Favoritismo de Lula em xeque

Autor do livro A mão e Lula: o que elege um presidente, o cientista político Carlos Alberto Almeida é uma voz respeitada por expoentes da esquerda, como o próprio Lula. É de sua autoria a sentença com poder de provocar pesadelos no presidente e em sua equipe: Lula “é favorito para perder”. Continue lendo “Favoritismo de Lula em xeque”

Irã, um novo atoleiro americano?

Não há dúvidas quanto ao caráter ditatorial do regime iraniano. Nas últimas décadas, milhares de manifestantes foram mortos pela repressão da teocracia instalada após a Revolução de 1979. Mulheres foram perseguidas por desafiar o código de vestimenta imposto pelo Estado. Algumas chegaram a ser condenadas à morte por apedrejamento, pena que em certos casos só não se consumou graças à pressão internacional. Outras morreram sob custódia policial após serem presas por não usarem corretamente o véu. Também é incontestável que o aiatolá Ali Khamenei consolidou um regime autoritário e intolerante. Continue lendo “Irã, um novo atoleiro americano?”

Lula e o voto evangélico

Às vésperas do carnaval, João Santana, ex-marqueteiro de Lula e de várias campanhas do PT, divulgou um vídeo que passou quase despercebido. Nele, fazia um alerta. Era preciso olhar para fora da avenida e avaliar os efeitos políticos que viriam após o desfile da Acadêmicos de Niterói, cujo enredo celebrava a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua advertência era clara: a narrativa da escola poderia agradar à bolha petista, mas produzir efeitos negativos duradouros no universo evangélico e nas regiões onde o agronegócio possui peso econômico e cultural. Continue lendo “Lula e o voto evangélico”

O Supremo sob tensão

A crise institucional que tem o Supremo Tribunal Federal no centro do furacão deu mais um salto de patamar com a revelação da investigação sobre o vazamento de dados fiscais de ministros e familiares. A decisão de conduzir o caso no âmbito do inquérito das Fake News, já existente, provocou críticas no Congresso e também dentro do próprio tribunal, onde houve quem visse no ato conflito de interesses e defendesse a abertura de procedimento autônomo, com distribuição regular. Continue lendo “O Supremo sob tensão”

Lula e António José Seguro: duas esquerdas, dois caminhos

A vitória do socialista moderado António José Seguro na eleição para presidente de Portugal tem um significado que vai além de suas fronteiras por indicar o caminho da conciliação como o mais adequado para enfrentar o populismo e a polarização. Continue lendo “Lula e António José Seguro: duas esquerdas, dois caminhos”

Autocorreção – o momento decisivo do Supremo

O discurso recente do ministro Edson Fachin, ao reconhecer a necessidade de autocorreção no Supremo Tribunal Federal, sinalizou a percepção, dentro da própria Corte, de que a relação com a sociedade atravessa um momento delicado e que a credibilidade institucional passou a ser um tema incontornável. Continue lendo “Autocorreção – o momento decisivo do Supremo”

Direitos não caminham sozinhos

Em setembro de 1956, na pequena cidade de Clinton, no Tennessee, doze adolescentes negros precisaram ser escoltados por policiais estaduais para atravessar o portão de uma escola pública até então reservada apenas a brancos. A decisão de integrar a escola cumpria uma ordem judicial e um princípio constitucional já afirmado dois anos antes pela Suprema Corte americana. Ainda assim, exigiu proteção armada, patrulhamento permanente e a suspensão temporária da normalidade urbana. A democracia, ali, precisou de escolta. Continue lendo “Direitos não caminham sozinhos”

O adversário ideal

Diz-se que Lula voltou a ser contemplado pela fortuna com a candidatura de Flávio Bolsonaro. É o tipo de adversário ideal para um incumbente que busca o quarto mandato. O filho herda a rejeição do pai sem carregar o mesmo carisma; sem o sobrenome, seria um andor difícil de sustentar. Se já seria conveniente enfrentar uma chapa que ostentasse o nome Bolsonaro, ainda que na vice, o cenário tornou-se mais favorável com um Bolsonaro na cabeça da disputa. Continue lendo “O adversário ideal”

O Brasil e a doutrina Trump

A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, divulgada no início de dezembro, reposicionou a América Latina no centro da política externa americana e impôs desafios relevantes à diplomacia brasileira. Sob governo Donald Trump, Washington passou a tratar o Hemisfério Ocidental como prioridade absoluta, rompendo com a lógica predominante no pós-Guerra Fria, em que outras regiões como o Oriente Médio e a Ásia-Pacífico concentravam maior atenção estratégica A Europa, antes principal parceiro americano, também perdeu relevância. A mudança redefine hierarquias, alianças e zonas de influência, com impactos diretos sobre o Brasil. Continue lendo “O Brasil e a doutrina Trump”

Flávio Bolsonaro, herdeiro sem herança

Um episódio da Segunda Guerra Mundial serve como ilustração para entender a candidatura de Flávio Bolsonaro e sua unção como sucessor do próprio pai. Quando a Alemanha invadiu a Polônia, a Inglaterra e a França declararam guerra a Hitler, mas as forças beligerantes não trocaram um só tiro até a invasão francesa. Esse período de mais de um ano entrou para a história como a “guerra de mentirinha”. A candidatura de Flávio nasce com essa suspeita: é de mentirinha. O próprio “candidato”, como um mau ator, desnudou o véu em menos de 48 horas ao insinuar que poderia desistir da disputa pela Presidência, mas que isso “tinha um preço”. Continue lendo “Flávio Bolsonaro, herdeiro sem herança”

Governabilidade por um fio

Lula deveria refletir sobre os presidentes que entraram em rota de colisão com o Legislativo. A história é clara: governos em minoria que apostaram no confronto se deram mal. Jango em 1964 e os impeachments de Collor e Dilma ilustram como a governabilidade se desmancha quando o Executivo perde capacidade de negociação. Em democracias, correlação de forças se altera por entendimento. Quem esquece isso paga caro. Continue lendo “Governabilidade por um fio”

Bolsonaro e o erro como método

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, a que expressa a profunda crise do bolsonarismo é a de Jair Bolsonaro admitindo, de maneira curta e grossa, que violou sua tornozeleira eletrônica: “meti ferro nisso aí”. A cena resume uma sucessão de erros de um líder que age por impulso, sem medir consequências. Paciência estratégica lhe falta, e por isso acumulou derrotas, dilapidando seu próprio capital político. Continue lendo “Bolsonaro e o erro como método”

As urnas chilenas e a longa ressaca do estallido social

As urnas chilenas expressaram, na eleição deste domingo, o clima de ressaca política e institucional decorrente do estallido social de 2019 — a onda de protestos massivos que sacudiu o país, abalou o sistema político e inaugurou um período de volatilidade. Se em 2021 essa energia levou à eleição de Gabriel Boric, um jovem proveniente dos movimentos estudantis, agora produziu um segundo turno no qual o ultradireitista José Antonio Kast aparece como franco favorito. A soma dos votos da direita e centro-direita supera 70% dos votos válidos. Entender virada tão profunda exige considerar o efeito duradouro daquela explosão social. Continue lendo “As urnas chilenas e a longa ressaca do estallido social”

Trump e Xi Jinping: a trégua alivia, mas não encerra a tensão

Nas últimas semanas, o ambiente mundial estava turvo, com impacto negativo nas principais bolsas do planeta. O perigo de uma recessão global tornava-se mais visível diante da crise dos chips, que ameaçava afetar toda a cadeia produtiva do setor automobilístico em razão do bloqueio das exportações chinesas. O cenário se desanuviou graças ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, realizado na Coreia do Sul. Continue lendo “Trump e Xi Jinping: a trégua alivia, mas não encerra a tensão”