Ou Lula ou o horror (3)

“Venho do futuro: nós já tentamos isso aqui. Se Flávio Bolsonaro ganhar, o que vem para o Brasil é um filme de terror!”

O alerta é de Nancy Pazos, apresentadora de TV argentina, após quase 3 anos de Javier Milei na Presidência. E todos sabemos da proximidade ideológica entre o argentino e a familícia do candidato da extrema direita.

“Que bom que, para Flávio Bolsonaro, Flávio Bolsonaro já ganhou a eleição. Com isso podemos conhecer de antemão seu programa de governo, permitindo a cada setor da sociedade se preparar”, escreveu Ruy Castro, em artigo na Folha de S. Paulo na quinta-feira, 15/10. E em seguida enumerou pontos que certamente virão se o filho do mau militar que tentou dar um golpe de estado vencer. Alguns deles: “Os órgãos de educação e pesquisa, dados a produzir saberes contrários aos negacionismos, conhecerão a mão pesada dos bolsonaristas —o recente incêndio numa universidade e iguais ameaças podem ser um indício. As artes e a cultura passarão a pão e água e os meios de comunicação serão reapresentados à censura.”

E então ele crava: “Não são palpites. Historicamente, o segundo mandato é o da vingança.” (A íntegra do artigo vai aí abaixo.)

O analista político Thomas Traumann demonstrou, em artigo publicado no Globo da terça-feira, 13, como e por que, caso eleito,

Flávio Bolsonaro chegará ao Palácio do Planalto com mais força do que o seu pai tinha em 2019. E lembrou que, com a maioria conservadora eleita para Senado e Câmara, ele poderá impor as prioridades que já apresentou ao país:

* libertar seu pai e anular o julgamento do golpe de Estado;

* anular a condenação ao irmão Eduardo;

* reformar o Judiciário, reduzindo o poder do STF;

* reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em alguns casos, 14 anos;

* adiar a implantação da Reforma Tributária, prevista para entrar em vigor em janeiro;

* flexibilizar o licenciamento ambiental e diminuir os poderes do Ibama;

* ampliar o próprio mandato para cinco ou seis anos, cancelando as eleições de 2030. (A íntegra do artigo vai abaixo.)

Felizmente, Jair Bolsonaro não conseguiu dar o golpe, pois faltou o apoio militar que ele dava como certo que teria.

Mas o filho dele terá todas s condições para acabar com a democracia: “A hipótese do golpe militar clássico saiu da mesa. O projeto do Flávio é mais próximo dos regimes autoritários como os de Viktor Orbán, na Hungria, e (Recep Tayyip) Erdogan, na Turquia, em que você vai garroteando a democracia por dentro”, argumenta Marcos Nobre, cientista social e filósofo, em entrevista ao Globo desta quinta-feira, 15/10. Ele prossegue:

“Um dos movimentos clássicos é tomar o Judiciário. Quando Jair Bolsonaro estabelece a eleição para o Senado como prioridade, ele estava olhando para o STF. Faz parte do manual do ditador moderno ocupar os três Poderes. Se eleito, Flávio poderá controlar o STF por meio de indicações e do impeachment de ministros. Esse projeto está claramente na mesa dele, como indicam não só declarações recentes dele, mas também o elogio ininterrupto da ditadura militar. Ele sabe que não dá para repetir a ditadura, mas algo parecido dá para fazer, como restringir as liberdades em nome da segurança, como fez (Nayib) Bukele em El Salvador.”

Essas declarações, esses raciocínios demonstram o que não canso de repetir: esta eleição é muito mais que uma escolha entre direita e esquerda. É uma escolha entre escola e clube de tiro. Entre conhecimento, ciência, e ignorância, negacionismo. Entre defesa da natureza, do meio ambiente, da sobrevivência do planeta e o passar o trator. Entre democracia e ditadura. Entre civilização e barbárie.

Isto aqui é apenas a terceira compilação de textos que demonstram que o que temos pela frente no dia 25 é a escolha entre Lula – com os defeitos que ele e seus governos possam ter – e o absoluto horror. Ainda haverá outras. (Sérgio Vaz)

***

Se vencer, Flávio chegará ao Planalto mais forte do que o pai

Por Thomas Traumann, O Globo, 13/10/2026.

Caso confirme o favoritismo no segundo turno, Flávio Bolsonaro chegará ao Palácio do Planalto com mais força do que o seu pai, Jair, em 2019 e com o ambiente político mais amansado desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso na euforia do Plano Real em 1994.

Compare as circunstâncias em que Flávio Bolsonaro pode chegar ao poder se vencer o segundo turno:

Legitimidade das urnas

A possível vitória de Flávio depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, seu julgamento e condenação por tentativa de golpe de Estado, dará à família uma legitimidade popular similar à de Donald Trump no seu segundo governo. Ao contrário da imprevisibilidade e improvisação de 2018, os eleitores de Flávio Bolsonaro em 2026 sabem o que estão comprando. Ninguém poderá se dizer surpreendido.

Base no Congresso

Com 28 senadores e 121 deputados, o PL é o maior partido do Congresso neste século. Somados aos bolsonaristas do PP (6 senadores e 41 deputados), União Brasil (6 e 46), Republicanos (5 e 41), Podemos (2 e 9) e Novo (3 e 7), além da maioria do MDB (8 senadores e 36 deputados), um governo Bolsonaro poderá eleger os presidentes das duas Casas, aprovar projetos e, dependendo do tema, mudar a Constituição. Jair Bolsonaro nunca teve uma situação tão confortável.

O fato de os partidos do Centrão não terem apoiado Bolsonaro desde o início vai diminuir seu espaço no eventual governo. Ao contrário do que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro, agora é o PL que vai delimitar o poder do Centrão na disputa por cargos.

Fragilidade do STF

Base da resistência a Jair Bolsonaro, o STF será a grande vítima da volta da família ao poder. Se Alexandre de Moraes não renunciar, sofrerá impeachment pelo novo Senado.

O projeto de reforma judicial vai propor transferir a competência criminal do STF para os Tribunais Regionais Federais e para o Superior Tribunal de Justiça, transformando a Corte num órgão constitucional. A mudança retira do STF quase todos os inquéritos envolvendo políticos, inclusive as investigações sobre desvios de verbas das emendas parlamentares, hoje nas mãos do ministro Flávio Dino.

Lua de mel do mercado

Por mais genéricas que sejam as promessas de reforma da equipe econômica, os investidores acreditam num pote de ouro ao fim do arco-íris. Em apenas um dia, na segunda-feira (5), os investidores estrangeiros ingressaram com US$ 10 bilhões na Bolsa de Valores. De acordo com analistas, o efeito imediato de uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno será uma alta contínua na Bolsa, desvalorização do dólar e uma baixa nos juros futuros.

Se os projetos do eventual governo Bolsonaro 2 forem frágeis como aparentam ser, a euforia pode ser apenas uma bolha. Mas o otimismo do mercado assegura ao eventual novo governo uma lua de mel de mais de três meses.

A oposição sem rumo

Em 2018, mesmo depois do impeachment de Dilma Rousseff, a operação Lava-Jato e a prisão de Lula, a esquerda tinha um norte: a volta de Lula. Mas, se o bolsonarismo vencer no final do mês, a esquerda ficará sem perspectiva de poder. Lula está velho demais e não preparou sua sucessão. A esquerda terá que construir um novo candidato a partir da derrota.

O lulismo tem menos de 120 deputados e 20 senadores, insuficientes até para bancar uma CPI. No caso de derrota, sem um candidato natural e com as previsíveis divisões, a esquerda estará frágil para resistir a um governo que começará forte.

A questão, portanto, é: o que Flávio Bolsonaro pretende fazer com circunstâncias tão favoráveis? Com maioria para comandar Senado e Câmara, ele elencou ao longo da campanha as seguintes prioridades:

Libertar seu pai e anular o julgamento do golpe de Estado;

Anular a condenação ao irmão Eduardo;

Reformar o Judiciário, reduzindo o poder do STF;

Reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em alguns casos, 14 anos;

Adiar a implantação da Reforma Tributária, prevista para entrar em vigor em janeiro;

Flexibilizar o licenciamento ambiental e diminuir os poderes do Ibama;

Ampliar o próprio mandato para cinco ou seis anos, cancelando as eleições de 2030.

Jair Bolsonaro chegou ao Planalto repartindo poderes com seu mentor econômico, Paulo Guedes, uma dúzia de generais reformados e sob desconfiança do establishment político. Ao longo do mandato, ele enquadrou os militares, entrou em acordo com o Centrão e encolheu a agenda Guedes.

Flávio Bolsonaro chega a outubro de 2026 comendo um saco de sal com um grupo mínimo de pessoas fiéis: o pai, o irmão Eduardo, o coordenador de campanha Rogério Marinho, a porta-voz de economia Daniella Marques, o marqueteiro Duda Lima e o jornalista Fábio Portella — os únicos que estiveram com ele nos momentos difíceis. Ele não deve nada ao mercado financeiro e ao empresariado, que duvidaram de suas chances, e ao Centrão, que o abandonou e agora corre para agradá-lo.

Com poucas dívidas e com condições objetivas de poder mudar a Constituição, Flávio Bolsonaro tem sido evasivo sobre reformas econômicas. A sua agenda econômica segue uma parolagem de “cortar desperdícios”, reduzir o número de ministérios e vender ativos da União — medidas que não fazem cócegas no crescimento da dívida pública.

Com quase 40 senadores eleitos apenas com a promessa de impichar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o Senado não terá tempo nem disposição/o para debater outra pauta no primeiro semestre do ano que vem. O encolhimento dos poderes do Supremo é a prioridade zero da volta do bolsonarismo. A economia a gente vê depois.

***

O segundo mandato é o da vingança

Por Ruy Castro, Folha de S. Paulo, 14/10/2026

Que bom que, para Flávio Bolsonaro, Flávio Bolsonaro já ganhou a eleição. Com isso podemos conhecer de antemão seu programa de governo, permitindo a cada setor da sociedade se preparar. Uma amostra pode estar simbolizada na caminhada de uma deputada catarinense pelas ruas de Florianópolis, comemorando a própria vitória estalando um chicote no asfalto. O chicote é um instrumento usado nos costados de mulas e de escravizados, para pô-los na linha ou castigá-los por insubordinação —você escolhe.

Assim que subida a rampa, o chicote presidencial vibrará firme sobre todos que impediram o golpe tentado por Jair Bolsonaro em 2022-23. Há uma dúvida sobre quais serão os primeiros atingidos, se três ou quatro ministros do STF ou se os militares que se puseram ao lado da democracia e ainda foram trabalhar no governo Lula.

O ataque ao Supremo talvez exija um arremedo legal, encenado pelo novo Congresso, mas a demissão, reforma ou até prisão dos atuais titulares das Forças só dependerá de uma canetada. O brigadeiro Carlos Baptista Junior, comandante da Aeronáutica sob Bolsonaro e autor do livro Eu Disse Não! – Uma Trincheira Antigolpista, responderá pela ousadia. Em troca, as grades se abrirão e voltaremos a ter a alegre companhia dos generais Augusto Heleno, Braga Netto, Mário Fernandes —este, autor do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de autoridades— e demais anistiados.

A vingança contra o Itamaraty já foi anunciada pelo futuro chanceler Eduardo Bolsonaro, com a varrição de diplomatas de carreira e sua substituição por parças de clubes de tiro e de churrascos nos condomínios. Os órgãos de educação e pesquisa, dados a produzir saberes contrários aos negacionismos, conhecerão a mão pesada dos bolsonaristas —o recente incêndio numa universidade e iguais ameaças podem ser um indício. As artes e a cultura passarão a pão e água e os meios de comunicação serão reapresentados à censura.

Não são palpites. Historicamente, o segundo mandato é o da vingança.

***

Aqui, um texto de Hilton Aquino, empreendedor, no Facebook:

O alerta mais urgente e estarrecedor deste segundo turno veio diretamente da imprensa internacional: em transmissão ao vivo na TV argentina C5N e na Rádio 10, a influente apresentadora Nancy Pazos mandou um recado dramático à classe trabalhadora brasileira com a frase que viralizou no continente: “Venho do futuro: nós já tentamos isso aqui. Se Flávio Bolsonardo ganhar, o que vem para o Brasil é um filme de terror!”

Não é propaganda eleitoral de marqueteiro; é o grito de socorro de uma nação vizinha que caiu na armadilha do ultraliberalismo radical de Javier Milei — exatamente o modelo que Flávio Bolsonaro (PL) e sua equipe econômica copiam e planejam implementar no Brasil com o famigerado “Tesouraço”!

O alerta da jornalista não é baseado em retórica, mas nos números oficiais devastadores publicados pelo jornal La Nación e pelo instituto estatístico argentino (Indec):

O “futuro” que Flávio quer importar: O massacre do setor produtivo:

A Argentina sob o experimento ultraliberal vive um colapso sem precedentes da sua economia real:

O país perdeu impressionantes 32.290 empresas e empregadores registrados desde o início do governo Milei — uma retração brutal de 6,3%;

O número total de empresas com carteira assinada desabou para o pior nível em 19 anos;

A produção industrial despencou 3,2% em agosto, o desemprego saltou para quase 8% e cenas degradantes de trabalhadores enfrentando filas de dez quarteirões por uma única vaga de emprego voltaram a ser rotina!;

O roteiro idêntico da candidatura de Flávio Bolsonaro:

A cartilha que quebrou a Argentina é exatamente a que Flávio quer empurrar goela abaixo do povo brasileiro:

O cruel “Tesouraço” de R$ 220 bilhões a R$ 250 bilhões, que desvincula as aposentadorias do salário mínimo, corta verbas da Farmácia Popular e esfaqueia o orçamento do SUS;

O desmonte da CLT para transformar contratos de trabalho em pagamento por hora sem férias, 13º ou descanso remunerado;

E a sabotagem da bancada do PL, que foge covardemente do plenário do Senado para não votar a PEC do fim da escala 6×1 pautada por Davi Alcolumbre para esta quarta-feira (14/10)!;

O contraste com o Brasil de Lula: Emprego e liderança global:

Enquanto a Argentina fecha fábricas e amarga filas de desespero, o governo Lula entrega a melhor conjuntura econômica em mais de uma década:

O desemprego no Brasil caiu para a mínima histórica de 5,3%;

A Bolsa de Valores (Ibovespa) valorizou +46,8% sob Lula contra apenas +24,9% no governo anterior;

O Brasil fechou o ano como o 3º maior destino mundial de Investimento Estrangeiro Direto no ranking da OCDE (atrás apenas de EUA e China), atraindo fábricas de ponta com a Nova Indústria Brasil e o Novo PAC em vez de liquidar patrimônio a preço de banana;

A onda cívica que engole o salto alto bolsonarista:

A verdade sobre o risco do retrocesso está furando os algoritmos de ponta a ponta:

O vídeo da comunicadora Ana Paula Renault em defesa de Lula já ultrapassou estrondosos 30 MILHÕES de visualizações orgânicas nas redes;

O “Efeito Ana Elisa” e os vídeos em formato selfie de Lula romperam a barreira de 66 milhões de acessos, transformando o presidente no “rei da selfie” aclamado pelo povo de Ceilândia;

Grandes ícones populares como Ivete Sangalo e a capitã da Seleção de Vôlei Gabi Guimarães cobram lucidez e avisam que “o Brasil não pode retroceder”;

E o pânico bateu tão forte no clã Bolsonaro que Flávio correu ao TSE com uma ação antidemocrática tentando censurar mais de 1.500 perfis de cidadãos que o criticam nas redes!

Quem avisa amigo é: os trabalhadores argentinos foram iludidos pela promessa de “liberdade econômica” e receberam em troca fábricas fechadas, miséria e arrocho salarial. O Brasil não precisa passar por essa tragédia para saber que o veneno é amargo.

Com a disputa cravada em 52% a 48% em votos válidos no Datafolha, faltam apenas 2 votos em cada 100 para sepultar de vez o projeto de destruição nacional.

No dia 25 de outubro, a defesa do emprego, da indústria nacional e do prato de comida na mesa vence o filme de terror ultraliberal com Lula 13!

Na sua visão: o fechamento de mais de 32 mil empresas na Argentina de Milei serve de aviso definitivo para o Brasil rejeitar o plano de Flávio Bolsonaro? Deixe seu comentário e compartilhe esse alerta com quem ainda está indeciso!

(Com base em pronunciamento da apresentadora Nancy Pazos na C5N/Radio 10 e dados estatísticos oficiais do Indec e da SRT publicados pelo jornal La Nación.)

17/10/2026

Ou Lula ou o horror (1)

Ou Lula ou o horror (2)

Dava para pegar no ar o entusiasmo das pessoas

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *