7 notas, 10 números e 26 letras…

Com esses pequenos traços que podem ser feitos na areia, na terra batida, na pedra, no papel, no espaço sideral, com um graveto, uma pedra pontuda, um pincel ou os dedos, o Homem criou uma obra fantástica.

Com as 7 notas musicais ele preencheu o espaço entre o espiritual e o sensual e o tornou uno, indivisível. E não há outro modo de se alcançar esse deslumbramento, a união do espírito com a matéria: Música.

Os números são o mais alto grau da sabedoria, segundo Platão. Sem eles, não conheceríamos a Geometria e, portanto, não conheceríamos o que existe desde sempre, o Eterno.

Com as 26 letras do alfabeto, o Homem já foi do mais sublime ao mais vil. Já conquistou e já perdeu, já foi da lama às estrelas, já falou de santos e canalhas.

Já assinou tratados de paz e decretos de morte. Já escreveu livros boçais e já escreveu palavras que nos levam a Deus.

O Homem, bafejado pelo sopro divino, é tão especial que apesar de números, notas e letras terem feições diferentes em algumas partes do mundo, isso não foi impedimento para que comungasse e espalhasse suas idéias, suas descobertas e, para sempre seja Deus louvado, sua Música.

Mas que figuras controversas somos! Apesar dessa grandeza toda, como somos ínfimos e como damos importância ao que não tem nenhuma! Poder, dinheiro, glória!

Stephen Hawking, o brilhante físico inglês que sofre de grave doença degenerativa e que já ocupou, antes de atingir a idade limite, a cadeira que foi de Isaac Newton, escreveu o seguinte:

“Corremos um perigo real, que os computadores desenvolverão inteligência e nos dominarão. Precisamos urgentemente desenvolver conexões para o cérebro de modo que os computadores possam se unir à inteligência humana em vez de a ela se opor”.

Ele, Hawking, usa o computador para viver: é com esta máquina que ele se comunica com o mundo. Enquanto isso, nós a usamos para o quê mesmo? Você já se deu ao trabalho de olhar o que escreveu nas redes sociais que frequenta? Ou de reler os e-mails que envia? Gostou do que leu?

Ainda bem que existem os Poetas, músicos que fazem lindos sons com as 26 letras do alfabeto. Como o nosso poetinha-mór, Vinícius de Moraes, que completaria um século no próximo 19 de outubro. Quando ouço o que ele escreveu, fico outra vez consolada por fazer parte da espécie humana:

Soneto do amor como um rio

Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo
Eu já não cria que existisse mais.

Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 23/8/2013.

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