Bolsonaro já era

Ouvir a filha ou o filho por detrás da porta antes que ela engravide ou que o “moleque” encha “os cornos de droga” traduz com exatidão como o presidente Jair Bolsonaro enxerga o mundo e como aplica esse olhar nocivo às questões de Estado. Não à toa, considera normal exigir informações de “inteligência” da Polícia Federal, aquelas de coxia, colhidas às escondidas, do lado de fora da porta dos trâmites legais. Continue lendo “Bolsonaro já era”

Como perder a guerra

Quem erra na estratégia perde a guerra. O conceito militar explica muito bem as razões pelas quais o Brasil está sendo derrotado pelo coronavírus a ponto de o epicentro da pandemia se deslocar para o nosso país. O método adotado pelo presidente foi o de povoar as ruas, com a ideia de que os mais fortes se adaptariam à Covid-19 e seguiriam todos em frente, imunes e sem maiores problemas. Esqueceu de pensar no que aconteceria com os mais fracos, leia-se os mais pobres, os idosos e as pessoas com comorbidades. Continue lendo “Como perder a guerra”

Bolsonaro se acha

Apropriar-se do público como se privado fosse não é um delito exclusivo do presidente Jair Bolsonaro. Longe disso. O ex Lula era um expert, a cassada Dilma Rousseff burilou a prática. Mas, como as instituições nada fizeram para colocar freios a essas transgressões, elas ganharam ares de normalidade. Viraram um sonoríssimo “e daí?”. Continue lendo “Bolsonaro se acha”

O que estamos esperando?

Leio tudo que posso sobre política, sigo todo o noticiário, acompanho as entrevistas, não perco os artigos de nossos ótimos jornalistas, mas não encontro nem um fio de explicação sobre os motivos que levam Rodrigo Maia a ignorar os pedidos de impeachment que dormem em sua gaveta. Continue lendo “O que estamos esperando?”

Subversão da ordem

“O Congresso é hoje um poder que está comprometido, que se compõe de uma minoria de privilegiados. Aquele Congresso não dará mais nada ao povo brasileiro. Por que não transferir a decisão para o próprio povo brasileiro, fonte de todo o poder?” Continue lendo “Subversão da ordem”

Sylvia levou Joyce ao colo

Toda a lésbica tem em si uma missionária. E peço já que não me crucifiquem, que a Páscoa já passou deixando a ressurreição pela hora da morte. A missionária que toda a lésbica acrisola não é tese minha, mas sim de Diana Souhami, tese vertida no seu livro No Modernism Without Lesbians. Continue lendo “Sylvia levou Joyce ao colo”

Cabresto virtual

Depois de criticar o ministro Alexandre de Moraes e afirmar que a suspensão da posse de Alexandre Ramagem na diretoria-geral da Polícia Federal quase criou um “incidente institucional”, o presidente Jair Bolsonaro atribuiu sua reincidente descompostura a um “desabafo”. Mas estava dada a senha. No feriado da sexta-feira, as redes foram pilhadas freneticamente por xingamentos a Moraes e ao decano Celso de Mello – que teria privilegiado o ex-ministro Sérgio Moro -, com a repetição da frase “O STF opera em modo golpe de estado” e a hashtag #GolpedeEstado. Continue lendo “Cabresto virtual”

Kit de sobrevivência

Bolsonaro entrou no modo “sobreviver é preciso”. Com o ministro do Supremo Celso de Mello autorizando abertura de inquérito contra ele, mais de 31 pedidos de impeachment na gaveta de Rodrigo Maia e podendo ser atingido ainda por outros dois inquéritos, o presidente partiu para reforçar a sua linha de defesa. Continue lendo “Kit de sobrevivência”

Adagio para Nova Yorque

Destruir Nova Iorque é como apagar o “Cântico dos Cânticos” da Bíblia. Nova Iorque transmite ao mundo uma energia tão sublime como “os beijos da tua boca, amor melhor do que o vinho”, que o amado e a amada reciprocamente louvam no “Cântico”. Lembro-me da minha primeira vez, antes desses aviões-bomba que pulverizaram as Torres Gémeas, muito antes deste vírus que agora enterra nova-iorquinos em valas comuns. Continue lendo “Adagio para Nova Yorque”

Um governo de mentira

Sem o paladino Sérgio Moro e em negociação avançada com os velhacos de sempre, gente do naipe de Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson, o presidente Jair Bolsonaro perdeu sua força-motriz: o combate à corrupção e à “velha política” do toma-lá-dá-cá. Resta a ele insistir na mentira, instrumento sistêmico que adotou para governar. Continue lendo “Um governo de mentira”

A chuva e o trovão

Se Jair Bolsonaro, algum dia, leu um livro de poemas, certamente não há de ter sido algum dos mais belos livros de poesia do poeta persa Maulana Jalaladim Maomé, também conhecido como Rumi. Poeta, jurista e teólogo sufi persa do século XIII, Rumi nos deixou palavras que nos fazem pensar e crescer interiormente. Exemplo: “Eleve suas palavras, não a sua voz. É a chuva que faz brotar as flores, não o trovão”. Continue lendo “A chuva e o trovão”

Água quente para o banho

Tivesse eu podido roubar uma das nove mulheres de Picasso e raptaria, com o ardor de um Rómulo, Françoise Gilot. Não só pela doçura do seu redondo talento de pintora, mas também pela bela cabeça morena, comandada pela arguta simetria das maçãs do rosto a que a velhice daria, depois, proeminência não destituída de ternura. E nem sequer falei do seu peito comovente que negava, distraído, a lei da gravidade. Continue lendo “Água quente para o banho”

Um governo ainda pior do que parece

São tantos e tão frequentes os disparates e impropérios ditos pelo presidente Jair Bolsonaro que o país passou a considerá-los normais. Mesmo multiplicadas nestes tempos de coronavírus, as asneiras diárias já nem mais espantam. Mas conseguem, como se calculadas fossem, encobrir o quanto o governo é inepto, pernicioso, ruim. Continue lendo “Um governo ainda pior do que parece”