Em momentos de tantas reviravoltas como as que vivemos atualmente, convém não confundir o circunstancial com o permanente, para não se ter uma visão turva ou se deixar contaminar pelo catastrofismo. Continue lendo “O episódico e o permanente”
As ruas gritaram. Só não ouve quem é doido
Estava linda a Avenida Paulista neste domingo, 4 de dezembro. Como seguramente estava linda a Avenida Atlântica, a Praça da Liberdade, a Avenida Boa Viagem, a Esplanada dos Ministérios, para citar só as manifestações que já vi nas fotos do Rio, de Belo Horizonte, do Recife, de Brasília. A Paulista, isso posso garantir, estava uma beleza. Continue lendo “As ruas gritaram. Só não ouve quem é doido”
Bipolaridade demais, senso de menos
Política não é cartesiana. Nela, dois mais dois por vezes não somam quatro, e o antagonismo simplista é quase sempre um equívoco. Dizer isso em um planeta que tem preferido a grita (o nós x eles) à análise de fatos e à maturação de ideias beira o extemporâneo. Mas trata-se de prudência obrigatória, quanto mais diante de temas tão palpitantes quanto medidas para coibir a corrupção e o abuso de poder. Continue lendo “Bipolaridade demais, senso de menos”
Deus se lembrou que é brasileiro
Depois de uma tragédia estúpida e cruel como a de anteontem, quando perdemos 71 pessoas por falta de combustível, por descuido e imprudência! Depois de tanto chorar ao ler sobre os meninos da Chape e de acompanhar com o coração apertado as lindas homenagens ao querido time de Santa Catarina, Deus favoreceu o Brasil nos enviando esta quinta que, se não apaga nossa tristeza, ao menos alivia nossa dor. Continue lendo “Deus se lembrou que é brasileiro”
Educação em Cuba
Que fique claro: ditaduras não se justificam em nome dos avanços sociais e muito menos são pré-condição para tais conquistas. Não há, portanto, nenhum sentido em absolver Fidel Castro e o seu regime sob o pretexto de a revolução cubana ter promovido a “igualdade”. Continue lendo “Educação em Cuba”
Gente indigesta
Alçado ao cargo maior da República depois dos escândalos de corrupção que destroçaram o PT, do acirramento das crises política e econômica – aprofundadas pela incompetência e soberba de Dilma Rousseff -, e pela pressão das ruas, o presidente Michel Temer só tinha duas alternativas: acertar ou acertar. Nos rumos da economia e na moralidade com a coisa pública. Mas não se cansa de errar: ainda patina no ajuste das contas e esborrachou-se de vez no plano ético. Continue lendo “Gente indigesta”
A onda “nacional-populista”
O início do século 21 foi marcado por uma nova onda populista na América Latina, de corte anti-imperialista, terceiro-mundista, voltada para as massas de descamisados não incorporadas ao mercado de consumo, marginalizadas do processo de globalização. Apesar de ser um fenômeno regional, o bolivarianismo nas suas diversas vertentes – chavismo, lulo-petismo, kirchnerismo, entre outros – virou referência para a esquerda, como nova via para o socialismo e alternativa à mundialização da economia. A onda entrou em colapso com a explosão da bolha das commodities, que as financiava. Continue lendo “A onda “nacional-populista””
Lei demais em um país sem lei
Para coibir safadezas com o dinheiro público, o Brasil precisa de leis específicas e rigorosas. Essa foi a inspiração do Ministério Público Federal ao propor as 10 medidas contra a corrupção, que, seguramente, serão desfiguradas no cabo de guerra em que se tornou a apreciação da matéria na Câmara. Tanto ali quanto no Senado, todos defendem, da boca para fora, as investigações da Lava Jato e adjacentes. Mas no confronto com a realidade tudo muda de figura. E uma lei a mais pode ser a salvação de quem quer fugir da lei. Continue lendo “Lei demais em um país sem lei”
Minha alma chora…
Tom Jobim, o carioca essencial, começa seu delicioso Samba do Avião com um verso que sempre me emocionou: Minha alma canta/ vejo o Rio de Janeiro… A chegada ao Rio no Aeroporto do Galeão, que inspirou o Tom, é um dos espetáculos mais deslumbrantes entre os que o Rio oferece, só empata com a beleza estonteante vista do alto do Corcovado. Continue lendo “Minha alma chora…”
O que faz falta
Na semana em que a República completa 127 anos, o Senado Federal acaba de aprovar em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma partidária e estabelece, entre outros dispositivos, a chamada cláusula de barreira. Continue lendo “O que faz falta”
Vai melhorar (21). Ano que vem vai melhorar
Nos últimos dias, houve novos sinais, indicações de que a economia do país vai melhorar, depois de ter sido levada ao fundo do fundo do poço pelos governos lulo-petistas. Novos sinais positivos – mais uma vez. Tem sido assim, ao longo dos últimos seis meses, depois do afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República. Continue lendo “Vai melhorar (21). Ano que vem vai melhorar”
Justiça boa é Justiça justa
Tema polêmico, que divide o mundo jurídico, a prisão de réus condenados em segunda instância antes de esgotados os recursos nos tribunais superiores foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite da última quinta-feira. Passa, portanto, a valer para todos os tipos de processo em todo o país. A decisão mexe profundamente com o Judiciário: dá mais poder e responsabilidade aos tribunais de Justiça e aos tribunais federais regionais, mina a indústria de recursos e, consequentemente, confere maior celeridade à Justiça. Continue lendo “Justiça boa é Justiça justa”
Trump instilou o medo no coração do país mais forte do mundo
Nos Estados Unidos da América a madrugada de 8 para 9 de novembro foi impressionante. A maioria das grandes cidades, e muitas das pequenas, rebelou-se, ficou em polvorosa com a vitória do candidato republicano. Continue lendo “Trump instilou o medo no coração do país mais forte do mundo”
Tão jovens, tão velhos
Daqui a 20 ou 30 anos, quando as salas de aula pouco terão a ver com os dias de hoje, historiadores e pesquisadores que se debruçarem sobre o atual movimento de ocupação das escolas, em protesto contra a reforma do ensino médio, vão entendê-lo como algo tão anacrônico como a Revolta da Vacina de 1904. Continue lendo “Tão jovens, tão velhos”
Só restou ocupar escolas
Ocupação de 364 escolas, pouco mais de 2,2% dos 16 mil locais em que se realizam provas do Enem neste fim de semana, adiamento do exame para 240 mil dos 8,6 milhões de inscritos. Essa é a dimensão do movimento que se tornou bandeira única das correntes de esquerda que se viram à margem da preferência popular nas eleições municipais, e que, sem qualquer escrúpulo, jogam em cima dos jovens – estudantes ou não – o peso da derrota. Continue lendo “Só restou ocupar escolas”

