Ser comandada por um Secretário diminuirá nossa Cultura?

Será que estamos viciados em reclamar? Tenho a impressão que sim. O que realmente importa é deixado de lado. Já os penduricalhos, esses são levados a sério.
O que foi que o Ministério da Cultura dos governos Lula/Dilma fez de importante para a Cultura brasileira? Criou a TV Brasil, essa maravilha que não sai do traço? Beneficiou o Brasil, onde, como?

Aqui no Rio temos a Biblioteca Nacional que guarda o que D. João VI trouxe da Torre do Tombo, quando veio fugido de Napoleão para cá. Pois bem, a longa viagem pelo Atlântico não fez um centésimo do mal que o descuido de nossos governos faz com documentos que são relatos da história de Portugal e, portanto, da do Brasil.

Há quem diga que nos países mais civilizados não há ministério da Cultura. Isso não é bem assim. Podem não ter esse nome, podem ter sido batizados com outros nomes, mas não é isso o que importa.

Vamos começar pelo país que criou a instituição Ministério da Cultura: foi a França, durante o governo De Gaulle e sob os auspícios de um dos maiores intelectuais de seu tempo, André Malraux, que a batizou de Ministério da Cultura e da Comunicação.

Devemos nos lembrar que a França, saída de uma guerra terrível, precisava, urgentemente, restaurar seu acervo cultural e foi essa a principal preocupação do ministro: que as municipalidades dos diversos departamentos da França recuperassem seus museus, teatros, bibliotecas e escolas dramáticas e de música. E assim foi feito.

Mas não ficou só nisso: com o tempo, as estações de rádio e os canais de TV estatais também vieram a receber subsídios do Ministério da Cultura. A televisão, hoje em dia, é a maior diversão dos franceses. Os programas de suas estações não dão traço: sua audiência é fantástica.

O cinema francês, que tantas obras-primas deu ao mundo, não depende apenas de dinheiro público, como o nosso. Basta ter paciência e ao fim de um filme francês, prestar atenção à longa lista de créditos para compreender como por lá a história é bem diferente.

Na Inglaterra, não há um Ministério da Cultura. O que lá existe é um Departamento de Cultura, Mídia e Esporte. Quem estiver interessado que leia tudo que o British Film Institute faz pelo cinema inglês: http://www.bfi.org.uk

Na Alemanha, são os Institutos Goethe que há mais de 60 anos estimulam o diálogo da cultura alemã com parceiros ao redor do mundo. Trabalhando em conjunto com institutos culturais dos países que hospedam um Goethe Institut, são os cursos de língua e cultura germânicas que acabam por financiar, em conjunto com o Ministério do Exterior Alemão, a possibilidade da exibição de filmes, festivais de música e de teatro, orquestras, óperas, museus e a conservação de monumentos que dão vida às cidades alemãs.

Nesses países do hemisfério norte, assim como nos EUA, além do governo, são instituições e investidores privados que promovem a cultura nacional. A bilheteria paga os impostos e retribui com lucro a aposta dos investidores. Perguntem ao Woody Allen ou ao Martin Scorsese quem os financia…

Aqui,  a cantoria é outra. Aqui, o Ministério da Cultura arca com os custos e a bilheteria, bem, essa só Deus sabe de quem é. Como disse José Nêumanne em seu artigo de 18 de maio para o Estadão, “a pasta [da Cultura] foi sempre usada para uma ação entre amigos, à nossa custa. Lula e Dilma a aparelharam para servir ao PT e à indústria fonográfica. E a usaram para tungar direitos de nossos autores e aumentar os lucros das multinacionais da cultura e de artistas nativos que se beneficiam da “bolsa show”, sob as bênçãos de Xangô e do Senhor do Bonfim. Enquanto as traças devoram a Biblioteca Nacional e os museus sob sua égide se tornam inaptos para visitas públicas”.

Da minha parte, votos de muita força ao secretário Nacional de Cultura, Marcelo Calero.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 20/5/2016. 

 

3 Comentários para “Ser comandada por um Secretário diminuirá nossa Cultura?”

  1. O Ministério da Cultura (MinC) foi um antigo ministério do governo brasileiro, criado em 15 de março de 1985 pelo decreto nº 91.144 do presidente José Sarney.
    O MinC foi responsável pelas letras, artes, folclore e outras formas de expressão da cultura nacional e pelo patrimônio histórico, arqueológico, artístico e cultural do Brasil.
    Em 2016, após a posse de Michel Temer como presidente interino, o MinC foi extinto.

    Por tudo que foi acima escrito a extinção do Minc foi totalmente descabida, bastaria a nomeação de novo ministro compromissado com a cultura.

  2. O PT é mestre em pautar a imprensa. O Brasil está à beira do abismo, com uma sangria desatada no déficit público e um mergulho persistente na recessão e no desemprego. Mas o PT leva a imprensa a dar um espaço desproporcional à “urgentíssima” questão do aparelhado Ministério da Cultura, como se fizesse alguma diferença o assunto ser tratado por uma secretaria, tendo a mesma verba e os mesmos recursos humanos. Infelizmente, os petistas vão ter que arranjar rapidinho outra cortina de fumaça para desviar o foco da roubalheira e do desastre econômico. Ao que parece, Temer vai devolver o status de ministério para a Cultura na próxima semana. Como vão fazer agora para desviar o assunto das falcatruas internacionais do sobrinho alaranjado de Lula, o Taiguara? E o rombo de 170 bilhões? Qual bandeira o PT vai usar para pautar a imprensa e esconder que deixou o caixa sem dinheiro para os programas sociais e mesmo para o básico das despesas de custeio? Mas não se preocupem: logo, logo, o PT arranja outro bumbo para bater e animar os hipnotizados seguidores da seita.

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