Pés de barro

Micheque estava com medo. 

 Não sabia se podia levar uma saraivada de ovos “amigos” na rua ou coisa pior. Provou o veneno que a gangue que escolheu para também chamar de sua expele contra desafetos ou quem simplesmente a desafia. 

 Tudo porque ela apontou o dedo contra o enteado que queria e ainda quer enrolar-se nos lençóis de Ciro Gomes no Ceará, para tentar derrotar o PT na eleição a governador do Estado. 

Vai daí, ela chutou o balde. Ciro sempre foi arqui-inimigo da famiglia e ela lembrou com todas as letras, no vídeo de semanas atrás, que para este Ciro a tal famiglia não passa de uma quadrilha de bem sucedidos ladrões de galinha. 

Isto não o impede, agora, de se tornar um amigão da quadrilha, porque para derrotar o PT vale tudo, até mesmo rifar sua própria história política pessoal.

Micheque não aguentou o peso do balde. Bastou o enteado ensaiar novo (e vergonhoso) pedido de desculpas, ela sai correndo para o arrego. O Ciro que se dane, eles que se entendam! Melhor do que uma chuva de ovos nas madeixas recém penteadas pelo Agustin Fernandez. O medo venceu a esperança… 

Não parece que ela seja capaz de juntar os cacos da implosão. O estrago na direita é grande. Vem de uma imposição do chefe presidiário à revelia do “distinto público”. E o fez confundindo seu curral eleitoral de estimação, o chamado gado, com a ala mais ao centro que não engole nem ele mais, que dirá o bezerro. E a coisa segue torta, como se o simples berro do chefe no corno berrante  pudesse endireitar o caminho do rebanho. 

Não foi uma grosseria contra Zema — que não conta —, mas contra Caiado, que vem de uma família de fazendeiros e coronéis desde os tempos do Império, em Goiás. Caiado nunca ia engolir um candidato que não fosse ele ou que não tivesse passado pelo crivo dele. O ex-capitão pisou na bola. Poderia ao menos tê-lo chamado para uma conversa tête-à-tête na Papudinha ou no recesso do lar em que cumpre a prisão domiciliar humanitária que mamãe Xandão lhe deu para descansar. 

O descaso com Caiado foi além da conta. E o bezerro amarga uma candidatura oficializada sábado sem vice e totalmente isolado do restante da direita. A ponto de metade da suposta militância trazida de ônibus ao Pacaembu sair em debandada antes mesmo do discurso do bezerro, que falou para uma platéia quase sem ninguém, após três horas de falação dos canastrões Tarcínico, Milei e Valdemar, com farta distribuição de vídeos de mensagens do genocida Netanyahu, da Micheque e de um falso Jair ressuscitado por IA — o que deve render mais uma encrenca do capitão no STF, dessa vez com Valdemar e o bezerro 01 como cúmplices. 

Pior de tudo, além de um zero à esquerda, o passado do bezerro o condena. Ele tem pés de barro bem afundados na lama. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e palpiteiro político nas horas vagas. 

26/7/2026

     

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