Não, desta vez não se atrevam a espetar o dedo no peito da minha subjectividade. É estarrecedor de objectivo: tive um fim de adolescência de praia deserta. Privilégios coloniais. Das terras do fim do mundo, António Lobo Antunes escrevia cartas de amor e guerra para que eu andasse de caiaque entre os mangais, a meio caminho entre Luanda Sul e a foz do dolente Kwanza. Continue lendo “A praia deserta”
Decisão já
Conhecido como o mês do desgosto, o agosto de 2017 pode surpreender e até ser o oposto. Já nesta primeira semana tem-se a chance de ver resolvido o destino do presidente Michel Temer, em sessão na Câmara dos Deputados prevista para quarta-feira. E, seja qual for o resultado – contra ou a favor da abertura de inquérito –, o país ganha. Fecha-se um capítulo, passa-se a página. Continue lendo “Decisão já”
“Acorda, este é o Brasil que você ajudou a construir”
Quem forjou a frase do título não fui eu, mas dona Biloca, a sábia amiga e conselheira do colunista Roberto Pompeu de Toledo, segundo artigo publicado por ele na Veja da semana passada, edição 2540. Continue lendo ““Acorda, este é o Brasil que você ajudou a construir””
Valores em baixa
Dois episódios recentes são ilustrativos do quanto os valores inerentes à democracia, como a tolerância, a convivência pacífica e o respeito ao contraditório e à diversidade, estão em baixa em nosso país. Continue lendo “Valores em baixa”
Jornalismo, histeria, terrorismo
Poderosos meios de comunicação fizeram terrorismo. Tentaram criar um ambiente inflacionário – algo perigosíssimo em um país que viveu afundado em inflação crônica por mais de três décadas. Continue lendo “Jornalismo, histeria, terrorismo”
Nunca saí do liceu
Se a vida fizesse sentido, não havia filmes. Nem livros. Não sabemos onde moramos e, por vezes, um filme ou um livro dão-nos a impressão de estarmos em casa. Os filmes e os livros de que gosto são os de homens ou mulheres perdidos. Gente que não sabe encontrar o caminho para casa ou nem sequer sabe já o que seja uma casa. Continue lendo “Nunca saí do liceu”
De rabo preso com Maduro
Gente que dorme e acorda na porta dos mercados para comprar comida que acaba antes de a fila andar. Falta de remédios, ataduras e até de soro fisiológico. Famílias que vasculham lixos e assam animais de estimação para servir no jantar. Mais de uma centena de mortos pela repressão em manifestações contra o governo. Essa é a Venezuela, cujo regime e seu ditador, Nicolás Maduro, receberam apoio incondicional do PT e PCdoB, e parcial do PDT, signatários da resolução final da 23ª reunião do Foro São Paulo, realizada na Nicarágua. Continue lendo “De rabo preso com Maduro”
O Rio de Janeiro solou
Sabem quando fazemos, com todo carinho, um bolo para as crianças comerem na hora que chegam da escola com muita fome? E, na hora H, ao cortar o bolo, vemos que solou? Continue lendo “O Rio de Janeiro solou”
O PT esmaga o jornal Correio
Nos anos 70, a ditadura militar e seu representante maior na Bahia, Antônio Carlos Magalhães, asfixiaram de todas as maneiras o Jornal da Bahia, o único que fazia oposição ao governador. Continue lendo “O PT esmaga o jornal Correio”
Lula, caudilho pendular
Caudilhos são dados a movimentos pendulares. Deslocam-se à direita ou à esquerda. Menos por ideologia, mais por conveniências. Perón foi mestre nessa arte. Apoiou-se nos Montoneiros e outros agrupamentos da esquerda peronista para voltar ao poder. Mas quando o conseguiu governou mesmo foi com Lopes Regla, El Brujo, um dos oráculos da AAA – Associação Argentina Anticomunista. Continue lendo “Lula, caudilho pendular”
Pagou-lhe uma reconstrução dentária
Ainda não se tinha inventado o telemóvel e já a actriz Joan Crawford tinha 26 telefones em casa. Ainda não se inventara o GPS, e já Joan usava sininhos nos chinelos para que os criados soubessem sempre onde estava, na sua estarrecedora mansão. Continue lendo “Pagou-lhe uma reconstrução dentária”
Quem toca a bateria?
No mesmo dia em que a Cora Rónai, aquela arauta das modernidades, escreveu em O Globo mais um dos tantos obituários definitivos dos suportes físicos – livros, discos, LPs, CDs, DVDs, Blu-rays –, recebi uma mensagem do meu amigo e mestre Carmo Chagas perguntando quem toca a bateria em “Noite dos Mascarados” com Chico e Elis e quem toca a viola em “Felicidade (Felicidade foi embora)” com Caetano. Continue lendo “Quem toca a bateria?”
Complexo de Pinóquio
O desprezo do PT pela democracia dispensaria novos exemplos. Mas seus integrantes fazem questão de exibi-los com alucinada frequência. Se geralmente já se postam como vítimas de um inimigo invisível, quando acuados pelos fatos reagem com ameaças. A da vez é de que não aceitarão uma eleição presidencial sem Lula. Continue lendo “Complexo de Pinóquio”
Marina e a primeira escova
Sentadinha na sua cadeira no nosso carro, voltando do salão onde tinha lavado e cortado e feito escova, Marina, aos 4 anos e quase 4 meses, passava a mão no cabelo, e uma hora lá, quando chegávamos perto da Avenida Antártica, falou: – “Meu cabelo tá tão macio!…” Continue lendo “Marina e a primeira escova”
Comemorar o quê?
Lula, há uma enorme diferença entre concordar com a sentença do juiz Sergio Moro e sair por aí cantando, dançando e brindando com champanhe. Não comemoro. Continue lendo “Comemorar o quê?”




