Os 13 trabalhos de Hércules

Parece que o Governo Federal finalmente voltou seus olhos para a Escola e deixou de pensar só nas universidades das quais tanto se gaba o Lula. E bolou um programa para uma Base Nacional Comum que possa atender todas as escolas brasileiras. Excelente idéia, desde que deixem espaço para que os professores dos diversos Estados e municípios do país enriqueçam a Base com temas e assuntos de interesse local.

Mas…  já repararam como tem sempre um mas em tudo que vem do PT?

Agora o “mas” se refere à indigência da Grade Curricular em tudo que se refere a História e a Cultura Geral.

Vou aproveitar enquanto o Currículo Nacional Comum ainda não está a pleno vapor para falar num dos mais altos momentos da Mitologia Grega, a figura heróica, valente, corajosa e apaixonante do grande Hércules que, num acesso de loucura provocado pela deusa Hera, matou sua mulher e seus três filhos.

Hércules não era um sujeito cruel e, quando se deu conta do horror que cometera, isolou-se no campo e lá foi viver como e0remita. Encontrado por seu primo Teseu, foi com ele consultar o Oráculo de Delfos com o objetivo de pagar por seus crimes e recuperar sua honra. A penitência que lhe foi imposta foi terrível: 12 tarefas que exigiam inteligência, valentia, força, além de obedecer fielmente a um de seus piores inimigos,o  rei de Micenas, Euristeu.  Cumpridas as tarefas, Hércules se tornaria imortal, o que era seu direito de nascença não tivesse sido ludibriado por Euristeu.

Que tal pedirmos ao Oráculo que passe mais uma tarefa para o herói, talvez só mais complicada que a ordem que recebeu de colher os pomos de ouro do Jardim das Hespérides, o que só poderia fazer depois de matar o dragão de cem cabeças que era o guardião do tesouro? Para tanto, Hércules precisou da ajuda do titã Atlas: esse matou o dragão enquanto Hércules sustentou em seus ombros o Céu, tarefa eterna do titã.

E qual a tarefa que falta, segundo esta audaciosa e enxerida articulista?

É óbvio: tirar o PT do Palácio do Planalto. Esse seria o décimo-terceiro trabalho de Hércules.

(Leitor, antes que não seja mais necessário ler e estudar nem a Grécia Antiga, que dirá sua Mitologia, compre Os 12 Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, e acompanhe o grande herói em suas aventuras assessorado pela genial Emília. Se a Grade Curricular Petista entrar em vigor ninguém mais vai saber quem foi Emília, que dirá Hércules!)

A nossa tarefa, dos cidadãos, será impedir que a Base Nacional omita o estudo das figuras da Antiguidade Clássica, do Império Romano, do Cristianismo, da América Pré-Colombiana, da Revolução Francesa, da  Revolução Americana… Não podemos matar nosso passado sob pena de não termos mais futuro.

O governo petista hoje conta com o par perfeito na Presidência e na chefia da Casa Civil. Ela pinta, ele borda; ela corta, ele costura; ela morde, ele assopra. Ele, com a sinceridade que o caracteriza, declarou que o PT se lambuzou no governo. Ela, com a determinação que as mulheres têm quando encasquetam uma idéia na cabeça, resolveu adoçar os pontos da Lei que reprovavam toda e qualquer leniência com malfeitos.

O PT não soube administrar o país. Pior, não soube zelar pelo que é nosso. Agora, se lamentam choramingando ao dizer que quem é favorável ao impeachment é golpista.

Não é. Golpista é o PT, que roubou e deixou roubar.

Mas roubar nosso direito ao saber, aí também é demais!

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 8/1/2016. 

3 Comentários para “Os 13 trabalhos de Hércules”

  1. …é que a Base Nacional Comum seja usada para motivo de fechamento das escolas, como tentou fazer o governador de SP. As velhinhas do Tatuapé pouco se importaram com os grevistas que protestaram contra a medida.
    Não importa também às doces velhinhas que a base curricular esteja sendo feita e apoiada por gente como Vera Cabral – Consultora do Instituto Fernando Henrique Cardoso. Afinal tudo se resume no hercúleo 13º trabalho, mesmo que para isto, submeta-se a realidade brasileira a sonhos mitológicos

  2. “ O discurso da arrogância”, ou o “discurso do poder”.

    A “imprensa democrática” é um mito criado pela imprensa.

    É certo que a justificativa moral da atividade jornalística sempre foi o pressuposto da objetividade: considera-se que o texto noticioso, bem como a imagem com finalidade informativa, correspondem sempre a interpretações objetivas da realidade.
    Só que não. A linguagem jornalística, apropriada pelo sistema do poder arbitrário, se transforma em mera produção de conceitos com o objetivo claro de oferecer uma interpretação reducionista da realidade, subjetiva e condicionante de uma visão de mundo estreita e conservadora.

    Como instrumento do poder, a linguagem da imprensa hegemônica do Brasil produz esse “discurso da arrogância” a serviço do fascismo.

  3. Num texto sobre educação, vem a Maria Helena RR e diz:
    “a tarefa que falta (…) óbvio: tirar o PT do Palácio do Planalto”

    A autora não dedicou nenhuma linha do texto ao fato de que o desmonte da educação pública é herança e continuação da DITADURA, a qual, segundo Fernando Brant, infelicitou o nosso País por 21 anos.

    Por que a minha mãe teve aulas de Educação para o Lar e Educação Moral e Cívica, e os jovens atuais não a têm? Mui simples!
    (ou mui complexo)

    A DITADURA, através de um maldito acordo MEC-USAID, tratou da desmantelação do ensino público brasileiro, ao dar prioridade ao ensino técnico privado remunerado. Os milicos realizaram uma espécie de “Operação Educação”, onde disciplinas de ciências humanas foram sub-valorizadas. Afinal, formação humanística é coisa de comunista…

    Os textos da Maria Helena RR, incompletos e de caráter militante, não são úteis para a nossa evolução.

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.