Historinhas de redação (2): O Cafa e a lista telefônica

O Inajar de Souza morreu jovem e hoje é nome de avenida da zona norte de São Paulo. Era pessoa amável, e se divertia fazendo o gênero cafajeste. Na redação, havia uma repórter bonita, que vestia com sobriedade, mas, obediente à moda, com a saia acima do joelho.

Um dia estava sentada à sua mesa, mas com a cadeira voltada para fora. Pernas cruzadas, à vista. Cafa resolveu aplicar o golpe de deixar cair alguma coisa na frente da moça. Abaixar para pegar, e espiar-lhe as pernas, de ângulo privilegiado.

Foi o que fez. Na frente de todo mundo, pegou uma lista telefônica, na época um livrão pesado, e a deixou cair na frente da colega. Mesmo com o estrondo, e o susto da vítima, completou seu número.

 Outra da lista telefônica

 Na época pré-informática, a lista telefônica era indispensável. Havia muitas delas na redação. Um contínuo antológico (contínuos são antológicos), o seu Ivan, completava o salário com uma viração. Vendia cartelas de ovos na redação. Imagine como eram as coisas, naquele tempo…

Afinal, se a mulher do motorista Ômega vendia coxinhas, porque Ivan não podia oferecer ovos? (Ômega era motorista da reportagem, sujeito grosso; o apelido se referia à marca do relógio, com o símbolo da ferradura.)

Voltando ao seu Ivan. Ele vendeu duas cartelas para um colega (não lembro o nome, quem lembrar ajude). Embrulhou com jornal, e amarrou com barbante, como fazia sempre. Às tantas, o comprador (acho que era um copy, um redator) se afastou de sua mesa. Os gaiatos da redação aproveitaram e trocaram os ovos por uma lista telefônica embrulhada da mesma forma.

Na hora de sair, o colega pegou o pacote, e foi embora.

Aí os gozadores telefonaram para a portaria, e avisaram que um funcionário estava roubando uma lista telefônica.

Postado em abril de 2010

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