Posso imaginar um reflexivo Passos Coelho a passear numa doce alameda do seu jardim beneditino. E talvez Cavaco tenha um momento de paz entre os canteiros do jardim de buxo de Belém. O poder é solitário, ia jurar. Continue lendo “Hitler sabia dançar”
Canções de amor demais: Kate e Eric
Eric escreveu uma bela canção para Kate. Kate escreveu uma bela canção para Eric. Eric fez uma bela gravação de uma das mais maravilhosas canções de Kate. Não exatamente nessa ordem. Continue lendo “Canções de amor demais: Kate e Eric”
Muito discurso, pouca eficiência
Já foi o tempo em que governar era apenas abrir estradas.
Para ser mais preciso, foi há 92 anos que Washington Luis adotou esse lema em sua campanha presidencial. Continue lendo “Muito discurso, pouca eficiência”
Más notícias do país de Dilma (75)
Autocrítica é bom. Reconhecer erros, por ação ou omissão, é nobre. Mas não havia uma ponta de autocrítica no discurso em que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, definiu o sistema penitenciário brasileiro como medieval, desumano – para concluir que, entre ir para uma cadeia brasileira e morrer, preferia a morte. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (75)”
garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 2
2. A viagem
Havia muita luz ao redor. Parecia que estávamos num palácio de vidro. Não sei como chegamos ali porque eu já estou sentado, dentro do trem. Geraldo está perto de mim. Vejo pela janela que, do lado de fora, minha mãe chora. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 2”
Advertência: Jo Nesbø causa dependência
O escritor norueguês Jo Nesbø inicia a narrativa de O Redentor, seu romance de 2005, usando elipses e, logo em seguida, um formidável entrelaçamento de três ações paralelas, envolvendo diferentes personagens em cada uma delas. Continue lendo “Advertência: Jo Nesbø causa dependência”
O bode de plantão
Não falha nunca. Ao final de cada eleição, a reforma eleitoral volta à baila como essencial, inadiável. Passam-se alguns meses e ninguém mais fala disso. No máximo se faz uma maquiagem aqui, outra acolá, nas regras para o pleito seguinte, e pronto. Continue lendo “O bode de plantão”
A linha do horizonte
O excesso de teoria enjoa e mata. Não gosto da escrita sobre cinema que pareça um peru emproado. Prefiro o peru bêbado. Continue lendo “A linha do horizonte”
Quem tem medo da regulação?
“É sempre preferível o ruído da imprensa ao silêncio tumular das ditaduras”.
A senhora presidenta disse isso durante a 15ª Conferência Internacional Anticorrupção em Brasília e não é a primeira vez que ela fala incisivamente em defesa da liberdade de imprensa. Continue lendo “Quem tem medo da regulação?”
Más notícias do país de Dilma (74)
Esta compilação de más notícias começa esta semana com um elogio à presidente Dilma Rousseff. Nesta quarta-feira, 7 de novembro, ela afirmou: “Mesmo quando há exageros, e nós sabemos que em qualquer área eles existem, é sempre preferível o ruído da imprensa livre ao silêncio tumular das ditaduras”. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (74)”
garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 1
Um homem inteiramente só, não teria memória; nem precisaria dela. (Pierre Janet)
O Senhor Freud estava errado.
O inconsciente não tem poder sobre nós, mas, sim, a memória. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 1”
Images and inaccuracies
In our modern world of a zillion images, it is easy to take for granted what we see on TV and movie screens. Continue lendo “Images and inaccuracies”
Valério, o fiel
Discreto, fiel, um túmulo. Marcos Valério se comportou assim desde sempre. Na CPI dos Correios, que acabou por revelar o esquema de compra de votos engendrado pelo PT, ou diante do Ministério Público. Revelou nomes dos que receberam dinheiro sujo, mas, jamais, em hora alguma, apontou o dedo para o mandante. Manteve-se leal, um túmulo. Continue lendo “Valério, o fiel”
Chuva com primavera
O flamboyant da Vera, que é minha prima querida, está deslumbrante. Pedindo para ser contemplado com os olhos sensíveis de quem passa ou visita a casa aberta e amiga de Brasília. O outono e o inverno estiveram muito secos e descoloridos, sem graça. Continue lendo “Chuva com primavera”
A vida tem excesso de imaginação
A realidade inspira a arte. Os excessos de realidade bloqueiam-na. Hoje, a implacável realidade, uma equívoca bandeira, a baleia do desemprego, constrangem a criatividade. Livros e filmes nascem de pequenas pinceladas de realidade, não de uma realidade ciclónica que os afogue. Continue lendo “A vida tem excesso de imaginação”


