Jair Bolsonaro sentiu necessidade de fazer algo diante da queda de sua popularidade, em decorrência de sua política negacionista, da ameaça que pode representar a CPI da Saúde no Congresso Nacional e da elegibilidade de Lula. A história lhe deu a última oportunidade de ruptura com a desastrada condução no enfrentamento da pandemia: demitir o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e nomear alguém competente para a área. Continue lendo “O Lampedusa da Saúde”
Mario Covas: a política por vocação
Max Weber, grande nome da sociologia política, dividia os políticos em duas categorias: os que vivem da política e os que vivem para a política, exercendo-a como um sacerdócio. Mario Covas, cujo falecimento completou 20 anos, foi um desses sacerdotes e, mais que nunca, é um grande exemplo de homem público para os tempos atuais do Brasil. Continue lendo “Mario Covas: a política por vocação”
A guerra perdida
Na última semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou o início do feriado do Purim – festa judaica para celebrar a salvação dos judeus persas, descrita no livro de Ester – e contracenou com um humorista na televisão, combatendo fake news sobre vacinas. No mesmo dia Jair Bolsonaro fez uma live no sentido inverso, para combater o uso de máscaras como medida preventiva ao coronavírus. Os dois episódios ilustram por que Israel é um caso de sucesso na vacinação em massa e o Brasil é uma tragédia de proporções crescentes. Continue lendo “A guerra perdida”
O custo da guinada nacional-populista
A Petrobras volta a ter um presidente militar, depois de 32 anos. Desde a campanha “o petróleo é nosso”, a estatal é uma questão sensível para as Forças Armadas. À época, dividiam-se entre “nacionalistas” como Horta Barbosa e Estilack Leal – defensores do monopólio estatal, – e “entreguistas” liderados por Juarez Távora e Eduardo Gomes, adeptos da presença do capital estrangeiro na exploração petrolífera. Continue lendo “O custo da guinada nacional-populista”
O país do passado
Países entram em declínio. Perto de nós temos um exemplo clássico, a Argentina. Nas três primeiras décadas do século passado fazia parte do rol das nações desenvolvidas, com um PIB per capita igual ao da Alemanha e superior ao da Itália, Espanha e Suécia. Era uma economia aberta, conectada ao mundo. Entrou em decadência com a ascensão do peronismo na década 40 em virtude do fechamento de sua economia. De país do futuro, virou o país do passado. Até o tango, expressão da alma, ficou parado no tempo, símbolo da nostalgia de sua belle époque. Continue lendo “O país do passado”
A volta às aulas é inadiável
Fiel à sua tradição de retardatário em matéria educacional, o Brasil é um dos últimos países do mundo a retornar ao ensino presencial. As escolas ficaram fechadas durante um ano, por causa da pandemia. O ciclo de paralisia começou a ser superado com o retorno parcial das aulas em São Paulo, observando os critérios de biossegurança. Outros estados devem trilhar o mesmo caminho ainda em fevereiro. Todos terão de correr para mitigar os danos provocado pela Covid 19 na formação de nossas crianças e adolescentes. Continue lendo “A volta às aulas é inadiável”
A implosão do Centro e a ascensão do Centrão
A vitória do deputado Arthur Lira, do Partido Progressistas, representa uma mudança de eixo e de rumo na principal casa legislativa do país. Desde o fim da era Eduardo Cunha o chamado centro democrático é que passou a dar as cartas na Câmara Federal, tendo como núcleo principal o DEM em aliança com o MDB, PSDB e outros partidos menores. Continue lendo “A implosão do Centro e a ascensão do Centrão”
É a vacina, estúpido!
O presidente Jair Bolsonaro vive o pior momento de seu governo. Pior até que em maio do ano passado, quando combateu as medidas de isolamento social escudando-se no discurso de proteger a economia para salvar o emprego das pessoas. Era uma falácia, dada a impossibilidade de uma retomada da economia sustentada sem debelar a pandemia. Mas funcionou por algum tempo. Continue lendo “É a vacina, estúpido!”
New Deal 2.0
É como se o espírito de Franklin Roosevelt reencarnasse em Joe Biden. O novo presidente americano assume seu mandato hoje com um programa que é keynesianismo na veia. A exemplo do “New Deal”, que tirou os Estados Unidos da grande depressão dos anos 30, Biden pretende fazer frente à pandemia e à recessão econômica por meio da fórmula do economista britânico John Maynard Keynes: intervenção do Estado na economia por meio de um pacote de US$ 1,9 trilhão, expansão dos gastos públicos, foco na diminuição drástica do desemprego e na redução da desigualdade por meio de benefícios sociais. Continue lendo “New Deal 2.0”
A diplomacia nos tempos Beato Salu
Imaginem qual será o nível da boa vontade de Joe Biden com o governo brasileiro. Bolsonaro foi uma dos poucos chefes de Estado a não condenar a tentativa de golpe nos Estados Unidos. Seu governo não pronunciou uma mísera palavra sobre o atentado ao Capitólio. Continue lendo “A diplomacia nos tempos Beato Salu”
O ovo da serpente
Ao longo dos seus 245 anos, os Estados Unidos venceram vários momentos de estresse. O país enfrentou duas guerras mundiais, uma guerra fria, guerras regionais na Coréia, Vietnã, Iraque, Afeganistão, a crise dos mísseis, os assassinatos de Abraham Lincoln, John Kennedy, Martin Luther King e Robert Kennedy, o atentado terrorista de 11 de setembro, a tentativa de assassinato de Ronald Reagan. Viveu ainda o macarthismo, os conflitos raciais dos anos 60, uma corrida nuclear que deixava o mundo em suspense, Watergate e a renúncia de Richard Nixon. Continue lendo “O ovo da serpente”
O grande recomeço
Se 2020 foi o ano da destruição de vidas e de empregos pela pandemia, 2021 pode ser o ano do grande recomeço da humanidade. A última vez que vivemos momento semelhante foi após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo teve de ser reconstruído e foi gerada uma nova ordem civilizatória, com o fortalecimento do multilateralismo e o avanço da democracia. Continue lendo “O grande recomeço”
O ano em que Stalin ressuscitou
A onda revisionista sobre o papel de Stalin adquiriu visibilidade no Brasil em setembro, a partir de uma entrevista de Caetano Veloso ao programa de Pedro Bial, quando o compositor disse não ser mais um “liberalóide”. O maior nome da tropicália mudou seu juízo de valor sobre o socialismo a partir da influência do youtuber e jovem marxista Jones Manuel. O professor da Universidade Federal de Pernambuco é o maior divulgador no Brasil da obra de Domenico Losurdo, filósofo italiano e principal teórico da “ressurreição” de Josef Stalin. Continue lendo “O ano em que Stalin ressuscitou”
O inimigo comum
A história é cheia de exemplos nos quais adversários tidos como irreconciliáveis deixam suas diferenças de lado e se unem para combater o inimigo comum. O caso mais célebre foi a aliança entre Stalin e Churchill, na Segunda Guerra Mundial. No Brasil temos o exemplo da ampla frente democrática que levou à superação da ditadura militar e permitiu ao país ingressar no mais longo período de sua história sem interrupção da democracia. Continue lendo “O inimigo comum”
A guerra de Bolsonaro contra a Coronavac
Poucos países do mundo têm condições de absorver a tecnologia da indústria farmacêutica e ter produção própria da vacina contra a Covid-19. A esmagadora maioria dependerá da importação para imunizar sua população. O Brasil faz parte do seleto grupo que conta com centros de excelência como a Fundação Fiocruz e o Instituto Butantã. O segundo está envolvido no desenvolvimento de uma vacina – a Coronavac – prestes a estar disponível para a aplicação. Continue lendo “A guerra de Bolsonaro contra a Coronavac”
