A gripezinha do capitão

Depois de anunciar a um grupelho (convidado) de jornalistas que seu teste para a Covid-19 dera positivo, o capitão, sorridente, tirou a máscara para que os profissionais da Imprensa pudessem ver como ele estava bem. Verdade, estava com ótimo aspecto, a gripezinha não estava minando suas forças. Continue lendo “A gripezinha do capitão”

Isolado do mundo

No dia 24 de setembro 2019, Jair Bolsonaro desperdiçou uma oportunidade de ouro para se colocar em sintonia com o concerto das nações civilizadas. Estava no primeiro ano do seu mandato e abriria a Assembléia Geral da ONU, uma tradição que vem desde os tempos de Osvaldo Aranha. Havia enorme expectativa diante de seu discurso em virtude da divulgação de números que apontavam o avanço do desmatamento da Amazônia, fruto de atividades ilegais e das queimadas. Continue lendo “Isolado do mundo”

Propaganda enganosa

O ministro pode ser simpático e, dizem, habilidoso. Mas, em meio à trágica tríplice crise – sanitária, econômica e social -, a ideia de Fábio Faria de ressuscitar a TV Brasil Internacional para melhorar a imagem do país no exterior beira o ultraje. Marquetagem alguma será capaz de inverter um governo que se orgulha de ser negacionista e antiglobalista, contrário a boa parte das agendas que unem a maioria das nações – da saúde ao clima, da democracia à diversidade.  Continue lendo “Propaganda enganosa”

Mais trapalhadas na Educação

Não se conhece precedente de um ministro da Educação que tenha pedido demissão antes assumir o cargo. Também não há precedente de um vexame tão grande como o de Carlos Alberto Decotelli. Se Abraham Weintraub foi o joelho no pescoço da Educação que impedia sua respiração, Decotelli assumiu o papel de viúva Porcina de Bolsonaro, aquela que foi sem nunca ter sido. Continue lendo “Mais trapalhadas na Educação”

Trégua fake

Pregação coletiva pelo entendimento, agrados aos presidentes da Câmara, do Senado e do STF, homenagem às vítimas da Covid-19. Jair Bolsonaro parece ter sido inoculado pelo vírus do bem, capaz de fazê-lo humano diante da pandemia, afastando-o da paranoia de só enxergar inimigos por todos os lados. Mas como sua personalidade é conflituosa por natureza, a prudência recomenda esperar para ver até onde a calmaria vai. Continue lendo “Trégua fake”

A História em perigo

George Floyd, o negro americano assassinado por um policial branco, despertou manifestações em todo seu país contra o racismo brutal que assola aquela nação desde sempre. Já foi muito pior, já foi mais tenebroso do que é hoje em dia, mas permanece vivo e faz sofrer milhares de pessoas. Continue lendo “A História em perigo”

Epidemia de desgoverno

Pesquisas de opinião, quando avaliam o apoio popular do presidente, costumam perguntar aos entrevistados sobre o desempenho do seu governo. A primeira dificuldade, no caso, é identificar de que governo se trata. É aquele que precisa proteger um ministro contra uma deposição na Justiça, enviando-o para o exterior de modo tão pouco ortodoxo?

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Forças Amadas

No momento em que as Forças Armadas estão no centro do debate político, é mais do que oportuno relembrar a figura do marechal Cândido Rondon, o grande engenheiro militar e sertanista brasileiro. A leitura da sua biografia, escrita pelo jornalista Larry Rohter, nos possibilita entender que as instituições militares são admiradas pelos brasileiros por serem a mão amiga em missões de integração nacional, de paz e de ajuda humanitária. Nem por isso deixam de ser o braço forte na proteção de nossas fronteiras e na defesa da nação. Continue lendo “Forças Amadas”

A boca de Boris Vian

Vejamos, é a boca de Boris Vian. Durante 15 dias não se lhe ouvirá um som, sequer um sussurrado ai. Morreu-lhe o pai. E agora, que já vos dei a notícia, acrescento: não morreu, mataram-no. Eis o que cala Boris Vian: o pai foi morto a tiro, por intrusos, em sua casa, a vivenda provincial da família. Continue lendo “A boca de Boris Vian”

No colo de Bolsonaro

Mais de um milhão de brasileiros infectados e 50 mil mortos pela Covid-19, economia nocauteada, ilicitudes eleitorais e outras na mira policial-judicial, assombrações ressuscitadas com a prisão de Fabrício de Queiroz. Apavorantes para o presidente Jair Bolsonaro – que passou a ouvir com maior estridência os ecos de cassação e impeachment –, os últimos dias fazem saltar aos olhos as aberrações de um governo chefiado por um gerador de crises incansável, que só se preocupa com o seu clã e se nega a assumir suas responsabilidades. “Não vão botar no meu colo essa conta.” Continue lendo “No colo de Bolsonaro”

Um segredo de Polichinelo

Desde 20 de maio de 2020, o paradeiro de Fabrício Queiroz era conhecido. O “Cadê o Queiroz?” tantas vezes repetido pelos brasileiros, já poderia ter sido respondido, principalmente pelo dono da casa onde ele se abrigava, Frederick Wassef. Mas não, ao contrário, sempre que alguém fazia essa pergunta a Wassef, a resposta era “não sei”. Continue lendo “Um segredo de Polichinelo”

O gênio da incompetência

Independentemente do seu destino no governo, Abraham Weintraub vai para a galeria dos piores ministros da Educação de todos os tempos. Sob seu comando a pasta perdeu qualquer relevância, deixando de fazer o mínimo quando deveria ser protagonista, especialmente em momentos tão cruciais como o da pandemia. Continue lendo “O gênio da incompetência”

Em louvor dos palhaços

Uns palha­ços, todos! É tão fácil, hoje, des­pe­jar os polí­ti­cos pelo cano do esgoto. Palha­ços, arlequins, jokers, encan­ta­do­res de ser­pen­tes. E eu peço ao José Tiny, admirável ilustrador destas pobres crónicas, que desenhe aqui um, demagogo, trumpiano e com um par de botas. Mas con­fesso já: não con­sigo cal­çar esse fácil par de botas. Talvez os políticos não sejam os palhaços que sempre são na conversa de café ou tasca. Continue lendo “Em louvor dos palhaços”

Comunicação não faz milagre

Bem recebida no Congresso e por empresários do setor, a nomeação do deputado Fábio Faria (PSD-RN) para o recém recriado Ministério das Comunicações alcançou apoio surpreendente para um governo que prometia cortar pastas, enxugar a máquina pública e jamais fazer o jogo do toma-lá-dá-cá. Nessa carochinha coletiva, engrossou-se o faz de conta de que o “gargalo” do governo é a comunicação. Continue lendo “Comunicação não faz milagre”