria no candidato do PL, deputado Douglas Ruas, com 13,2%, a sondagem, divulgada na sexta-feira, aponta a fragilidade de Flávio Bolsonaro em seu próprio Estado. Embora afirme contar com palanques em 20 estados, e apoio do Centrão em 18, há beiradas soltas nos três maiores colégios eleitorais. Continue lendo “Palanques incertos”
Prometem o céu, entregam o inferno
Primeiro pré-candidato a presidente a lançar diretrizes de um programa de governo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) engordou a já conhecida tendência de soluções mágicas para problemas complexos, usual entre políticos à caça de votos. Com um agravante que também não é incomum: promessas de lotes no céu que não serão entregues. Boa parte delas é puro populismo e nem mesmo está na alçada do chefe do Executivo. Continue lendo “Prometem o céu, entregam o inferno”
Sem anistia. Sem dosimetria
É cedo para dizer se o veto do presidente Lula ao PL da dosimetria será ou não derrubado pelo Congresso no dia 30, data marcada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP) para apreciação da matéria. O certo é que daqui até lá o perdão a golpistas, debate que emperrou o país no segundo semestre de 2025, volta à cena. Agora, acrescido pela métrica eleitoral. O time de Flávio Bolsonaro está animado – se o veto cair, a pena de 27 anos e 3 meses do ex pode ser reduzida para pouco mais de 2 anos. Mas a maioria dos brasileiros endossa o veto ao PL. A dosimetria é rejeitada por 63,3% da população, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg. Continue lendo “Sem anistia. Sem dosimetria”
Bigtechs ganham, democracia perde
No dia 5 de dezembro, quando foi ungido pelo pai, Flávio Bolsonaro fixou o anúncio de sua candidatura no alto de seu perfil no X. De lá para cá, sua campanha está correndo solta nas redes sociais. O presidente Lula não fica para trás. Em público, fala à vontade sobre sua disposição de disputar o quarto mandato, com replique das mensagens. Assim como os demais atos de campanha, a propaganda eleitoral na internet só é oficialmente autorizada a partir de 16 de agosto. Mas os pré-candidatos em todo o país pouco se importam com a lei. Sem fiscalização, fazem lives e impulsionam conteúdos. Uma festa com fartos lucros para os bilionários das bigtechs. Continue lendo “Bigtechs ganham, democracia perde”
O outsider da vez
O Maranhão é “uma bosta” que precisa de intervenção federal, o “sistema político brasileiro é podre”. Defesa de prisão perpétua e pena de morte legal ou oficiosa (executada por policiais) e até da produção de bomba atômica. Com ideias e falas absurdas, que rendem engajamento nas redes sociais, Renan Santos, do novíssimo partido Missão, é o outsider da vez. Imagina se tornar competitivo com discurso antissistema, lançando farpas para todos os lados e infernizando a vida dos favoritos na disputa presidencial. Filmou-se jogando sal grosso em frente da casa em que Lula morou na infância, em Caetés (PE), e promete “acabar com a raça” de Flávio Bolsonaro – “O traíra tem de morrer”. Continue lendo “O outsider da vez”
Temporada de troca-troca
Mais de 20 parlamentares mudaram de sigla na primeira semana da janela de transferência partidária iniciada no dia 5 deste mês e que se estende até 3 de abril. Em 2022, a troca de camisa começou com 12 e alcançou 83 parlamentares, 16% dos 513 deputados. O movimento frenético, análogo às negociações de compra e venda de atletas dentro do calendário de transferências do futebol europeu, aponta o desprezo dos políticos com um dos pilares da estrutura da democracia representativa: os partidos. Continue lendo “Temporada de troca-troca”
O Agente Laranja dá uma força a Lula
Na sexta-feira 13, o Itamaraty rejeitou todas as contrapropostas dos Estados Unidos às sugestões feitas pelo Brasil para ações colaborativas no combate às facções criminosas. No mesmo dia, o conselheiro de Donald Trump, Darren Beattie, que omitiu e mentiu sobre os motivos de sua visita ao Brasil, teve seu visto suspenso. Ainda que a série de nãos brasileiros arrisque a “química” entre Trump e Lula, ela pode provocar uma onda favorável ao petista em meio ao baixo-astral dos últimos tempos. Continue lendo “O Agente Laranja dá uma força a Lula”
Está tudo muito esquisito
Maior fraude financeira da história do país, o caso Master agudizou na semana passada. Junto com a prisão preventiva do dono do banco liquidado, Daniel Vorcaro, e da suspensão do sigilo dos dados de seus celulares, ambas por ordem do novo relator do caso no STF, ministro André Mendonça, confirmou-se a extensa rede criminosa do ex-banqueiro, com gente graúda de todas as matizes políticas e em todas as esferas de poder. Continue lendo “Está tudo muito esquisito”
Os fura-leis
Acordos para ampliar e manter privilégios dos abastados são praticados desde os tempos do Brasil Colônia. Intensificaram-se no Império, com farta distribuição de terras e poder aos amigos do rei, perpetuando-se na República. O voto popular até funcionou para criar algum constrangimento, substantivo completamente em desuso. A concessão e a defesa de regalias para o andar de cima são o novo normal, com argumentos desavergonhados que não chegam nem a corar a face de quem os usa. Continue lendo “Os fura-leis”
Uma lei de mentirinha
Pouco importa se a Acadêmicos de Niterói infringiu ou não a legislação eleitoral ao homenagear o presidente Lula ou se lá em 2022 as motociatas do ex Jair Bolsonaro o beneficiaram. Quase sempre os delitos de propaganda antecipada não dão em nada e, quando dão, a punição é tão pífia que estimula candidatos e partidos a burlarem a proibição. Continue lendo “Uma lei de mentirinha”
