As urnas acima de tudo

Nada há de novo na novidade da semana: o presidente Jair Bolsonaro é candidato à reeleição. E é meia-verdade dizer que isso contraria seu discurso de campanha, visto que já vinculava o fim da reeleição a uma reforma política com redução do número de congressistas. Discurso semelhante ao que sustenta agora, ainda que nem lá nem cá tenha conseguido mostrar qualquer relação de causa e efeito. Nada fez pela reforma. Por via das dúvidas, não desceu um só dia do palanque. Continue lendo “As urnas acima de tudo”

O Congresso surpreende

No alto de sua sabedoria, Ulysses Guimarães respondia “esperem o próximo Congresso” para quem reclamava da baixa qualidade do Parlamento. O velho cacique tinha razão. A cada nova legislatura, sentia-se saudades da antiga. Essa lógica está sendo contrariada pela atual.  Ainda é cedo para concluir que a mudança é definitiva, mas é visível sua melhora em relação à anterior, nestes primeiros meses. Continue lendo “O Congresso surpreende”

Três, disse Frank Sinatra

Não vos vou falar de uma precipitação qualquer. Falo-vos de uma precipitação de Frank Sinatra. Tinha Judith Campbell uns 25 anos e quem diz Judith, diz Guerra Fria, FBI, Baía dos Porcos, a garganta cortada de Fidel de Castro, como outra Judith degolou a de Holofernes. Continue lendo “Três, disse Frank Sinatra”

Bolsonaro e Lula lucram com Moro ferido

Ter um ministro da Justiça suspeito de atentar contra a própria Justiça seria desconfortável para qualquer governante. Para Jair Bolsonaro, o episódio que animou os adversários é quase uma bênção, que realoca o debate para o campo simplista das paixões entre os pró e os contra a Lava-Jato. Um ambiente usado com sucesso na campanha, que dá ao presidente chances de voltar a ter nas mãos rédeas que andavam soltas. Continue lendo “Bolsonaro e Lula lucram com Moro ferido”

A máquina de moer ministros

Tenho achado difícil tirar conclusões das mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Surrupiadas por peritos hackeadores dos celulares do ministro, do procurador e de outras autoridades envolvidas com a operação Lava-Jato, são mensagens que não permitem conclusões fáceis, já que os envolvidos não negam nem admitem sua veracidade, alegando que as provas, se houvesse, já teriam sido desarquivadas há tempos. Continue lendo “A máquina de moer ministros”

Desafios que nos unem

Em seu livro “O progressista de ontem e o do amanhã”, Mark Lilla, intelectual da esquerda liberal dos Estados Unidos, faz uma profunda crítica à prioridade dada a causas identitárias, que teria sido grande responsável pela derrota do Partido Democrático para o republicano Donald Trump. Continue lendo “Desafios que nos unem”

Um tombo do Entroncamento

O seu bigode tinha todos os traços dos ideais republicanos: dois arcos reflexivos, pontas enroladas a apontar o céu, enfim, uma andorinha de asas abertas a decorar o lábio superior. Este é o bigode de Paul Deschanel e o voto dos eleitores fez desse bigode e de Deschanel o Presidente de França por sete meses e poucos dias. Continue lendo “Um tombo do Entroncamento”

Bolsonaro se finge de tolo

Ninguém poderia se dar ao luxo de priorizar o supérfluo quando o essencial agoniza. Mas nem os 13,4 milhões de desempregados, a economia estagnada, beirando a recessão, a violência crescente, a miséria abundante, a saúde e educação em frangalhos, afastam o presidente Jair Bolsonaro de privilegiar uma agenda acessória, limitada aos seus fiéis. Continue lendo “Bolsonaro se finge de tolo”

A Educação precisa de paz

Nenhum país do mundo alcançou o crescimento sustentado sem construir um amplo pacto para alavancar a qualidade da Educação. E em nenhum lugar a Educação deu o salto necessário em clima de guerra ideológica, caça às bruxas, denuncismo, estigmatização de professores ou falta absoluta de diretrizes – traços marcantes destes cinco meses do governo Bolsonaro na área educacional. Continue lendo “A Educação precisa de paz”

O descanso eterno dos ricos

A esmagadora maioria dos ricos só sabe fazer de ricos. Atrevo-me a dizer: mesmo os que um dia já foram pobres. E perdoem-me se não falo aqui do riso de Berardo. Já não há nele, no seu soletrado riso, cordão umbilical que o ligue à ancestral humildade, à genuína humanidade do pobre. Eis o que interessa, há um rico que ficou rico a fazer de pobre: Charlie Chaplin. Continue lendo “O descanso eterno dos ricos”

Quem fala demais…

Revigorado pelas manifestações em seu favor e deixando o digladio com os contras para o seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro se animou. Na semana passada, reuniu-se com os poderes Legislativo e Judiciário, fez visita surpresa ao Congresso, elogiou parlamentares. Pregou a cartilha das privatizações, e, no melhor estilo popularesco, foi para a rua, reservando parte da agenda em Goiás para um almoço “improvisado” com caminhoneiros. Continue lendo “Quem fala demais…”

O Pacto Biruta

O Adelio Bispo, depois de muitos exames, recebeu o atestado de insano. Sempre achei que esse seria o diagnóstico dado a um alucinado que no meio de uma multidão investiu contra o candidato Jair Bolsonaro e o esfaqueou. Mas não é que tem quem duvide da insanidade do infeliz? Quem você acha que é mais biruta, o Adélio ou quem duvida da sua terrível condição psicológica? Continue lendo “O Pacto Biruta”

A OCDE fará bem ao Brasil

Recentemente o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, disse em uma palestra na Fiesp que o Brasil está na agenda do passado. Nem concluiu ainda as reformas da Previdência e tributária, enquanto o mundo está em outra estação, em busca de respostas aos desafios da Quarta Revolução Industrial. Continue lendo “A OCDE fará bem ao Brasil”