Carnificina

É chocante e preocupante que, depois de tantos escândalos e falcatruas protagonizados por si e sua famiglia, um inexpressivo e insosso ladrão de galinhas — no dizer de Ciro Gomes que a própria madrasta reprisou —, filho mais velho do ora presidiário ex-presidente da República — golpista, ladrão de jóias, falsificador de carteira de vacinação, peculatário, misógino e genocida —, tenha um terço das intenções de voto do eleitorado brasileiro no primeiro turno e chegue perto da metade no segundo. 

Tamanho apreço não se dá por suas qualidades, que não têm, mas pelas aberrações da famiglia, Cacareco, Macaco Tião ou o palhaço Tiririca fariam melhor pelo país. 

Seu único e declarado projeto é soltar o pai da cadeia assim que se refestelar na cadeira presidencial, caso a maioria delirante eleja o emplasto. Mas para isso precisa dar um golpe de estado, e para isso conta com as forças de agressão militar dos EUA e um levante do curral bolsonarista das Forças Armadas locais. E para isso, enfim, conta também com o apoio do mercado financeiro nacional e do grande capital americano. 

O que ele pretende, portanto, é uma carnificina. O golpe não  aconteceria sem a resistência da outra metade do eleitorado. E onde houvesse resistência, haveria invasão e bombardeio. O país seria transformado numa Faixa de Gaza gigante, com litoral milhares de vezes maior que o de Gaza. O pai faria o resto: senta na cadeira, põe a coroa na cabeça, declara a monarquia e bota o filho de primeiro-ministro. 

Esse é o plano. 

     Pena que nem Zé Celso nem Glauber estejam mais entre nós para escrever e encenar o transe. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e amante do teatro de absurdo. 

27/7/2026

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