Lula à deriva, Haddad fragilizado

Longe estão os dias em que Fernando Haddad era o ministro mais forte do governo Lula. Desde o segundo semestre de 2024, a imagem do ministro da Fazenda sofre um processo de erosão, afetada por episódios como a crise do PIX e a “taxa das blusinhas”. Nada se compara, contudo, à barbeiragem do aumento do IOF, na qual o ministro teve de recuar, ainda que parcialmente, diante da forte reação dos agentes econômicos. De quebra, Haddad forneceu munição para seus inimigos internos, que jogam sobre seus ombros a responsabilidade pelos altos índices de desaprovação do governo. Continue lendo “Lula à deriva, Haddad fragilizado”

O que está ruim sempre pode piorar

A maré não está para otimistas. Nem os incorrigíveis como eu, que se esforçam para crer em bonança depois da tempestade, têm conseguido escapar das tormentas destes tempos. Com um agravante: o que está ruim sempre pode piorar. Lá fora e por aqui. Não bastassem as intempéries externas – o insano extermínio de palestinos, a guerra de Putin na Ucrânia ou os desmandos do monstro laranja -, temos sido inundados por desvarios do Congresso, que, somados a derrapadas do Supremo e à incompetência governamental, acabam por afogar possibilidades de dias melhores. Provas disso são a aprovação do “PL da devastação” e a proposta disfuncional de unificação das eleições em curso no Senado. Continue lendo “O que está ruim sempre pode piorar”

O relevante e o irrelevante

Prefiro ficar com o relevante, nessa viagem que o presidente Lula fez à China e, antes, à Rússia. O irrelevante deixo para a imprensa dita profissional noticiar, em papel jornal ou pelas ondas do rádio e da televisão. E pelas vozes da extrema direita golpista nas ondas obscuras das redes sociais.  Continue lendo “O relevante e o irrelevante”

A urgência de reafirmar princípios

Enquanto o Congresso Nacional legisla em causa própria, se apropriando de parte do Orçamento, o Supremo Tribunal Federal multiplica decisões monocráticas e contraditórias sobre temas de alta complexidade e o Executivo se atrapalha por não ter um projeto de nação, o país vive uma estranha normalização do improviso. E, muito mais grave, da erosão institucional. Não se trata apenas de disputas políticas quotidianas: é o tecido dos princípios republicanos que se desgasta silenciosamente, ameaça que deveria preocupar muito além das paixões do momento. Continue lendo “A urgência de reafirmar princípios”

Parabéns!

Sinceramente, acho que o novo presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, não ficou contente com a derrota de 5 x 0 na Primeira Turma do STF, que afundou o projeto de lei para salvar o colega Alexandre Ramagem e toda a cúpula golpista.  Continue lendo “Parabéns!”

Os jornais entre a sobrevivência e a relevância

As notícias que você lê, os vídeos a que assiste, os tweets que viralizam – nada disso é aleatório. Hoje, quase toda a informação passa por plataformas digitais onde a mediação pública foi automatizada por algoritmos invisíveis, projetados para capturar atenção, prever comportamentos e moldar o pensamento coletivo. Essa transformação radical opera silenciosamente: reorganiza valores, invisibiliza temas relevantes e privilegia a performance comercial sobre a função cívica da informação. Continue lendo “Os jornais entre a sobrevivência e a relevância”

Briga boa

É no mínimo curioso como o tal de mercado analisa as sandices que vêm da Casa Branca. Agora respira com certo alívio, ante o acordo de 90 dias  com a China. O dólar recuou e a BV começa a avançar.  Continue lendo “Briga boa”

O pacto da hipocrisia: crise de governabilidade à vista

Em 2025, o governo Lula conta, formalmente, com uma coalizão ampla: 16 partidos e cerca de 300 deputados federais. No papel, uma base robusta. Na prática, um castelo de areia. A sequência de derrotas no Congresso — ao menos oito no último mês — expôs o esgarçamento dessa aliança. Em vários casos, a infidelidade partiu justamente de partidos que ocupam ministérios. Continue lendo “O pacto da hipocrisia: crise de governabilidade à vista”

De ponta-cabeça

Nada nem ninguém boicota mais Lula e o seu governo do que o próprio presidente e os seus. Tudo parece combinado para dar errado. A ponto de, literalmente, virar o mundo de ponta-cabeça, como dizem os paulistas. Continue lendo “De ponta-cabeça”

Ave, Francisco

Um papa na medida de Francisco, que o nomeara cardeal há somente dois anos: latino-americano por parte de mãe, norte-americano por parte de pai mas anti-Trump, e admirador de Leão XIII e, por óbvio, sua “Rerum Novarum”, a encíclica que, em 1891, condenou o capitalismo, açoitou o socialismo, que ainda não existia enquanto poder de Estado, e defendeu a justiça social e a igualdade para o mundo.   Continue lendo “Ave, Francisco”

A centro-direita se reposiciona

A iniciativa mais significativa até agora para romper com a polarização entre bolsonaristas e petistas – que marcou as duas últimas eleições presidenciais – partiu do campo da centro-direita. Trata-se da criação da Federação União Progressista, que reúne uma expressiva base política: 109 deputados, 14 senadores, 1.330 prefeitos e seis governadores. Esse novo arranjo altera a correlação de forças no cenário nacional e já projeta sua atuação com foco em 2026, quando Jair Bolsonaro estará fora da corrida presidencial. Continue lendo “A centro-direita se reposiciona”

Velhos tempos

Muito estranha a “soltura” de um criminoso de colarinho branco — ex-senador, ex-presidente da República e ex-governador — quando mal começava o cumprimento da pena de 8 anos e 4 meses imposta pelo Supremo Tribunal Federal, após dois anos de embromações da defesa. Continue lendo “Velhos tempos”

Lula e Bolsonaro em seus labirintos

Dois temas palpitantes em curso no Congresso Nacional – anistia a golpistas e fraudes no INSS – têm mexido de maneira curiosa com os extremos da política, sendo tratados com polaridade invertida. Lula, que com razão repudia a ideia de anistia, topa apoiar um acordo para reduzir penas de condenados que desejavam derrubá-lo, enquanto o ex Jair Bolsonaro, que dizia só querer defender injustiçados do 8 de janeiro, rechaça a proposta que limita o perdão aos manifestantes. Já no caso do INSS, Lula comporta-se como o grande culpado e Bolsonaro põe fogo, embora os desvios tenham começado na sua gestão e uma eventual CPI possa estourar no seu colo. Continue lendo “Lula e Bolsonaro em seus labirintos”

Camisa de força

Acho que o Trump vai ganhar uma estátua em praça pública aqui no Rio Grande. Não sei onde, mas que vai, vai. E a homenagem deve se repetir em muitos estados, até mesmo fora do Brasil. É que ele acaba de fazer pela soja o que nenhum governo estadual ou nacional brasileiro conseguiu em décadas. Colocou toda a produção brasileira desse grão tão cobiçado nas mãos endinheiradas da China.  Continue lendo “Camisa de força”

O povo dos EUA inventou uma definição errada de “latino”

Infelizmente, muitos brasileiros estão absorvendo o conceito errôneo que os norte-americanos criaram para o termo “latino”. Para eles, são uns sujeitos bigodudos, de sombrero mexicano, que falam espanhol, comem tacos, dançam rumba nas ruas, e moram abaixo do Rio Grande. Continue lendo “O povo dos EUA inventou uma definição errada de “latino””