A guerra das togas

zzzzzzzzbarbosa

O Brasil é um país pitoresco. Quando parece que o apocalipse se aproxima, tudo vira pizza.

Foi mais ou menos o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal durante o julgamento dos recursos dos mensaleiros condenados a vários anos de prisão.

Na primeira semana de julgamento dos recursos, dois dos principais juízes – o áspero presidente Joaquim Barbosa e o sibilino Lewandowski – trocaram alguns insultos que pareciam irreparáveis.

O mais grave deles foi proferido por Joaquim Barbosa em relação a Lewandowski.

O presidente do STF acusou o ministro blandicioso e maneiroso de querer fazer “chicana”, o que em juridiquês equivale mais ou menos a gritar “juiz ladrão” na arquibancada.

Barbosa foi acusado de prepotente e autoritário, o que não escapa muito do senso comum sobre o comportamento dele desde que assumiu sua cadeira no Supremo, e mais ainda quando assumiu a presidência, por uma regra que obriga a rotatividade entre eles no cargo máximo.

Sim, Barbosa não é propriamente um gentleman.

Chegaram a escrever aqui mesmo, neste blog, o Blog do Noblat  (e o dono do blog pode muito bem escrever o que lhe dê na telha) que a destemperança do ministro tem alguma coisa a ver com a questão racial.

Discussão ociosa, excelente para ganhar tempo e para provocar polêmica. Acusar alguém de racista hoje em dia é um esporte mais popular que o críquete na Índia.

O que acontece na verdade é o seguinte: Barbosa não é propriamente um moço de fino trato e se há alguma coisa que ele não tem de admirável são os bons modos.

É grosso, mal educado, boquirroto, e já demonstrou isso muitas vezes, principalmente quando mandou um juiz calar a boca e dizer que ele só poderia falar com sua expressa autorização durante um encontro com entidades classistas de juízes para debater a aprovação de uma lei que criava novos tribunais federais – ao custo, segundo ele, de R$ 8 bilhões.

O que vamos fazer? Jogá-lo na fogueira com a sua toga esvoaçante? Condená-lo por ser um Pai Tomás que foi nomeado ministro do Supremo por isso e mandar que fique no seu lugar?

O fato é que o que ele denunciou – que o ministro Lewandowski estava tentando fazer “chicana” e diminuir a pena dos mensaleiros através de recursos jurídicos protelatórios – era uma absoluta verdade, e o grito de Barbosa acordou os espíritos adormecidos.

Jamais alguém deveria pensar em Barbosa presidente. Jamais alguém deveria sonhar com salvadores da Pátria e homens providenciais. A História ensina que homens providenciais sempre resultaram em tragédias.

Mas o fato é que o Barbosa casca grossa, mal educado, impertinente, petulante e autoritário matou o ovo da serpente ainda no ninho. Jogou luz sobre a chicana que se articulava e a matou no nascedouro.

Conclusão: mais vale um Barbosa estúpido na mão que um Lewandowski faceiro, elegante e sibilino voando na construção de sua sutil chicana cheia de mesuras.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 23/8/2013.

3 Comentários para “A guerra das togas”

  1. Sandro, o País todo viu que o Lewandowski e o sinistro Tóffoli tentaram o tempo todo fazer o jogo de sempre, de aceitar as picuinhas criadas pela defesa. Você tem razão. O Joaquim deu uma botinada, e colocou as coisas nos eixos.

  2. A guerra das togas.

    CHICANA ESTÚPIDA E CHICANA ELEGANTEE

    MENSALÃO MINEIRO.

    “Por que não julgar?”

    Inicialmente, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio questionam o motivo de adiar o mensalão mineiro e o outro processo. O atual presidente do STF lembra que, pouco antes, haviam acabado de julgar uma Adin sobre o mesmo tema com a ausência de ministros.

    “Se nós julgamos o mais importante, por que não podemos julgar o agravo regimental [no mensalão mineiro]?”, questionou Joaquim. “É consequência do que ficou acertado ainda há pouco”, continuou.

    Ricardo Lewandowski é um dos que defendem o adiamento para a semana seguinte, quando o plenário estivesse completo. Ayres Britto se diz, então, pronto para julgar o valerioduto do PSDB, mas consulta o plenário. Joaquim Barbosa desiste da tese e apoia a postergação do caso, mas Marco Aurélio mantém-se contra. “Há quórum até para matéria de maior envergadura [Adin]”, reclamou. O caso é adiado para 23 de maio de 2012.

    Dá a impressão que a justiça suprema é CHICANEIRA!

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