Ando a comer a Madame Bovary. Ora vejamos e toca a andar: não sou só eu. Continue lendo “Quem anda a comer Joyce?”
Trégua fake
Pregação coletiva pelo entendimento, agrados aos presidentes da Câmara, do Senado e do STF, homenagem às vítimas da Covid-19. Jair Bolsonaro parece ter sido inoculado pelo vírus do bem, capaz de fazê-lo humano diante da pandemia, afastando-o da paranoia de só enxergar inimigos por todos os lados. Mas como sua personalidade é conflituosa por natureza, a prudência recomenda esperar para ver até onde a calmaria vai. Continue lendo “Trégua fake”
A História em perigo
George Floyd, o negro americano assassinado por um policial branco, despertou manifestações em todo seu país contra o racismo brutal que assola aquela nação desde sempre. Já foi muito pior, já foi mais tenebroso do que é hoje em dia, mas permanece vivo e faz sofrer milhares de pessoas. Continue lendo “A História em perigo”
Epidemia de desgoverno
Forças Amadas
No momento em que as Forças Armadas estão no centro do debate político, é mais do que oportuno relembrar a figura do marechal Cândido Rondon, o grande engenheiro militar e sertanista brasileiro. A leitura da sua biografia, escrita pelo jornalista Larry Rohter, nos possibilita entender que as instituições militares são admiradas pelos brasileiros por serem a mão amiga em missões de integração nacional, de paz e de ajuda humanitária. Nem por isso deixam de ser o braço forte na proteção de nossas fronteiras e na defesa da nação. Continue lendo “Forças Amadas”
A boca de Boris Vian
Vejamos, é a boca de Boris Vian. Durante 15 dias não se lhe ouvirá um som, sequer um sussurrado ai. Morreu-lhe o pai. E agora, que já vos dei a notícia, acrescento: não morreu, mataram-no. Eis o que cala Boris Vian: o pai foi morto a tiro, por intrusos, em sua casa, a vivenda provincial da família. Continue lendo “A boca de Boris Vian”
No colo de Bolsonaro
Mais de um milhão de brasileiros infectados e 50 mil mortos pela Covid-19, economia nocauteada, ilicitudes eleitorais e outras na mira policial-judicial, assombrações ressuscitadas com a prisão de Fabrício de Queiroz. Apavorantes para o presidente Jair Bolsonaro – que passou a ouvir com maior estridência os ecos de cassação e impeachment –, os últimos dias fazem saltar aos olhos as aberrações de um governo chefiado por um gerador de crises incansável, que só se preocupa com o seu clã e se nega a assumir suas responsabilidades. “Não vão botar no meu colo essa conta.” Continue lendo “No colo de Bolsonaro”
Um segredo de Polichinelo
Desde 20 de maio de 2020, o paradeiro de Fabrício Queiroz era conhecido. O “Cadê o Queiroz?” tantas vezes repetido pelos brasileiros, já poderia ter sido respondido, principalmente pelo dono da casa onde ele se abrigava, Frederick Wassef. Mas não, ao contrário, sempre que alguém fazia essa pergunta a Wassef, a resposta era “não sei”. Continue lendo “Um segredo de Polichinelo”
O gênio da incompetência
Independentemente do seu destino no governo, Abraham Weintraub vai para a galeria dos piores ministros da Educação de todos os tempos. Sob seu comando a pasta perdeu qualquer relevância, deixando de fazer o mínimo quando deveria ser protagonista, especialmente em momentos tão cruciais como o da pandemia. Continue lendo “O gênio da incompetência”
Em louvor dos palhaços
Uns palhaços, todos! É tão fácil, hoje, despejar os políticos pelo cano do esgoto. Palhaços, arlequins, jokers, encantadores de serpentes. E eu peço ao José Tiny, admirável ilustrador destas pobres crónicas, que desenhe aqui um, demagogo, trumpiano e com um par de botas. Mas confesso já: não consigo calçar esse fácil par de botas. Talvez os políticos não sejam os palhaços que sempre são na conversa de café ou tasca. Continue lendo “Em louvor dos palhaços”
Comunicação não faz milagre
Bem recebida no Congresso e por empresários do setor, a nomeação do deputado Fábio Faria (PSD-RN) para o recém recriado Ministério das Comunicações alcançou apoio surpreendente para um governo que prometia cortar pastas, enxugar a máquina pública e jamais fazer o jogo do toma-lá-dá-cá. Nessa carochinha coletiva, engrossou-se o faz de conta de que o “gargalo” do governo é a comunicação. Continue lendo “Comunicação não faz milagre”
Erros se corrigem
As manifestações que tomaram de assalto o território americano foram emocionantes. Nelas podíamos ver negros, brancos, latinos, judeus, orientais, todas as etnias e representantes de todas as religiões, irmanados na dor e na revolta com a morte brutal de George Floyd. Seu martírio, longo o suficiente para que ouvíssemos, nitidamente, onze vezes seu lamento ‘I can’t breathe’ e o apelo, ‘Mommy! Mommy!, que faz por socorro, até agora ecoam pelo mundo. Continue lendo “Erros se corrigem”
Desserviço à Pátria
Aconteceu o que a cadeia de comando das Forças Armadas mais temia quando o general da ativa Eduardo Pazuello caiu de pára-quedas (sem trocadilho) no Ministério da Saúde. Depois das idas e vindas, confusão e tumulto, com os números das vítimas e de infecções por Covid-19, o desmanche da pasta passa a ser associado aos militares. Continue lendo “Desserviço à Pátria”
Os dentes de Bakunine
O russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunine ainda tinha dentes quando se encontrou, em Paris, com o alemão Karl Marx. Faço gosto em lembrar que a revolução não estava então de quarentena: era globalizante e viajava que se fartava. Reescreva-se a história: não foi o capitalismo, foi a revolução, as internacionais socialistas, com os seus eslavos, alemães, franceses, Garibaldi e os primos dele, que inventaram a globalização. Continue lendo “Os dentes de Bakunine”
Ruas vazias falam mais alto
Grupos pequenos filmados bem de pertinho para parecer multidões, carreatas com buzinaços ao lado de hospitais, plateia na rampa do Palácio do Planalto entre abraços, beijos e selfies com o “mito”. Xingamentos e agressões físicas a jornalistas. Fora STF, Fora Congresso, Intervenção Militar Já, bandeiras de Israel e da Ucrânia. Todos os domingos o presidente Jair Bolsonaro tem se lambuzado com mimos desse tipo de seus fiéis. Agora, ele inverte tudo: ferozes, antidemocratas e “marginais” são os outros. Continue lendo “Ruas vazias falam mais alto”




