Dentaduras eleitorais

Duas cenas antagônicas – uma de punição e outra de ostensiva cara de pau – inauguraram 2012. De um lado, o TSE negou liminar ao prefeito de Ribeira do Piauí, Jorge de Araújo da Costa (PTB), cassado em outubro sob acusação de compra de votos. De outro, a descarada compra de votos em curso no estado de Pernambuco, sob o patrocínio do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB).

A história de Araújo Costa e de seu vice, Justino João da Costa, dá vida à folclórica troca de votos por dentaduras. Além do presente aos desdentados, teriam usado cestas básicas para obter a preferência dos eleitores do município, situado a 380 quilômetros de Teresina. De acordo com o último Censo do IBGE, Ribeira abriga 4.263 habitantes, a maioria na miséria quase absoluta.

O rolo de Fernando Bezerra é mais elaborado. Mereceria punição antecipada.

Além do delito de aplicar 90% dos recursos reservados para a prevenção de danos com enchentes no seu estado natal, onde pretende ser candidato a governador em 2014, Bezerra teve o desplante de dizer que o fazia porque Pernambuco não poderia ser “discriminado” por ser a terra do ministro.

Substituiu privilégio por discriminação e pronto.

Não bastasse a desfaçatez da explicação que nada explica, Bezerra foi pego com a mão na botija de novo: em uma manobra na surdina, tentou transferir recursos da transposição do Rio São Francisco – obra abandonada e que exigirá pelo menos mais R$ 1,6 bi para ser concluída – para a barragem de Serro Azul, também em Pernambuco.

E não parou por aí. O Ministério, por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), presidida por Clementino de Souza Coelho, irmão do ministro, destinou para Petrolina quase 23 mil das 60 mil cisternas de plástico que comprou para todo o semiárido.

Bezerra foi por três vezes prefeito da cidade, e um de seus filhos, o deputado Fernando Bezerra Coelho, é candidato ao cargo nas eleições de outubro.

Petrolina precisa de cisternas, mas não está no topo da lista, lugar que pertence a cidades da Bahia, do Ceará e de Minas. Pelo menos é o que diz o Plano Brasil sem Miséria, menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff. Ainda assim, as baianas Juazeiro e Bom Jesus da Lapa vão receber só 11 mil cisternas, menos da metade das do berço político do ministro.

Pelo que se sabe, Bezerra não chegou a distribuir dentaduras. Mas, assim como o prefeito da paupérrima Ribeira do Piauí, explora a miséria em benefício próprio. Seus dentes mordem nacos de dinheiro público para o seu curral eleitoral. Aos eleitores caberá lhe permitir ou não o sorriso

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 8/1/2012.

5 Comentários para “Dentaduras eleitorais”

  1. Dr. José Vieira Camelo Filho-Zuza

    OS HISTÓRICOS DESMANDOS E DESCUIDOS NO ESÍRITO SANTO

    Estes problemas com a coisa pública são marcantes no dia a dia dos brasileiros e no Espírito Santo (agora com o apelido de Ribeira), não é diferente. Os descuidos são históricos e iniciaram com o processo de criação do município em 1996, quando trocaram o nome Espírito Santo (povoado fundado no final da década de 1940 e início dos anos de 1950) pelo o abominável apelido de Ribeira do Piauí. Tal nome não fazia sentido porque ribeira é uma localidade situada no vale de um rio. No entanto, o mais grave é que este ato irresponsável ocorreu porque o prefeito da época de sua autonomia, pretendia levar a sede do município para o povoado da Barriguda e não se justificava ser chamado de Espírito Santo, por isso, Ribeira era mais adequado, caso este objetivo se consolidasse voltaria o seu nome anterior.
    Desta forma, a falta de cuidado e de responsabilidade com coisa pública no Espírito Santo iniciou com a troca do seu nome, fato considerado um enorme desrespeito com aqueles que nasceram e vivem neste antigo povoado do Divino e com quem luta pela preservação da história e da cultura locais em todo Brasil. Como não foi possível transferi a sede municipal, por puro interesse imediato do mandatário de plantão naquela época, o mesmo comete o irresponsável erro de transformar o mercado municipal na Prefeitura, e desde então o Espírito Santo ficou sem seu mercado. Daí cabe à pergunta por que não construíram um prédio novo para funcionar a Prefeitura municipal? Certamente, que tivemos uma apropriação indevida daquele bem público para outros fins sem a correspondente compensação, portanto a execução desta medida foi danosa para os beneficiários do mercado. Portanto, o fato do prefeito ser afastado, decorre da somatória de erros e desrespeitos com os moradores que vem sendo historicamente cometidos na terra do Divino
    O tempo passou e os erros continuaram ocorrendo e resultaram na deposição do prefeito Jorge de Araújo Costa (Doutor). Contra, ele pesam várias acusações, inclusive a de abuso econômico na sua campanha nas eleições de 2008, algo pouco provável, já que era candidato único, com relação as demais acusações que indicam o uso de notas frias para fraudar o FUNDEB, ele tem todo o direito de se defender, mas caso tenha culpa deve pagar pelos erros cometidos. Já a prefeita (tampão) Irene Gronemberger, resta apenas completar o mandato de Doutor e tocar a administração municipal sem qualquer pretensão, é o mínimo que se espera. Disso tudo, fica a lição para o próximo prefeito(a) porque, realizar uma boa gestão dos bens e recursos públicos é preciso evitar a prática de empregar gente que não trabalha. Por outro lado, não cometer nepotismo (empregar parentes), porque tais atos resultam no desperdiço dos recursos públicos, por isso, tem que realizar tudo aquilo que o seu cargo exige.
    O próximo prefeito do Espírito Santo atualmente apelidado de Ribeira tem vários desafios entre eles consertar um erro histórico que é realizar o retorno do nome Espírito Santo, alterado quando obteve a sua autonomia e acabar com este apelido denominado Ribeira. Lembrando, que a prefeitura não é propriedade do prefeito e nem dos seus aliados ou amigos. Portanto, tem que ser administrada para atender as necessidades do conjunto dos moradores do município, independente da filiação partidária, porque os recursos são públicos. O futuro prefeito tem que se livrar das tentações de empregar pessoas que moram em outras cidades e nunca aparecem no trabalho, prática que sempre aparece na imprensa citando muitos municípios brasileiros e o Piauí se inclui nisto com bastante ênfase, lembrando que tal prática tem que ser banida, visto que ela é criminosa.
    Cuidar da gestão da saúde da população é fundamental, destacando que existe a acusação de que no Espírito Santo (Ribeira) tem uma edificação concluída para ser um Posto de Saúde, porém por mesquinhez política local e regional, o mesmo ainda não está funcionando. A educação, também merece cuidados especiais dos gestores municipais, os seus recursos tem que serem aplicados nas escolas, desviar, desperdiçar ou apropriar-se dos mesmos de forma indevidas é um crime imperdoável, que resulta em processo e prisão, portanto é obrigação do prefeito cuidar corretamente destas questões, é o que se espera da gestão que vai iniciar em 2013. O retorno do nome Espírito Santo será uma medida relevante que repara um erro imperdoável cometido por mesquinhez política e desrespeito a população do antigo povoado do Divino e das suas cercanias.

  2. ESPÍRITO SANTO, DA PERDA DO NOME ORIGINAL AO APELIDO DE RIBEIRA DO PIAUÍ: UM APAGÃO DA SUA HISTÓRIA.
    Dr. José Vieira Camelo Filho-ZUZA
    Este ano 5.564 administrações poderão mudar em vista da realização das eleições municipais. Esses municípios terão de enfrentar as restrições impostas pelas crises econômicas internacionais, que tiveram inicio em 2008, nos EUA, e cujos efeitos negativos sentiram-se pelo resto do mundo, notadamente na Europa, em 2011. Apesar do esforço do governo brasileiro para reduzir os efeitos destas crises, mesmo que moderadamente, o Brasil também foi afetado. Por causa da falta de recursos próprios, a maioria dos municípios depende do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para fazer seu custeio.
    Então, a situação poderá se agravar devido à limitação financeira decorrente da retração do crescimento econômico do País. Municípios criados especialmente na década de 1990, tiveram gastos elevados para o custeio com a montagem de novas estruturas, mesmo que parte desses custos tenham sido de natureza irresponsável. Assim, Os prefeitos saídos das urnas terão um grande desafio e poderão se deparar com uma realidade desesperadora, porém a luta para contornar os efeitos da crise europeia citada acima tem que ser travada por todos os brasileiros, incluindo o governo e os eleitos em 2012
    O Piauí exagerou na criação de municípios no decorrer da década de 1990. O número quase dobrou, embora muitos deles não apresentassem as mínimas condições para concretizar-se estruturalmente. Uma vez criados, passaram a sobreviver dos repasses do FPM. Alguns, como o Espírito Santo, que recebeu o apelido de Ribeira do Piauí, não dispõem de recursos próprios sequer para seu custeio. Em decorrência da distância e do isolamento geográfico em relação à sede municipal localizada em São João do Piauí, o novo município fez juz a sua criação para oferecer serviços como pagamento de aposentadorias, correios, cartórios, saúde, educação; além de outros que beneficiam a população daquela região. Embora tais serviços pudessem ser instalados em vilas e povoados do País, criar municípios para atrair benefícios públicos não é uma boa medida. A emancipação quando bem planejada pode fortalecer o município em termos econômicos e políticos. Quando não, pode ser prejudicial.
    Por outro lado, um governo de orientação neoliberal, sempre voluntarioso para atender as orientações de órgãos supranacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), bem como as pressões dos países ricos, não pestanejará em promover o reagrupamento dos municípios que não dispõem de recursos para o seu custeio. Isso certamente poderá ocorrer em nome da racionalidade administrativa se o governo estiver premido por uma crise econômica. O processo de privatização das empresas estatais realizado no Brasil e em outros países na década de 1990 é exemplo deste tipo de ajuste econômico. Não podemos esquecer que no passado vários municípios do Piauí perderam a autonomia, entre eles, Canto do Buriti. Isso ocorreu em 1931 quando seu território foi incorporado ao município de São João do Piauí e só mais tarde obteve o retorno de sua autonomia
    Já o Espírito Santo tornou-se autônomo, mas perdeu seu nome original, recebendo o apelido de Ribeira do Piauí. Esta denominação associa-se a um ponto geográfico situado no vale de um rio, porém, o mais grave é que esta mudança constituiu um enorme desrespeito aos habitantes, à memória dos seus fundadores, e aos moradores que viveram e vivem nos arrabaldes do povoado.
    A denominação de Ribeira foi bem coerente com o local geográfico onde pretendiam instalar a sede do município, isto é, no vale do rio. Nunca esqueçamos que muitas pessoas não concordam e nem gostam deste apelido. E ainda bem! Pois graças a esta gente valente do Espírito Santo e de outras vilas do Brasil – pessoas que não se calam diante de decisões desastradas de um pequeno grupo que não representa a maioria da população – é que a história se constrói e os valores culturais e paisagísticos de nosso chão são defendidos
    O próximo prefeito, juntamente com os vereadores que sairão das eleições de outubro de 2012, terá a oportunidade de reparar este erro crasso e assim passar para a história como aquele que atendeu às aspirações das pessoas que reclamam contra uma medida antidemocrática, tomada na época de sua criação. É preciso superar os tropeços lamentáveis ocorridos em sua história, como o fato de seu primeiro prefeito ter a candidatura cassada pelo TRE por irregularidades administrativas na prefeitura, sendo que o segundo teve o mandato interrompido pelo mesmo motivo. Trata-se de uma história desabonadora que marcou a pequena Espírito Santo.
    No âmbito do Estado, estes problemas se multiplicam e têm que ser enfrentados. No que diz respeito à aplicação dos recursos, os desafios são enormes, sobretudo, porque os municípios dependem dos repasses do FPM, com o dinheiro pago por toda a sociedade. Portanto, têm que ser bem aplicados em áreas como a educação, saúde, habitação, saneamento básico; prioridade de todos os gestores porque o atendimento dos serviços prioritários da população continua insatisfatório. Outros desafios dizem respeito ao exercício democrático da gestão municipal. Deve-se evitar a tentação de encarar as prefeituras como propriedades dos vencedores das eleições e dos seus aliados, porque elas pertencem a todos, portanto é chegada a hora de romper as cercas dos currais, porque nossa gente não é gado.

  3. AS ELEIÇÕES DE 2012, MUDANÇAS E CONTINUIDADES EM 5.564 MUNICÍPIOS DO PAÍS.
    Dr. José Vieira Camelo Filho-ZUZA
    A história política do Brasil mostra uma forte centralização das decisões políticas por parte do Poder Central. Este processo iniciou no Império e prosseguiu na República. Estas decisões eram articuladas na cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil, sede do Poder Central por 138 anos e irradiou suas influências política, econômica e cultural em todo território nacional. Mesmo após a inauguração de Brasília em 1960, o Rio de Janeiro continuou como ponto de referência das elites endinheirada de todas as regiões do País. Gente que nunca se preocupou com o atendimento das necessidades básicas da população de seus estados, sobretudo na região nordeste. Com isso, acumulou-se muitos problemas sociais em áreas como Saúde, Educação, Habitação e Saneamento Básico, junto a isso, persistiu uma vergonhosa concentração de renda nas mãos de uma pequena parcela da sociedade. Apesar de certa melhora em algumas destas áreas, especialmente no que diz respeito o acesso ao Ensino Fundamental, Ensino Médio e a Saúde, contudo estes serviço continuam precários.
    Em 1960, a sede do Governo Central foi deslocada para o Planalto Central do Brasil com a inauguração de Brasília, no entanto pouco se fez pelo restante do interior deste grande País e a população continuou sendo tangida de um lado para outro como se fosse gado. Destacando que a década de 1960, foi marcada por crises políticas decorrentes da renúncia do presidente Jânio da Silva Quadros (UDN), em 1961 e da posse do seu vice João Belchior Marques Goulart. Estes fatos resultaram no golpe militar de 1964 e a implantação da ditadura militar que levou o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco a presidência da República. Portanto, esta década iniciou com a crise da renúncia do presidente Jânio Quadros e terminou com a crise política decorrente do falecimento do marechal e presidente da República Artur da Costa e Silva, em 1969. Já a década de 1970, começou com elevado crescimento econômico, período denominado de Milagre Econômico, no entanto a maioria da população foi excluída dos benefícios deste Milagre, sobretudo a parcela que vivia no meio rural. Já os anos de 1980, foram marcados pela ocorrência de secas no nordeste, crises econômicas internacionais e internas e pelo fim da ditadura militar em 1985, com a eleição indireta que elegeu Tancredo de Almeida Neves para presidente. Mas, com o seu falecimento antes de tomar posse o vice José Sarney de Araújo Costa assumiu o poder.
    A década de 1990, iniciou com a posse do presidente Fernando Collor de Mello, eleito pelo voto direto, após 21 anos de ditadura militar. No entanto, os problemas de ordem econômica e política se acentuaram, primeiro devido o programa de ajuste econômico do novo governo e o segundo em decorrência do impeachment de Collor. Com isso, o vice Itamar Franco completou o mandato e procurou estabelecer a normalidade política e econômica do País tendo como marca de sua passagem pelo o governo à criação do Plano Real. Em 1994, realizou-se eleições gerais e o senador Fernando Henrique Cardoso-PSDB foi eleito presidente da República, com a incumbência de combater a inflação, operando o Plano Real criado no governo anterior. O governo de FHC adotou a orientação política neoliberal, com a tarefa de reduzir a presença do estado nas atividades econômicas do País, isso se deu por meio do Programa Nacional de Desestatização que vendeu as empresas estatais para o setor privado ou empresas estatais de outros países. Apesar da sua política de ajuste econômico, FHC foi bastante flexível com a criação de novos municípios em todo o País.
    Concomitantemente, FHC tratou a pão e água os prefeitos brasileiros, tanto que eles fizeram várias marchas para Brasília e nunca foram recebidos pelo presidente. Os prefeitos só conseguiram ser recebidos pelo presidente quando Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder em 2003. Na verdade os analistas destacam que a criação indiscriminada de municípios só foi possível por conta do Fundo de Participação dos Municípios-FPM, pois à maioria dos novos municípios não dispunham de recursos para se custearem. No caso do Piauí, chegou a ser um vexame porque quase dobrou o número de municípios, sendo que parcela significativa deles não possuíam as mínimas condições para se manter. Foram criados, apenas por oportunismo de alguns grupos políticos locais e regionais que seriam beneficiados com o FPM.
    Frente ao acúmulo dos problemas apontados ao longo da história e do surgimento de outros novos, tais como as questões ambientais decorrentes do desmatamento das matas e da poluição atmosférica, dos rios, lagos e oceânica, dos depósitos de lixos irregulares e o desperdiço da água potável. Aliás, o Piauí apresenta a contradição de possui grandes lençóis de água subterrânea (aquífero ou bacia do Gurupi) e da falta de água para atender a população, sobretudo nos períodos de estiagens (secas). Ao mesmo tempo, é campeão em desperdiço de água nos tais poços jorrantes espalhados por vários locais do seu território, com destaque para o município de Cristino Castro no sul do estado, esta estupidez precisa mudar. O descuido com a preservação dos valores históricos, culturais e paisagísticos continua presente em grande parte do País como ocorreu no povoado do Espírito Santo, no Piauí, onde cometeram um apagão histórico com a alteração do seu nome original que passou ser chamado pelo apelido de Ribeira do Piauí.
    Este tipo de estupidez ocorreu em várias localidades, povoados e vilas históricas do Piauí e de todo o Brasil. Alguns lugares recuperaram os seus nomes originais, graças à luta da população local. Com a Proclamação da República em 1889, e por insensatez de alguns republicanos alterou-se o nome da cidade de Pedro II para Itamaraty. Mas, a população nunca aceitou este atrevimento e lutou por duas décadas (20 anos) e garantiu o retorno do seu nome original. A cidade de Pedro II, localiza-se no nordeste do Piauí, é uma instância turística e o único local do mundo fora da Austrália que se extrai a opala (pedra nobre). Outra situação semelhante ocorreu com o povoado de Rolândia, no Paraná, fundado em 1935 que tornou-se autônomo em 1943, entretanto trocaram o seu nome pelo apelido de Caviuna. Porém, a população local não aceitou este desacato, foi à luta e em 1947, o nome original retornou.
    Já Santa Rita-PI, (desmembrada do município de São João do Piauí) no momento da sua autonomia quiseram alterar o seu nome para um apelido qualquer, mas a população não permitiu a ocorrência deste crime. Existem outros inúmeros exemplos como é o coso de Pau Grande, no Rio de Janeiro; cidade onde nasceu o jogador Garricha, os idiotas de plantão quiseram mudar o seu nome e a população não permitiu tal sandice. Já no caso do Espírito Santo, conseguiram concretizar esta insanidade, apesar de parte significativa da sua população ser contra, por outro lado, esta alteração contraria a Constituição Federal, que exigi a realização de plebiscito para que isso se concretize. O retorno de seu nome será uma questão de tempo, pois nunca é tarde para isso acontecer, mirem nos exemplos de Pedro II, Rolândia.
    O próximo prefeito(a), certamente passará para história caso consiga realizar o retorno do nome Espírito Santo e fazer uma reparação de um erro crasso que se concretizou quando promoveu a sua autonomia em 1996. Certamente, que o retorno do nome originário contará com o apoio da população local, dos novos vereadores do senador Wellington Dias e dos brasileiros que lutam pela preservação dos valores históricos e cultural de todo o País, incluindo o município do Divino.

  4. RIBEIRA DO PIAUÍ, APELIDO QUE APAGOU A HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO: ESTA TRAPALHADA TEM QUE SER REPARADA.
    Dr. José Vieira Camelo Filho-Zuza
    Localizado a 377 km de Teresina, na microrregião do Alto do Canindé, na bacia do Médio Parnaíba, o povoado do Espírito Santo fazia parte dos municípios de São João do Piauí, e ao tornar-se município incorporou uma pequena parcela dos territórios do Canto do Buriti e de Socorro, conseguindo autonomia por meio da Lei Estadual no 4.810, de 14 de dezembro de 1995. Trata-se de um espaço geográfico abençoado por Deus e amoldado pela arte da natureza com seus talhados (falésia, barreiras ou cortes nas rochas), caldeirões e marmitas distribuídas nos vales dos riachos do Lambi, do Tabuleiro, da Luzia, no Ingongo e da Gaza, no Alto. Estes tipos de formações geológicas são encontrados em todo o território do Divino, mas a existência dos depósitos de salitre (sal da terra) nas imediações do Povoado de Salinas chama atenção da paisagem natural espiritossantense, sem contar que esta área historicamente foi produtora de arroz de vazante durante o período da estiagem (seca) entre maio e outubro. Estes locais apresentam um enorme potencial para o desenvolvimento do turismo ecológico e científico (realização de trilhas de lazer e visitas de estudos biológicos, ecológicos e geográficos). Portanto, fica a dica para a Secretaria Estadual de Turismo, Prefeitura e agentes ligados a este setor para a realização de estudos e análise da viabilidade econômica e turística destas áreas.
    Porém, o pequeno município de Espírito Santo, hoje denominado Ribeira do Piauí, vem enfrentando dificuldades de ordem política, econômica e administrativa desde a sua fundação. Desafios comuns à maioria dos municípios criados no mesmo período, seja no Piauí ou em qualquer outro estado do País. Daqui em diante, todos eles vão enfrentar uma série de limitações, sobretudo de ordem financeira, assim como a falta de recursos humanos e técnicos. Os prefeitos eleitos em 7 de outubro corrente terão que encontrar saídas criativas para superar tais dificuldades, e desta forma cumprir as propostas e projetos apresentados durante a campanha eleitoral. Lembrando, que apesar do curto período da história destes municípios, eles contraíram enorme somatória de problemas acumulados ao longo do tempo, sem falar das novas demandas que surgirão. O Espírito Santo se inclui nesta lista.
    Os descuidos com o nosso município iniciaram-se com sua autonomia. A primeira imprudência foi trocar seu nome original por um apelido, fato que desagradou tanto moradores locais quanto habitantes de seus arraiais. O município se formou a partir da junção de 3 povoados: Salina, na porção sul, Barriguda na região central (ambos situados nas margens do rio Piauí ), e o Espírito Santo, ao norte. Localizado no interior, a 6 km do leito do citado rio, o Espírito Santo foi escolhido para ser a sede municipal por ser o mais populoso.
    Na verdade, no seu primeiro mandato, o prefeito Solano Silva pretendia transferir a sede do município para o povoado da Barriguda, daí o Espírito Santo voltaria à condição de povoado com seu nome original. Tanto que, o ex-vereador Erivaldo Cronemberger elaborou um projeto com o objetivo de que o nome originário do Espírito Santo voltasse a ser adotado. Este projeto, aprovado na Câmara, acabou vetado pelo prefeito. No seu segundo mandato, Solano não teve condições políticas e administrativas para cuidar desta questão, isto em decorrência de problemas com a Justiça relacionados com malversação administrativa. Destacando que, durante os dois mandatos (8 anos), o prefeito não teve moradia fixa na sede do município, mas mandou construir uma casa no povoado da Barriguda.
    A retomada do nome original poderia ter sido resolvida na administração que se seguiu na pessoa do prefeito Jorge de Araújo Costa. Por ser natural do Espírito Santo, certamente não tinha interesse na mudança da sede municipal preconizada anteriormente, mas faltou vontade ou coragem para retornar o nome original. Infelizmente não houve interesse e nem vontade suficiente e a volta do seu nome é uma bandeira que continua erguida e tem que fazer parte da agenda dos problemas que precisam ser resolvidos.
    Doutor, como é o conhecido Jorge de Araújo Costa, terminou afastado do cargo um ano antes de completar o seu segundo mandato por conta da acusação de administração fraudulenta. Frente a estas dificuldades, a atual prefeita Irene Mendes da Silva Cronemberger, terá muito trabalho pela frente.
    A prefeita Irene tem que se diferenciar dos antigos prefeitos e colocar o Espírito Santo nas páginas do progresso e transparência política, nisso inclui-se o retorno do nome originário do município, cuja alteração está no nível de um verdadeiro caso de polícia, sendo um marco negativo de sua história. Sem contar que a prefeita vai se deparar com a difícil problemática econômica, já que o município não dispõe de receitas para o seu custeio e depende fundamentalmente dos recursos provenientes Fundo de Participação dos Municípios -FPM para sua manutenção.
    Quando a Assembleia Legislativa votou a criação dos municípios, a alteração de nomes certamente não era imposição sine qua non. No frigir dos ovos, foi um “escolho” individual para atender interesses mesquinhos sem levar em conta os valores históricos e o respeito aos seus habitantes. Isso tem que mudar

  5. A HISTÓRIA PEDE PASSAGEM NO ESPÍRITO SANTO E FOI INTERROMPIDA EM RIBEIRA DO PIAUÍ.

    Socióloga e profª Anatalina Lourenço da Silva.

    Numa leitura atenta a respeito do Povoado do Espírito Santo fica claro o descuido político ou oportunismo do seu primeiro prefeito que alterou o seu o nome par Ribeira do Piauí, após a sua autonomia em 1995. Isso contribuiu significativamente com a perda da identidade histórica e das referências que os seus habitantes têm com aquele local. No decorrer de sua existência, em nenhum momento verifica-se uma justificativa plausível para este ato. Por exemplo, na mesma época o Pajeu do Piauí e São Miguel do Fidalgo, obtiveram autonomia e mantiveram os seus nomes originários e desta forma, asseguraram a história e a identidade cultural destes locais. Frente às circunstâncias apontadas acima, cabe interrogar por que existe uma forte resistência ao retono do nome originário deste povoado? Tive oportunidade de conversar com pessoas deste município que perdeu sua identidade e ninguém concorda com o nome Ribeira, portanto manter esta denominação é uma afronta a parcela significativa dos cidadãos do Espírito Santo. Como socióloga, cidadã piauiense, de Morro Cabeça no Tempo e brasileira, considero que estes fatos me incomoda por demais e desta forma procurei engrossar as fileiras daqueles que exigem a volta do nome original do município. Ter esta postura significa está em sintonia com respeito e direito da população em preservar a história e a cultura dos locais que vive.
    O livro “Espírito Santo: um pontinho do Brasil que não pode ser apagado” (2001), do Dr. Zuza, que trata da história do Piauí, tem como ponto de partida a problemática histórica deste local, e procura demonstrar a inconsequência da alteração do seu nome. Tanto, que em artigos postados na internet em 2012, continua questionando aquela medida que culminou com o apelido de Ribeira. A partir destas leituras fica claro a forma autoritária como este procedimento foi executado, portanto é inconcebível que ninguém responde por este lamentável fato, ao mesmo tempo, não se justifica tamanha dificuldade em revogar ou concertar tal erro. A tentativa de aproveitar dos fatos consumados ou alegação de que já passou muito tempo, também não justifica.
    Com a Proclamação da República, em 1889, trocaram no nome de Pedro II para Itamaraty, cidade situada no nordeste do Piauí, mas a população nunca se conformou com esta nova denominação e duas décadas mais tarde tal medida foi revogada e o nome Pedro II retornou. No âmbito internacional, lembro que em 1924, a cidade de São Petersburgo, na União Soviética teve o seu nome alterado para Leningrado, a população nunca aceitou esta medida, tanto que em 1991, retornou a denominação originária. Lembro que está em andamento um projeto que visa a divisão do Piauí em dois estados, caso esta proposta se concretize teremos a alteração da estrutura jurídica e política de todos os municípios dos futuros Estados, mas antes disso o Espírito Santo tem que retornar o seu nome originário
    O Dr. Zuza destaca em seus artigos que o apelido Ribeira foi dado porque o primeiro prefeito pretendia levar a sede municipal para o povoado de Barriguda situado na ribeira do rio Piauí. Cabe especular se a dificuldade em reparar o erro cometido no passado, será por que ainda pretendem mudar a sede municipal? Portanto, o retorno do seu nome original é fundamental para a consolidação da história e reparação do erro cometido contra o povoado do Divino. Feito estas observações é fundamental que a prefeita Irene Mendes da Silva Cronemberger e os vereadores (de todos os paridos) empossados no dia 1 de janeiro do corrente ano corrijam este erro cometido contra o Espírito Santo-PI. Será uma medida de impacto político que atende as reclamações daqueles que exigem a volta do nome anterior para o pequeno município do sudeste piauiense.
    Esta exigência engloba parcela da população local e de outros lugares do Piauí e do Brasil. Gente de todas as profissões, posição política partidária e créditos religiosos, portanto o seu retorno, não é uma questão partidária e nem de birra pessoal e sim a cobrança de toda a sociedade. Nos currículos escolares brasileiros, nas primeiras séries tem como praxe estudar a Geografia, a História e a Cultura local, isto vale para as séries seguintes, ou seja, do Ensino Médio. Por isso, os alunos da Unidade Escolar Expedito Cronemberger dos Reis, também têm o direito de estudar e discutir estas questões, nisso podemos incluir as unidades escolares municipais de Salina, Barriguda e Ingongo que tem a obrigação de conhecer a sua história e certamente não concordarão como o nome do seu município foi estabelecido. Apesar das muitas atribuições da prefeita, mas alterar o nome deste município é preciso, o Espírito Santo te aguarda, isso atende os brasileiros que exigem respeito com sua história, valores culturais e paisagísticos de todo e qualquer lugar, inclusive no Espírito Santo-PI.

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